O legado desenvolvimentista de Jônice Tristão à cafeicultura capixaba continua a impulsionar grandes resultados. Contrastando com o ambiente econômico combalido pela pandemia, o Espírito Santo alcançou em 2020 recorde histórico exportação de café conilon: 4,8 milhões de sacas, superado em 733 mil sacas o recorde anterior, registrado em 2015.
Também o café solúvel capixaba bateu recorde de vendas para o exterior em 2020: ao todo, 382,3 mil sacas embarcadas, de acordo com estatísticas do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). Outra vitória expressiva.
A análise da instituição aponta três fatores favoráveis a esse desempenho: a forte valorização do dólar frente ao real, o aumento do consumo de café em casa em virtude do isolamento social, e o crescimento da competitividade do nosso conilon em relação ao maior concorrente, o robusta (variedade da família do conilon) do Vietnã.
Segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) safra do robusta do Vietnã (maior produtor do mundo da espécie) ficou em aproximadamente 29 milhões de sacas em 2020, 7,3% menor do que 31,3 milhões de sacas no ano anterior, devido a más condições climáticas.
Já o Espírito Santo teve uma safra abundante: colheu 9,2 milhões de sacas de conilon, diz a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Brasil produziu 14,3 milhões de sacas de conilon em 2020. Ou seja, o Espírito Santo respondeu 64,3% do total brasileiro.
Vale ressaltar o impacto do câmbio nas exportações e na renda da cafeicultura. O real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2020, entre as 30 mais importantes. Quase 30% de queda, o que obviamente ampliou a competitividade das exportações brasileiras.
O Brasil poderia ter aproveitado isso em outros setores tão bem quanto aproveitou no café. Ao mesmo tempo, porém, a cotação elevada do dólar encareceu as importações, aumentando preços de insumos à cafeicultura, elevando custos de produção. Outras observações: "O preço médio em dólar de uma saca exportada de café conilon em 2020 foi o menor dos últimos 15 anos e o preço do solúvel, o menor dos últimos 13 anos, uma vez que o dólar está muito valorizado frente ao real. Com isso, o preço equivalente em real tornou-se mais alto, o que valorizou ainda mais o resultado das exportações capixabas", assinala o Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV).
As exportações totais do Espírito Santo no ano de 2020 somaram 6,38 milhões de sacas, sendo 4,8 milhões de conilon, 1,2 milhão de arábica e 382,3 mil de solúvel. É o terceiro melhor volume da história do café pelo Estado. Atrás apenas das marcas dos anos de 2002 (8,3 milhões) e 2015 (6,5 milhões). Em comparação com 2019, houve crescimento de 11%. A exportação de conilon foi 22% maior do que em 2019. A de café solúvel aumentou 12%.
EXPORTAÇÃO DE ARÁBICA CAIU 19%
Mas nem tudo foi esplêndido em termos de exportação do nosso principal produto agrícola. Há que se registrar um viés destoante: as vendas do arábica capixaba para o exterior totalizaram 1,2 milhões de sacas, caindo 19% comparativamente a 2019, mesmo sendo um ano de bienalidade positiva (produção maior).
Em 2020, o Espírito Santo colheu 4,76 milhões de sacas da espécie arábica. Sem dúvida, um salto espetacular: 59% a mais do que o volume registrado no ano anterior (de bienalidade negativa). Porém isso não se refletiu na quantidade exportada, apesar da alta qualidade do produto capixaba. As limitações da estrutura portuária no Estado teriam influído nesse resultado.
Relatório assinado pelo presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, Márcio Cândido Ferreira assinala que "o desempenho do conilon é muito significativo para a cafeicultura capixaba uma vez que, atualmente, essa variedade está percentualmente mais lucrativa do que o arábica, devido ao seu menor custo de produção". Vale lembrar que o conilon está presente em cerca de 60 municípios do Estado. É o pilar central da arrecadação de várias prefeituras.
A cafeicultura foi uma grande vencedora da economia em 2020. No Espírito Santo e no Brasil. Exportações capixaba e brasileira bateram recordes. Vendas do país a outros mercados cresceram 9,4%, atingindo 44,5 milhões de sacas, afirma o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé). E a produção no campo foi a maior da história: 63 milhões de sacas, somadas as espécies arábica e conilon. Superou em 2,3% a safra de 2018, até àquela época a maior da história.
E para 2021 as perspectivas de desempenho da cadeia cafeeira são consideradas animadoras. O empresário Márcio Cândido Ferreira destaca dois fatores. Um deles são as boas sinalizações nas bolsas de Londres (voltada para o robusta) e de Nova York (focada no arábica).
Outro é a estiagem verificada de setembro a novembro no Sul de Minas Gerais (maior produtora de café arábica do Brasil) e em parte do Cerrado. A produção foi afetada e a redução da oferta pressionará os preços. A cotação do arábica deve subir, e esse cenário se refletirá também em favor do conilon - "que terá novamente uma grande safra no Espírito Santo, pelo menos igual à do ano passado", afirma. "A não ser que haja alguma adversidade climática", completa.