Assim diz a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), feita pelo IBGE; na passagem de abril para maio, em plena pandemia, as vendas do varejo cresceram em todos os Estados brasileiros, após dois meses se recuo. Uma boa notícia que antecede à chamada Semana do Comerciante, de segunda a sexta-feira próximas. 16 de julho é o Dia do Comerciante - neste ano cercado mergulhado em circunstâncias atípicas.
O Espírito Santo é destaque nacional. Os números estão acima da média no país. O varejo restrito teve alta de 13,9% no Brasil; no Espírito Santo, a elevação foi de 16,6%. Já o varejo ampliado subiu 19,6%, em média nacional, enquanto no território capixaba a expansão atingiu 27,1% - o terceiro maior índice entre as unidades da federação. Produtos alimentícios lideraram as vendas no comércio instalado no Estado.
A expansão das vendas se deve essencialmente à transferência - inquestionavelmente necessária - de renda dos cofres públicos aos mais necessitados neste período de isolamento social e desemprego galopante. Veja: dados do Ministério da Economia mostram que o auxílio emergencial de R$ 600 tem sido a principal fonte de recursos para 93% dos domicílios mais pobres. Em grande parte dos casos, a única fonte.
Essas moedinhas têm socorrido nada menos de 23 milhões de residências, envolvendo mais de 70 milhões de pessoas. É fácil imaginar que esse dinheiro não apenas gerou vendas no varejo. A dimensão do resultado é muito maior e mais importante: provavelmente evitou saques nas lojas, em vários locais do país. Este cenário indica a gravidade do momento socioeconômico.
A segunda causa - muito visível, diga-se - do aumento de vendas no varejo foi o início do afrouxamento, de modo tímido, aqui e acolá, de restrições à movimentação de pessoas. Paralelamente, as vendas online e serviços de deliveries se intensificaram, e continuam crescendo. Tornaram-se tábua de salvação para muitas empresa.
Os números do varejo em maio alegram, é claro, mas não merecem que se soltem foguetes. Deve-se considerar que a base de comparação (de abril para maio) é fraquíssima. Além disso, os resultados negativos não foram zerados. Muito menos revertidos. No Espírito Santo, no acumulado deste ano, o varejo restrito caiu 4%, em média, e o varejo ampliado recuou 6%. De acordo com o IBGE, as vendas mais afetadas são as de tecidos, vestuário e calçados: desabaram 35%.
Para muitos, os dados do varejo apurados em maio podem ser sinal de que o impacto do novo coronavírus sobre o setor pode ser menos grave, embora seja grande a distância em relação a 2019. Isso traz um viés de melhoria de expectativa em relação ao PIB. No Espírito Santo, o comércio tem praticamente puxado o PIB estadual nos últimos três anos (enquanto a indústria tem empurrado o PIB para baixo).