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Política

Capitania hereditária da Serra: eleição deste ano não será apenas local

O povo da Serra quer entregas e foco na questão da sensação de insegurança. E os candidatos a prefeito de lá vão ter também uma preliminar da sucessão do governador Casagrande. Eleições “sui generis”

Publicado em 04 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 jul 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Prefeitura da Serra vai contratar professores efetivos e temporários
Prefeitura da Serra: jogo político pela disputa do comando da cidade já está posto Crédito: Guilherme Ferrari / Arquivo
A Serra ainda é reduto de oligarquias políticas. A antiga “cidade do abacaxi”, com dinastias familiares que se alternavam no poder, tornou-se uma cidade industrial, urbanizou-se, atraiu muita gente de fora e mudou o perfil da sua população. A partir dos anos 1970, virou, politicamente, uma espécie de capitania hereditária.
É o município da Grande Vitória com menor alternância de poder. De 1976 a 2020, apenas quatro políticos governaram o município. Quase meio século. José Maria Feu Rosa (PTB) e João Baptista Motta (PSDB) se revezaram até 1996. Sérgio Vidigal (PDT) e Audifax Barcelos (Rede) se revezam até hoje. Vidigal já esteve sete vezes na cédula eleitoral. Audifax já esteve quatro vezes.
Político obstinado e pragmático, e bom gestor, Audifax quer fazer o sucessor. Mesmo com a penúria dos municípios, ele aumentou a arrecadação e faz entregas. Ele quer, também, ser candidato a governador em 2022, se possível articulado com o ex-governador Paulo Hartung. Isto significa que a eleição da Serra deste ano não será apenas “local”. Terá repercussões na sucessão da Mesa da Assembleia Legislativa, em 2021, dada a presença de Amaro Neto (Republicano) no processo sucessório. E terá repercussões na sucessão de 2022.
Há quem diga que Vidigal estaria “sem brilho nos olhos” para ser candidato. Entretanto, apesar da fadiga de material, ele é protagonista nestas eleições. Se Amaro Neto, o outro protagonista, não for candidato, Vidigal poderia até ganhar no primeiro turno. Ou pode ir para um segundo turno com o próprio Amaro. Este, por sua vez, poderia vestir o perfil do novo na política local, uma espécie de “forasteiro que veio para quebrar o rodízio dos coronéis”. Mas ele terá que mostrar que conhece os problemas da cidade.
A preços de hoje, Vandinho Leite (PSDB), Bruno Lamas (PSB) e Fábio Duarte (Rede) seriam coadjuvantes. Com apoio de Audifax, Fábio Duarte pode tornar-se competitivo. O eleitorado da Serra tem grande peso das classes C , D, e E, onde Vidigal está bem. Mais de 50% dos eleitores não expressam orientações de direita, centro ou esquerda. Esta massa de eleitores não está nem aí para ideologia. Ela quer boa gestão, com soluções e entregas. Um perfil de direita capta 21%, de esquerda 16% e de centro apenas 8%.
O povo da Serra quer entregas e foco na questão da sensação de insegurança. E os candidatos a prefeito de lá vão ter também uma preliminar da sucessão do governador Casagrande. Eleições “sui generis”.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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