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Política

Eleições 2024: quais são as tendências e a agenda oculta das urnas no ES

No Espírito Santo, intuo que as eleições não serão polarizadas. Podem ter tentativas aqui e ali de polarização, via redes sociais, mas essas não serão as razões predominantes de votos. Os eleitores estão cansados desse Fla x Flu

Publicado em 13 de Abril de 2024 às 01:45

Públicado em 

13 abr 2024 às 01:45
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

No Espírito Santo, a agenda oculta das eleições municipais de 2024 é a disputa antecipada das eleições de 2026. Está em curso uma espécie de gincana em 2024 para ver quem terá maior chance em 2026.
A ordem do dia é formar boas chapas para vereadores e fazer boas alianças para as eleições de prefeitos. No final, a gincana vai resultar numa “contabilidade” de número de vereadores e prefeitos. Simples assim? Não. É mais complexo.
A consolidação de uma partidocracia no Brasil enriqueceu os partidos, com fundo partidário e fundo eleitoral milionários. Ao mesmo tempo, conferiu poder econômico e político aos dirigentes partidários: a perpetuação das oligarquias partidárias. Partidos, agora, têm CEOs.
Essas oligarquias buscam renovar seus poderes e manter e renovar seus mandatos nas máquinas partidárias e nos parlamentos e governos. Vereadores e prefeitos são, mais que antes, bases políticas para reeleição de deputados, senadores e governadores.
O foco principal é a eleição de deputados federais. Quanto mais deputados, mais fundo partidário, mais fundo eleitoral. O círculo se retroalimenta.
Tudo bem. Mas, como diria Garrincha, tem que combinar com o beque, no caso Sua Excelência, o Eleitor. Vem daí a pergunta chave: quais deverão ser as moedas de votos e as razões de votos agora em 2024?
No Espírito Santo, intuo que as eleições não serão polarizadas. Podem ter tentativas aqui e ali de polarização, via redes sociais, mas essas não serão as razões predominantes de votos. Os eleitores estão cansados desse Fla x Flu. Não os levou a lugar nenhum.
Urna eletrônica, eleição, marketing político
Urna eletrônica, eleição, marketing político Crédito: Shutterstock
Por isso, agora ele que saber de eleger bons gestores nas prefeituras e bons vereadores voltados para as demandas dos seus bairros e vizinhanças. Essas deverão ser as principais razões de votos. Menos circo. Mais pão. Eleições pé no chão. Pão com manteiga.
Nesse contexto, o poder incumbente (prefeito) que realiza gestão bem avaliada terá mais chance de reeleição. Eleições do poder incumbente. Onde não tiver reeleição, nas cidades com menos de 200 mil eleitores, valerá também o olhar para a gestão como razão de voto.
E as moedas? O foco nas redes sociais é importante, mas não deverá ser predominante. Os vizinhos, a família, os amigos e as comunidades locais – e as lideranças locais de bairros – serão importantes. Onde houver debate na TV, pode ajudar na decisão de dúvidas finais. Se o candidato “X” mostrar despreparo no debate, será fatal.
O apoio de lideranças políticas, sociais e religiosas, em municípios menores, é importante. Mas não decisivo. Bem avaliado, o governador Renato Casagrande é um cabo eleitoral relevante.
Tudo somado, a velha prática de gastar sola de sapato volta a ser importante. A velha prática da simpatia e empatia dos candidatos nos bairros e vizinhanças.
Questões específicas, tipo feijão com arroz, serão importantes. O calçamento, o asfalto, o esgoto, a água, a luz, a mobilidade, o posto de saúde. Com a proliferação do ódio e do armamento, a segurança também compõe as razões de voto. A sensação de insegurança.
E a resultante final das eleições? Essa é a agenda oculta. A transição política estadual está em curso. O fato de o governador Casagrande não poder mais se reeleger abre caminho para novos candidatos. São muitos os postulantes. Sendo o vice-governador Ricardo Ferraço o candidato natural.
Em 2026, o pacto de poder resultante vai enfrentar um grande desafio. Trata-se de adequar o perfil da economia capixaba aos efeitos da nova reforma tributária. O que significa estimular o consumo, conferindo protagonismo ao setor serviços, principalmente turismo e logística.
Foi dada a largada para a transição.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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