A duas semanas do dia das eleições, chegamos àquele momento eleitoral em que a maioria dos eleitores vai consolidar ou mudar o voto. Ou vai caminhar para a abstenção. É hora da volatilidade e da redução ou ampliação da alienação eleitoral (brancos, nulos, abstenções). Hora da soberania de Sua Excelência, o eleitor.
Na governadoria, o favoritismo de
Renato Casagrande é estável. Sua avaliação segue positiva e sua rejeição não representa ameaça. Mas não está nítida a possibilidade de liquidar o assunto no primeiro turno. Na reta final, há ainda espaço eleitoral para volatilidade e eventual realização de um segundo turno. Com um eventual crescimento, em cima da hora, de Manato,
Guerino Zanon e Audifax. A depender do grau de volatilidade e da alienação no dia 2.
Aliás, agora, a alienação é elemento a ser observado e contido, ou não, pelos comportamentos dos candidatos, e suas respectivas capacidades de motivar e galvanizar os eleitores. Nas eleições recentes,
a alienação tem sido significativa no Espírito Santo. Diminuindo a legitimidade dos vencedores.
Na disputa para o Senado da República, como sempre o eleitor deixa para decidir na reta final. A reta final chegou. A indecisão, na espontânea, é alta.
Magno Malta e Rose de Freitas lideram, próximos uma do outro.
Erick Musso ainda está distante, mas cresceu um pouco. Difícil prever o desfecho.
Rose e Magno têm um pouco da conhecida fadiga de material. Rose é guerreira e tem os prefeitos do lado. Magno também é guerreiro e tem o apoio de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo. Difícil prever.
Erick Musso pode crescer na reta final se for crível em narrativa assertiva de “nova opção” (não confundir com a famigerada narrativa da “nova política” de 2018).
Na bancada federal, presume-se baixa renovação. O fundão eleitoral foi desenhado pela maioria construída pelo Centrão no Congresso para reeleger os deputados que já estão lá. Basta olhar as planilhas da distribuição dos recursos para os candidatos. Quem já está leva mais. O mercado especula o seguinte.
O PP faria 3 a 4 deputados. Dependendo da distribuição das sobras. O Republicanos faria 2 a 3, também dependendo das sobras. Se isso acontecer, só aí iria a metade da bancada. Aí, viria o PSB, podendo fazer 2. O PT podendo fazer 1 a 2, dependendo das sobras. O PTB faria 1. O Podemos também 1. O PSDB, 1. O PDT, 1. O União Brasil, 1. Como se vê, chegamos a 13 e nem incluí o PL. A conta não fecha. Em suma: eleição com muito peso da chamada “boca de urna” (que é proibida). Aquele telefonema final no dia ou na véspera, à moda antiga, também vai valer.
Aí vêm os deputados estaduais, os primos pobres do fundão eleitoral. Não foi feito para eles. Mesmo assim, o desenho é pela baixa renovação, mas com algumas surpresas. O PT pode crescer, com João Coser puxando votos e com o crescimento de Lula e do voto na sigla. O Republicanos pode crescer, com Sergio Meneguelli , embora ele seja uma incógnita, já que a sua militância é nas redes. O PSB também pode crescer, com a ascensão do novato Tyago Hoffman. O Podemos tem Marcelo Santos, que também deverá ser puxador de votos. A conferir.
Tudo somado, reitero que o quadro de incertezas ainda está presente, seja pela ameaça da Dona Alienação, seja pela probabilidade da Dona Volatilidade. O mal-estar do eleitor com a política e os políticos permanece um forte condicionante eleitoral.
Com a superveniência da péssima situação socioeconômica do país e a radicalizada polarização política nacional entre Lula e Bolsonaro, com Ciro Gomes de metralhadora giratória...