Temos sinais positivos de mudanças de paradigmas em inovação nas gestões do governo do
Espírito Santo e do governo local de
Vitória. Andei conversando esta semana com empreendedores, professores e lideranças das áreas de inovação, ciência e tecnologia e desenvolvimento no Estado. Captei expectativas positivas. Todos vislumbram a possibilidade de uma nova institucionalidade e o embrião de um novo consenso em torno da direção do desenvolvimento.
No
governo estadual, o governador
Renato Casagrande promoveu a fusão da secretarias de Desenvolvimento e Ciência e Tecnologia. Sinaliza a busca de novo paradigma na gestão da área: inovação e desenvolvimento. Em Vitória, as lideranças enxergam sinais do prefeito
Lorenzo Pazolini de repaginação das políticas e ações de inovação e desenvolvimento. Com novo papel institucional para a CDV (Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória). Outra vez: inovação e desenvolvimento.
Agora, passada a fase da primeira impressão das lideranças da área, a expectativa é a de que o novo paradigma venha a ganhar tração e institucionalidade, para gerar convergências e mudanças. Olhando em perspectiva, Roberto Simões avalia que as iniciativas de inovação no Estado tiveram pouca interação com o tecido econômico local e foram iniciativas isoladas, de pessoas isoladas ou instituições e/ou empresas isoladas.
“Não se criou uma institucionalidade que articule e catalise pontos de convergência”, diz ele. E ainda: “Agora, é preciso gerar tração, institucionalidade e transversalidade, para além da singela polissemia na visão do que significa inovar”.
Também olhando em perspectiva, Alvaro Abreu lembra que Vitória foi a primeira cidade do
Brasil e do mundo a ter um Fundo de Ciência & Tecnologia, em 1991, na gestão de Vitor Buaiz. Entretanto, ele diz que “faltou continuidade para levar adiante a ideia, o que é um contrassenso, pois a economia local não produz nada aqui e tem vantagens locacionais comparativas para ser um polo de ciência, tecnologia e inovação”.
Ao longo dos anos, o Fundo financiou projetos isolados e gerou a Incubadora TecVitória e um projeto embrião de Parque Tecnológico. Mas foram projetos intermitentes. “Perdemos o bonde para Santa Catarina e Recife, por falta de uma visão política de ciência e tecnologia”, afirma Alvaro. Para ele, ainda há tempo. A Incubadora TecVitória está viva e Vitória já entende a importância do empreendedorismo, com ambiente para empresas de base tecnológica.
Alvaro também vislumbra sinais de mudanças na nova gestão municipal e nas recentes iniciativas do governo Casagrande, que podem gerar tração e convergência: “A economia de Vitória ganharia outro patamar e capacidade de atração de recursos e investimentos”, diz.
A convergência e a institucionalidade precisam de quê? Ele vaticina: “De poder de pauta; poder de convocar pessoas; poder de conexão de interesses; e poder de demanda”.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta