Politicamente, Colatina está em modo espera. O
prefeito Meneguelli ainda não decidiu se vai ser candidato à reeleição. Este não é um fato trivial. A sua eleição e a sua gestão representam um marco político. E as suas ações estão deixando uma nova marca. Resta saber se a marca será fugaz: gestão comunitária, com realização de mutirões, com uma forte presença nas redes sociais.
Guardadas as diferenças de contexto histórico, ele é o Amaro Covre (Boa Esperança-ES) e Dirceu Carneiro (Lages-SC) do século XXI. Uma “persona” simbólica da chamada nova política: austeridade; despojamento; comunicação e diálogo permanentes com a sociedade. Ele se afastou das famílias e lideranças tradicionais e conversa pouco com políticos. Dialoga com o povo e mostra uma passagem para a nova política. Tem perfil de centro direita e sintonia com o imaginário conservador da cidade. Ao mesmo tempo, avança com pautas modernas de gestão e de prática política.
Se for candidato, deverá ser o favorito. Mas haverá disputa. A cidade se movimenta em torno de outros três conjuntos de forças e articulações de alianças. Um que gravita em torno das lideranças de Paulo Foletto; Josias da Vitoria; e Renzo Vasconcelos. É ligado ao governador Renato Casagrande. Não definiu pré-candidatura. Pode ser a do próprio Renzo (PP). Outro conjunto gravita em torno do ex-prefeito Guerino Balestrassi. Avalia a pré-candidatura de Sebastião Demuner (PSD). E há o conjunto articulado por Carlos Manato, que procura agregar forças de direita e avalia a pré-candidatura de Luciano Merlo (Patriota).
Há uma miríade de pelo menos nove pré-candidaturas. Dispersão partidária e fragmentação política. O “X” do problema, atualmente, é saber se o prefeito será candidato. Dizem observadores locais que ele avalia também uma eventual candidatura ao Senado em 2022. Neste caso, poderia ter que disputar com o ex-governador Paulo Hartung.
Com imaginário conservador, Colatina ainda é um polo, mas perdeu protagonismo no concerto dos municípios. Uma liderança forte, com raiz na sociedade local, poderia buscar maior interlocução com os governos estadual e federal e com investidores. Meneguelli lidera a cidade, mas é isolado na articulação política “para fora”. Com seu perfil de político europeu, que vai trabalhar de bicicleta, ele precisaria ampliar os horizontes e agregar quadros técnicos.
Em 1956, na gestão Raul Giuberti, Colatina recebeu diploma do presidente Juscelino Kubitscheck, por ter ficado entre os cinco municípios mais desenvolvidos do país, escolhido entre 150 concorrentes pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM). Era o auge da economia do café. Poderá recuperar terreno?
É bom as elites políticas prestarem mais atenção em Sérgio Meneguelli. Um fenômeno nas redes sociais.