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Movimento político

A cena política capixaba apertou o "pause", mas não está congelada

Aqui, a política apertou o “pause”, mas não está congelada. Os atores políticos estão em movimento. O ambiente da pandemia amplia a complexidade e as incertezas. Mas as incertezas fazem parte da política

Publicado em 25 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

25 abr 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo
Sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo: eleições na entidade têm viés político Crédito: Fernando Madeira
Andei conversando, virtualmente, com lideranças do mercado político. Gente que sabe onde as corujas dormem. Aqui, a política apertou o “pause”, mas não está congelada. Os atores políticos estão em movimento. O tabuleiro está mais para xadrez. O ambiente da pandemia amplia a complexidade e as incertezas. Mas as incertezas fazem parte da política.
No momento, o tabuleiro se locomoveu para o ambiente sucessório na Findes. É tergiversação dizer que a disputa na entidade não é política. É e sempre foi. As eleições nas entidades do Sistema S têm influências políticas internas e externas. O exemplo mais recente é o das últimas eleições no Sebrae regional.
Agora, na Findes, há uma disputa – legítima – de dois projetos distintos. Tem a “situação” e tem a “oposição”. Simples assim. A Findes é uma entidade de grande prestigio simbólico, embora o Sistema S tenha recebido muitas críticas nos últimos anos. Exercendo o seu prestigio, a Findes encaminhou no último sábado (21) ao governador Casagrande e aos 78 prefeitos do ES vários pleitos “para enfrentar a crise da Covid-19”, conforme diz o documento publicado. São pleitos legítimos. Mas muitos deles extrapolam as capacidades de respostas dos governos estadual e municipal. É um “checklist” legítimo. Mas os pleitos desgastam o governador e os prefeitos. Muitas das demandas deveriam ter outro destino: o governo federal, através da CNI. Jogo jogado: ambiente de campanha sucessória na Findes.
O tabuleiro também mira as eleições municipais do final do ano. É hora de acumular forças. Um perde e ganha em número de filiações de prefeitos. O Cidadania, do prefeito Luciano Rezende, cresceu bem. O Republicanos, de Amaro Neto e Erick Musso, cresceu muito. O PSB, do governador Casagrande, também. O PDT continua relevante. O PSDB também. O MDB perdeu força.
O mercado enxerga movimentos dos três polos de poder mais visíveis no ES – além do avanço do bolsonarismo. O polo do governador vai para as eleições com a força “natural” do poder incumbente. O polo liderado pelos Republicanos tende a crescer muito politicamente e pode se cacifar como “fiel da balança”, agora aliado ao bolsonarismo no plano nacional. E o polo referenciado no ex-governador Paulo Hartung poderá estar nas disputas em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, por exemplo.
Na Findes, o mercado percebe a presença, como referência, do ex-governador Hartung. Ele está longe, mas está perto, atesta o mercado. Faz parte do jogo político.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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