Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sistema político

Cresce na sociedade brasileira a defesa de reformas políticas

A própria dinâmica de alguns dos principais problemas e contradições do Brasil contém paradoxos que já estão impulsionando a visão da necessidade de reformas políticas

Publicado em 16 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

16 abr 2022 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

É notório o crescimento da visão da necessidade de reformas políticas no Brasil. Principalmente nas classes médias. Outro dia, recebi e-mail de uma leitora atenta aos problemas da política nacional. Ela defende uma “reforma política profunda”. Marco Maciel já defendia que a reforma política é “a mãe de todas as reformas”. Neste momento histórico que vive o Brasil, é bom ver que esse entendimento pode voltar ao debate político-eleitoral.
Defendo as reformas políticas, recorrentemente, desde a Constituição de 1988. Entendo a importância das instituições no processo de desenvolvimento dos países. A partir dessa visão institucional, na economia e na política, entendo que as instituições democráticas precisam ser vistas como um conjunto, e não isoladamente.
O regime de governo (presidencialismo ou parlamentarismo); a forma de Estado (federal ou unitário); o sistema eleitoral (proporcional ou majoritário); o sistema de partidos (bipartidário ou pluripartidário); a configuração do parlamento (unicameral ou bicameral); o funcionamento da justiça eleitoral; e a relação com o Banco Central conformam instituições democráticas relevantes e entrelaçadas. Umas afetam as outras.
Por isso, as reformas políticas não podem se resumir ao fim das coligações nas eleições proporcionais; ao estabelecimento da cláusula de barreira; à autonomia do Banco Central; e à modernização da justiça eleitoral - reformas necessárias, mas não suficientes. É necessário votar no Congresso o sistema eleitoral distrital misto, que reduz o número de partidos e melhora a relação entre eleitores e eleitos. É necessário, também, votar o semipresidencialismo, para vigorar a partir de 2026.
Ainda, é fundamental renegociar o pacto federativo e a legislação partidária. É bom ver que esta agenda está sendo defendida por parcelas mais amplas da sociedade, deixando de ser apenas um “debate acadêmico” ou uma tertúlia entre políticos.
A própria dinâmica de alguns dos principais problemas e contradições do Brasil contém paradoxos que já estão impulsionando esta visão da necessidade de reformas políticas.
Para início de conversa, o paradoxo do nosso presidencialismo-parlamentarista está desconstruindo o nosso sistema político a partir dos seus próprios vírus. E colocando, reiteradamente, o processo político brasileiro no limiar do limite, na fronteira da ingovernabilidade e da crise de legitimidade. O crescente debate sobre o semipresidencialismo vem dessa constatação.
Já na esfera do paradoxo fiscal brasileiro – formado pelo círculo mais democracia-mais demandas por serviços públicos sobre o Estado-mais carga tributária-menos investimentos -, tudo indica que se formou uma consciência da necessidade de ajustes regulares no sistema da Previdência, bem como da necessidade das reformas administrativa tributária.
Depois, na esfera da gestão pública, há o paradoxo das competências concorrentes entre os três níveis de gestão pública (federal, estadual, municipal). Esta superposição entre os três níveis de governo leva ao desperdício, à ineficácia e à impossibilidade de definir quem é responsável por qual serviço. O que compromete o papel maior da Política, o de articulação e agregação de interesses. Além de causar problemas nas áreas de segurança e saúde, por exemplo.
O paradoxo das competências concorrentes está levando à colocação do tema do federalismo no topo da agenda dos próximos anos. Agora, na direção do retorno à descentralização, na melhor tradição das sístoles e diástoles do pêndulo político brasileiro. A gestão da pandemia da Covid-19 mostrou a efetividade da descentralização na gestão pública.
É provável que essas questões cruciais entrem na agenda eleitoral de 2022. São imperativos da realidade brasileira, com seus paradoxos e contradições, que estão chegando ao limite da regressão civilizatória, da estagnação econômica, e da política do jogo de soma-zero.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Ataque a tiros em pirâmides do México deixa turista morta e várias pessoas feridas
Imagem BBC Brasil
Governo Trump manda delegado da PF que ajudou ICE a prender Ramagem deixar os EUA
Agência do Banco do Brasil em Baixo Guandu voltou a funcionar normalmente
Agência do Banco do Brasil volta a funcionar e não vai fechar em Baixo Guandu

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados