É impressionante o poder de movimentação e a agilidade do mercado acionário - arena para quem tem dinheiro e sangue frio capaz de suportar oscilações e volatilidade. Veja: a bolsa de valores brasileira ganhou - pasme! -, 440 mil novos investidores em apenas dois meses. Sim, em março e abril, justamente quando as economias nacional de mundial passaram a se derreter, e aumentou fortemente a tensão na cena política do Brasil.
Era inimaginável o desembarque maciço de investidores na bolsa brasileira - que em março sofreu a pior queda no século e tão cedo não deve recuperar totalmente o patamar anterior. Mas o estouro da manada quer dizer o que para a economia? Certamente, nada de alentador. Apenas um movimento defensivo de investidores da área financeira, visando cada um a proteger o seu dinheiro.
A maioria dos que estão desembarcando no mercado acionário é composta de pessoas físicas. Muitas sem perfil de investidor em bolsa. Trata-se de uma fuga à brutal diminuição dos rendimentos das aplicações em ativos bancários, em função da redução histórica da Selic para apenas 3% ao ano. E já está sinalizado pelo Copom que cairá mais.
A economia de guerra exige algo mais próximo a 2% - perdendo de muito para a inflação. Quem contava com o dinheiro gerado pelo dinheiro, sem produzir, está na água. Aplicações de renda variável que oferecem juro um pouquinho maior são de longo e longuíssimo prazos, como o Tesouro IPCA+, com vencimentos em 2026 e 2035. Quem arrisca esperar tanto tempo num país sem previsibilidade política e econômica? Apenas uma ressalva: investidor com malas cheias de dinheiro (por favor, não lembrar o escândalo Geddel) consegue consegue comprar hoje letra financeira de bancos graúdos, remuneração boa, para vencer em dois anos.
A corrida frenética da indústria farmacêutica em busca de remédios e vacina contra a Covid-19 também anima investimento em bolsa, tendo em vista a perspectiva de lucro de atividades ligadas à prática laboratorial. E, principalmente, porque abriria caminho para a volta gradual à normalidade da vida econômica. Por enquanto, esse cenário é apenas esperança.
Analistas não arriscam dizer se a corrida de principiantes às bolsas vai continuar. A alegação ouvida frequentemente é de que o cenário é muito incerto e inibe aplicadores. Resultados em Bolsa não devem ser esperados da noite para o dia, e isso faz investidor pensar mais em riscos. Não se sabe quando a economia começará a se recuperar, nem quais segmentos terão mais dificuldades para se levantar. Valor de ações na Bolsa costumam subir quando o lucro das empresas é crescente. Quando isso acontecerá?