O ritmo da economia está fraco. O primeiro trimestre tem cheiro de crescimento próximo a zero. Mas nem tudo está como dantes no território capixaba. O Espírito Santo vem conseguindo ganhos sonhados há muitos anos em concessão de infraestrutura. Dois grandes eventos marcam a mudança: os leilões do Aeroporto de Vitória e de uma área no Cais de Capuaba para a construção de um terminal de granéis líquidos.
São passos que precisam amadurecer no contexto econômico. O fato de a empresa que arrematou o Aeroporto de Vitória (leiloado junto com o de Macaé-RJ) ter pago valor 830% superior ao lance mínimo revela a importância de mercado desses ativos. Mas a dinamização do transporte de passageiros depende da internacionalização do Eurico Salles – atrasada pelo excesso de burocracia.
Aeroportos impulsionam dinâmicas regionais, e o Espírito Santo está esperando por isso. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que a ampliação do Eurico Salles pode gerar até R$ 2,6 bilhões na economia capixaba, e criar 57 mil empregos. Porém, vale lembrar: esse salto não virá apenas do aeroporto. Tem de ser obra conjunta de avanço de competitividade.
Já o novo terminal em Capuaba aumenta a aptidão operacional do Porto de Vitória. Não é só mais um atracadouro qualquer. A movimentação de granéis líquidos aproveitará melhor o privilégio locacional da Baía de Vitória.
Não há dúvida: o cenário de concessão e privatização no Espírito Santo em 2019 é o melhor em muitos anos. E esperam-se mais resultados. Dentre eles, na área de petróleo e gás. O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) prevê a oferta, neste ano, de blocos exploratórios não arrematados em leilões anteriores, localizados em cinco regiões, incluindo o Espírito Santo. Em termos de efeitos na economia, conta-se com o projeto da Petrobras de investir R$ 16 bilhões no Estado, em cinco anos.
Na redução da presença estatal na economia capixaba, a cereja do bolo, agora, é a Codesa. Promessa da União: trata-se da primeira companhia docas a ser transferida à iniciativa privada. Com ela, vai o Porto de Barra do Riacho, estratégico para distensão do transporte marítimo.
O Espírito Santo também precisa da atenção do governo federal em dois modais: o rodoviário e o ferroviário. A competitividade logística exige que seja desfeito o nó da BR 262 e o imbróglio da implantação da linha férrea EF 118, para alimentar o Porto Central, no Sul do Estado.