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Política

Brasil, mostra a tua cara: começou a temporada eleitoral de 2024

Quem são os eleitores, o que desejam, o que pensam. Tempo dos cientistas de dados buscarem o perfil “customizado” deles. Quem somos nós, os brasileiros, na terceira década do século XXI?

Publicado em 06 de Abril de 2024 às 02:00

Públicado em 

06 abr 2024 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Começou a pré-temporada eleitoral de 2024. A janela partidária fechou e o “quem é quem” já está na mesa. No Espírito Santo, as novas articulações para novas alianças já começaram.
Gosto da recorrência bianual no calendário eleitoral brasileiro. De dois em dois anos, a democracia representativa olha no espelho. E nos lembra Cazuza: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...”
As pesquisas mostram recorrentes insatisfações dos brasileiros (tendência global) com os governos de plantão. É a exaustão do poder incumbente. As análises têm focado a desaprovação dos governos em geral. Aqui e acolá. No Brasil e no exterior.
Bandeira do Brasil
Bandeira do Brasil Crédito: Pixabay
Mas não basta olhar só os governos.
Em temporada eleitoral, é preciso também, até por necessidade, olhar para a cara e o perfil de Sua Excelência, o Eleitor: quem são eles, o que desejam, o que pensam. Tempo dos cientistas de dados buscarem o perfil “customizado” dos eleitores. Quem somos nós, os brasileiros, na terceira década do século XXI?
De pronto, já sabemos que ainda mantemos as tradições patrimonialistas da colonização portuguesa. Que nos faz, como já cravou Marcos Lisboa, a sociedade da “meia-entrada” – à procura da velha “viúva”, o poder público. Os nossos liberais só vão até a segunda página. Muitos vão em busca da proteção do Estado.
Mas tem também, já há alguns anos, um crescimento do perfil empreendedor, que se manifesta pelo crescimento dos evangélicos, pela população das periferias urbanas, e pela importância dos jovens da geração Z. Caldo de cultura de pautas liberais.
Tudo somado, vale repisar, está claro que o contrato social da Constituição de 1988 está vencido. Tanto a pirâmide demográfica quanto o perfil da estrutura ocupacional mudaram. É outra sociedade, com novo zeitgeist.
Minouche Shafik registra que “o contrato social requer o consentimento da maioria e a renegociação periódica, à medida que as circunstâncias mudam”. É o nosso caso, no Brasil: renegociar para reconstruir.
Mudaram-se as circunstâncias: as novas tecnologias digitais; o novo papel das mulheres; o envelhecimento da população, os efeitos das mudanças climáticas. Tudo junto e misturado, pressionando os antigos modelos econômicos e sociais.
Entendendo a relação antinômica e dialética entre Estado e sociedade, o novo contrato social precisa ajustar também o arcabouço institucional. Trata-se de uma restauração gradual do Estado. Tarefa de sociedade. Agenda para dez anos.
Essa continua sendo a agenda oculta das eleições brasileiras. Mais uma eleição agora.
Mostrar a (nova) cara do Brasil e, retomando Cazuza, convencer a sociedade brasileira da importância do patriotismo (não confundir com “patriotas”): “Grande pátria desimportante, em nenhum instante eu vou te trair”.
A resultante precisa ser uma pactuação democrática em busca da restauração do Estado e da atualização do contrato social. O objetivo-síntese é a prosperidade, requisito e objetivo da democracia.
A democracia brasileira tem que olhar a dimensão social. A exclusão e a desigualdade são o combustível do ressentimento, do ódio e da rejeição da própria democracia.
As eleições de 2024 já estão na estrada da política brasileira.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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