A sociedade brasileira precisa ligar o sinal de alerta na
educação. Apertar o botão de emergência e fazer, finalmente, a escolha pela prioridade em educação. A queda do aprendizado foi drástica em 2020 e continua acelerada em 2021. O apagão de mão de obra, decorrente da baixa qualificação média da população no ensino básico, médio e superior, ampliou-se com a
pandemia. E, para completar, a escalada da inflação da cesta básica, conjugada com o aumento da pobreza, afeta a capacidade cognitiva nas classes D e E.
Tudo junto e misturado, compromete o futuro de milhares de jovens e condena o
Brasil à baixa produtividade e a ficar estagnado na escala de país de renda média, com desemprego estrutural. A queda nos índices de aprendizado na educação foi profunda. Claudio Moura Castro mostra indícios de um fosso educacional criado em 2020. Houve 73% a menos de aprendizado, em comparação com um ano escolar típico. Segundo ele, “o que era ruim, ficou pior”.
Por sua vez, Ricardo Barros e Ricardo Henriques evidenciam que a situação é ruim para todos os estudantes, “mas pior ainda entre os mais vulneráveis”. É urgente a mitigação dos impactos negativos da pandemia na educação. O desastre continua em 2021. Eles estimam uma população total de 35 milhões de estudantes nos ensinos Fundamental e Médio. E apontam para a urgência de reposição de perdas. É preciso “aumentar o acesso e o engajamento dos estudantes, e melhorar a qualidade do ensino remoto, além do retorno seguro ao ensino presencial ou híbrido”. Os dados são alarmantes. Podem comprometer a competitividade e a produtividade do país. Além, é claro, de prejudicar toda uma geração de jovens, exatamente no momento em que o país ainda vive um bônus demográfico. Prenúncio de êxodo futuro.
Já os indicadores do apagão de mão de obra qualificada e, ao mesmo tempo, do desemprego, representam um paradoxo. Apagão com
desemprego. Só no setor industrial, estima-se que faltarão 300 mil profissionais nos próximos dois anos. Há no país 15 milhões de desempregados e 33,2 milhões de pessoas subutilizadas. O nível de ocupação está abaixo de 50%.
Tudo somado, o Brasil precisa enfrentar a reconfiguração do mundo do trabalho, com a quarta revolução industrial. Para Ricardo Henriques, “o ensino técnico precisa sair desse patamar de 2 milhões para 3,4,5 milhões, que é a meta do Plano Nacional de Educação para 2024”. Mas ele teme que não possamos conseguir. Por isso, governos, gestores da educação pública, redes de ensino privadas e redes de ensino do Sistema S precisam deslanchar um sentido nacional, regional e local de urgência para mitigar o problema.
Caminhar para uma educação e aprendizado que possam dar conta das competências e habilidades fundamentais no mundo do século XXI: capacidade cognitiva, habilidade socioemocional, competência tecnológica e digital, empatia, capacidade de negociação e de trabalho em grupo. Capacidade de pensar e de resolver problemas. Estamos atrasados.