Vinte anos depois da primeira vitória de Lula nas eleições presidenciais, em 2002, o PT e
Lula estão diante de desafios históricos semelhantes. Só que muito maiores.
Primeiro, em 2002, foi o desafio de superar resistências, na sociedade, ao PT. Segundo, o desafio de articular ampla aliança política para ganhar e governar. Terceiro, o desafio de novo aggiornamento no conteúdo de suas propostas para o Brasil.
Parênteses. Digressão. Lá atrás, em 1995, houve um processo de reavaliação e mudanças, que resultaram numa inflexão do PT, depois da segunda derrota de Lula, em 1994. Quando José Dirceu assumiu a presidência do PT, em 1995, ganharam fôlego, musculatura, organização e nitidez as intenções e necessidades de “preparar” o partido para as mudanças de forma (política de alianças) e de conteúdo (a revisão de conceitos no pós-queda do Muro de Berlim e o reforço ao compromisso com a democracia, com a liberdade e com a igualdade).
Depois, já em 2002, esse processo criou possibilidades para Lula construir – já na quarta tentativa, em 2002 – uma candidatura com uma política de aliança para o centro do espectro político, com José Alencar (PL) como vice. Resultou, também, na adequação das propostas à nova realidade brasileira e mundial. Nasceu aí a (histórica) Carta ao Povo Brasileiro. Afirmavam-se os compromissos com a estabilidade econômica, o respeito aos contratos e o ideal do desenvolvimento sustentável.
Em 2003, já no governo, os compromissos da Carta foram mantidos. Com um governo de coalizão e concertação. Todas as lideranças de peso do partido na época – tais como Tarso Genro, Luiz Dulci, José Dirceu e Luiz Gushiken, por exemplo – vocalizaram e explicitaram os compromissos com o século XXI, com a sociedade do conhecimento e com a pactuação de um novo Contrato Social.
Nos anos 80 do século XX, o PT constituiu-se como uma novidade histórica na política brasileira. Pouco a pouco, chegou ao poder municipal, ao poder estadual e ao poder federal. Tornou-se, na virada para o século XXI, a força política mais organizada do país. Buscava a construção de uma nova “práxis” política.
No meio do caminho, teve uma pedra. Aí, o partido teve resiliência para enfrentar as crises de 2005 e 2006 e, depois, as crises ainda maiores que resultaram no impeachment de
Dilma Rousseff e na prisão de Lula. Resistiu. A sua condição de partido organizado e socialmente enraizado é que permitiu esse vigor e essa notável resiliência.
Roda a roda do tempo e da história, e o PT está de volta com Lula. Agora com a evolução da sua característica política (simbólica e política) de lulismo-petismo. O futuro do PT deverá depender da dialética lulismo-petismo.
E da sua capacidade, agora muito mais do que em 2002, de alinhavar uma aliança ampla em defesa da democracia, da reversão do retrocesso civilizatório e do desenvolvimento sustentável, com a diminuição das desigualdades sociais e regionais.
Outro novo aggiornamento é necessário e parece já estar em curso. Vai conseguir mais uma vez?
No
Espírito Santo, o PT recuperou fôlego político em 2020. Nas eleições para prefeito de Vitória,
João Coser chegou ao segundo turno e manteve uma disputa competitiva com o prefeito
Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Ao mesmo tempo, as noticias indicam que o PT prepara o seu novo quadro político, o senador
Fabiano Contarato, para a disputa da prefeitura da capital em 2024. O partido está de volta ao palco da política capixaba.