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Segundo turno

Eleições no ES: tensões políticas nas joias da coroa

Candidatos a prefeito de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica disputarão o segundo turno no dia 29 de novembro, com novidades e sinais de tensões

Publicado em 21 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

21 nov 2020 às 04:00
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Urna - confirma
Urnas: eleições foram mornas em 2020 Crédito: Carlos Alberto Silva
Placas tectônicas estão dando avisos. Os eleitores de VitóriaVila VelhaSerra e Cariacica levaram as eleições para o segundo turno. Com sinais de tensões e novidades políticas nestas joias da coroa. Inflexões poderão modificar o xadrez político estadual.
Foram eleições mornas e de alta alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções). A maior alienação dos últimos 20 anos. No país, em 483 municípios a alienação superou a votação do primeiro colocado. No Espírito Santo, isto ocorreu em 16 municípios. Este fato tem significado simbólico: o cansaço do eleitor com a mesmice política e a fadiga de material de velhas lideranças.
Aqui, o fenômeno da fadiga perpassa as eleições nos quatro municípios. Sinaliza um movimento de placas tectônicas em busca da renovação. Sem o mantra espalhafatoso da antipolítica e da “nova política”. Meio que silencioso, mas efetivo. Aquele mantra provou ser mais uma onda de marketing do que uma atitude consequente. Agora, parece haver uma busca consistente por experiência, renovação e moderação.
Em Vila Velha, há o exemplo mais simbólico. Na reta de chegada, a onda da pretensa “zoeira” de Arnaldinho Borgo (Podemos) derrubou o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) e superou o prefeito Max Filho (PSDB). Sem padrinhos políticos, Borgo terminou em primeiro lugar e agora vai continuar desafiando o cacique Max Filho. Ele aponta a fadiga de material das oligarquias locais. Simples assim. A onda está crescendo. Já é um fenômeno político. Max Filho reage, pois eleições não se ganha de véspera.
Em Vitória, o outro fenômeno político é Lorenzo Pazolini (Republicanos). Desafiou e venceu Gandini (Cidadania), o candidato do prefeito Luciano Rezende, também vítima de fadiga de material. Sem padrinhos, Pazolini entrou no segundo turno reafirmando que é independente e que vai continuar a disputa sem padrinhos. Acossado pela ascensão de forte onda antibolsonarista, reage ao rótulo de Bolsonarista. E enfrenta uma disputa com o renascimento da militância do PT na Capital. A onda Pazolini está crescendo, pela forte rejeição ao PT. Arena para fortes emoções. O PT mostrou que é bom de chegada. A conferir.
Na SerraSérgio Vidigal (PDT) perdeu fôlego na reta final e está disputando com Fábio Duarte (Rede), o candidato do prefeito Audifax Barcelos (Rede). A duração do segundo turno é muito curta e vai ser difícil, embora não impossível, Fábio Duarte vencer. Lá, também, é patente a fadiga de material. Ironicamente, ela atinge Vidigal e Duarte. Já em Cariacica, a fadiga de material trouxe pulverização de candidaturas e votos e forçou a entrada de “padrinhos” na disputa: Marcelo Santos (Podemos) apóia Euclério Sampaio (DEM) e Helder Salomão (PT) apóia Célia Tavares. Resultado imprevisível e provável alienação eleitoral alta.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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