Referindo-se às exportações do Espírito Santo, atividade essencial para a nossa economia, o cenário indica que este ano será melhor do que o anterior - mesmo que a redução da influência negativa da Covid-19 no mundo dos negócios só ocorra expressivamente no segundo semestre. A melhoria esperada baseia-se em dois eixos: aumento do volume a ser exportado e preços mais altos.
Os preços das principais commodities produzidas no Brasil devem subir ao longo de 2021 e alavancar a receita das exportações, segundo estimativa da Tendência Consultoria veiculada pela Agência Estado e Infomoney. A expectativa de que minério de ferro e petróleo registrem alta de 12,9%. Isso é boa notícia para o Espírito Santo. Estimula investimentos.
Em 2020, quedas acentuadas no valor exportado de minério de ferro (-43,4% em comparação com o ano anterior) e na receita das exportações de óleo bruto (-44,1%) foram decisivas na retração de 41,7% no montante total das exportações capixabas. O preço do petróleo caiu 22,5%. Chegou ao fundo do poço com o barril cotado a US$ 19,54 em abril, quando o mundo estava em lockdown.
Outros ramos da nossa indústria de transformação também se deram mal. Dados do Ministério da Economia indicam que as exportações dessa categoria recuam, em média, 48,9%, de janeiro a dezembro do ano passado. Os maiores tombos foram em laminados planos de ferro e aço (-55,1%) e outras ligas de aço (-68,2%).
A quantidade de produtos exportados pelo Estado também diminuiu em 2020: - 35,2% na comparação com 2019, refletindo o arrefecimento do consumo mundial provocado pela pandemia. O prejuízo às exportações capixabas foram mais intensos do que na média nacional. Obviamente, houve consequência financeira. A receita das exportações do Brasil recuou 6,1% em relação a 2019; a do Espírito Santo despencou 41,7%, diferença assustadora quanto incômoda.
O minério de ferro, que comanda a pauta de embarques capixaba, é altamente dependente da demanda da China, cuja economia cresceu "apenas" 2,3% em 2020, resultado inadmissível para os chineses. O mais baixo em 44 anos. Agora, eles correm em busca da recuperação. A projeção é de que o PIB da China crescerá 8,2% em 2021. Estão fazendo de tudo para isso. Até exportando insumo para vacina para um problema que eles criaram. Nesse contexto, provavelmente, haverá aumento da demanda pelo minério de ferro, e isso interessa à economia do Espírito Santo.
Não é só por isso que deverá crescer em 2021 a quantidade de minério de ferro embarcada no litoral do Estado. O grande impulso é a Samarco, que voltou a operar após cinco anos de paralisação, em função do maior desastre ambiental do país. O reinício da produção no Complexo de Ubu tem estimativa de 7 a 8 milhões de toneladas de pelotas por ano, cerca de 26% da capacidade. O volume deve ser ampliado gradualmente, nos próximos anos.
O Espírito Santo registrou déficit de US 1,1 bilhão na balança comercial em 2020. As vendas renderam US$ 5,1 bilhões e as importações, US$ 6,2 bilhões - apesar da desvalorização de cerca de 30% do real frente, encarecendo os produtos vindos de fora. O saldo negativo teria sido pior, não fosse a boa performance das exportações do agronegócio, em média 9% maiores do que em 2019. Destaques para o café (as saídas do conilon capixaba ao exterior atingiram o recorde histórico: 4,8 milhões de sacas, superado em 733 mil sacas o recorde anterior, registrado em 2015).