Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Eleitorado

Eleições 2022: caminhos e descaminhos da terceira via na corrida presidencial

Muita água, é claro, ainda vai passar debaixo da ponte. Começando pela tendência à diminuição do franco favoritismo de Lula, na medida em que ele se exponha mais à artilharia de Bolsonaro e da terceira via

Publicado em 26 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

26 fev 2022 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Novas urnas eletrônicas são apresentadas
Novas urnas eletrônicas são apresentadas ao público Crédito: Abdias Pinheiro/SECOM/TSE
Chegaremos às águas de março com a percepção de que o presidente Bolsonaro parou de cair nas pesquisas e que isso torna ainda mais difícil a vida da chamada terceira via. Não só porque ela está fragmentada, ou porque falta um nome para ela aumentar as suas chances. Hoje, falta espaço político-eleitoral para ela, como bem resumiu Christopher Garman.
Lula e Bolsonaro, juntos, somam uma base fiel de 60% a 70% do eleitorado. Sobra pouco para o fortalecimento de uma terceira candidatura, avalia Garman. As pesquisas, nas menções espontâneas, mostram que 30% do eleitorado não quer nem Lula nem Bolsonaro. Isso não quer dizer que esse eleitorado iria todo para a terceira via. No meio desses 30%, estão também os eleitores que aumentaram a rejeição à política e aos políticos e tendem à alienação eleitoral (abstenções + brancos + nulos). Em 2018, nas eleições presidenciais, essa alienação chegou a 30%.
Assim, para Garman, baseado nas análises recentes da consultoria “Eurasia Group”, da qual é diretor, “o que a terceira via realmente precisa é algo para enfraquecer Jair Bolsonaro, não um novo nome” – como seria, por exemplo, a eventual candidatura de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Há duas semanas, a Eurasia divulgou um relatório analítico sobre as eleições brasileiras.
Nesse relatório, ela utiliza sofisticados modelos de análise, para além das pesquisas de intenção de votos, e crava uma previsão: Lula teria 70% de chances de ganhar; Bolsonaro teria 20%; e um candidato da terceira via teria 10%. Com maior probabilidade das eleições irem para um segundo turno. É por isso que Garman avalia que, hoje, as chances da terceira via crescer e chegar a um segundo turno passariam pelo enfraquecimento de Bolsonaro. No primeiro turno, a terceira via teria que chegar ao patamar mínimo de 18% de intenções de voto, para tornar-se competitiva.
Muita água, é claro, ainda vai passar debaixo da ponte. Começando pela tendência à diminuição do franco favoritismo de Lula, na medida em que ele se exponha mais à artilharia de Bolsonaro e da terceira via. Para a Eurasia, nos próximos seis meses, quatro variáveis vão interferir no sobe-desce das intenções e decisões de votos: (1) a influência da inflação na renda disponível das pessoas e o impacto dessa influência na taxa de aprovação de Bolsonaro; (2) as variações nas prioridades dos eleitores (economia/desemprego; pandemia/saúde; pobreza/assistência social; e corrupção), especialmente a questão da corrupção; (3) o comportamento da pandemia; e (4) o comportamento do voto útil nas últimas semanas.
Hoje, o favoritismo de Lula vem da predominância das demandas pelas questões sociais e econômicas (48%) e da questão da saúde/pandemia (27%). A questão da corrupção está na faixa dos 11%. Tudo isso, e mais o crescimento do apoio ao PT, aponta para a virtual ida de Lula para um segundo turno. Quem vai com ele?
Bolsonaro parou de cair e mantém a sua cidadela de 20/25% das preferências dos eleitores. Resta observar se nos próximos seis meses a terceira via vai conseguir sintonia com as demandas do eleitorado, para além dos anseios da classe média por uma terceira via.
Não é mais a classe média quem decide as eleições presidenciais no Brasil. Seja porque ela diminuiu de tamanho, com o empobrecimento da população, seja porque ela perdeu relevância política para influenciar decisões de voto, com o crescimento das redes sociais.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Liga Ouro de basquete 2026: Joaçaba elimina Cetaf
Cetaf perde Jogo 3 e é eliminado da Liga Ouro de basquete
Imagem de destaque
A revolta com soldado de Israel que vandalizou estátua de Jesus no Líbano
Imagem de destaque
Ataque a tiros em pirâmides do México deixa turista morta e várias pessoas feridas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados