Horizontes no ES até 2035: o sarrafo de exigências aumentou
ES 500 Anos
Horizontes no ES até 2035: o sarrafo de exigências aumentou
O governo estadual entrará em 2027 com o desafio de aprofundar o diálogo e parceria com os municípios/cidades. Lembrando a máxima segundo a qual “o povo vive nas cidades e não no Estado ou no país”
Ela incorpora o avanço da governança e governabilidade no Espírito Santo, consolidado nos últimos 24 anos.
Primeiro, o longo processo de plantar e colher políticas de Estado, e não de governo. O desenho e implementação dinâmica de políticas públicas com o “ethos” da continuidade e foco em resultados e aprimoramento constante.
Segundo, a abordagem institucional de equilíbrio entre os Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — e o avanço do diálogo contínuo com a sociedade civil.
Tudo que está transformando o Espírito Santo em “estado que deu certo”.
O desenho do ES 500 anos é engenhoso e contemporâneo. A ideia central de “Missões” envelopadas em políticas públicas verticais e transversais com foco em entregas. E com monitoramento de governança bipartiste entre governo/estado e sociedade civil.
Agora, entretanto, o sarrafo de exigências aumentou, em função das movimentações das conjunturas locais, regionais, nacionais e internacionais.
O desafio continua e aumentou. Vem daí que o marco conceitual do ES 500 poderia adicionar/aprofundar duas abordagens conceituais propostas recentemente por Mariana Mazzucato e Rainer Kattel.
Mazucatto, como se sabe, é a mesma formuladora que desenvolveu o conceito de missões aplicado às políticas públicas.
Com a sua já proverbial inquietude intelectual e compromisso com as boas práticas de implementação de políticas públicas inovadoras – aqui e acolá – ela defende, com Kattel, duas ideias que se agregam ao conceito de missões.
Primeiro, a necessidade de inovar as burocracias públicas, em processo de transformação de cultura e mentalidade.
Mudar a burocracia por dentro com equipes digitais e equipes multidisciplinares. Mudando da lógica da hierarquia vertical e da busca da ascensão de carreira para a lógica do empreendedorismo transversal.
Onde criar valor passa a ser o objetivo final das políticas públicas.
Diz ela que “é preciso reimaginar o mecanismo político e institucional” do processo de formulação e implementação de políticas públicas, em novo terreno de busca de legitimidade política. Com musculatura organizacional voltada para resultados, com burocracias criativas e ágeis em permanente diálogo com os cidadãos receptores dos serviços públicos.
Além da lógica empreendedora e geradora de valor, o foco central do destino e movimentação das políticas públicas deve ser a cidade, o poder local, o “locus” da vida real.
O Espírito Santo teve avanços nessa direção, mas precisa ajustar o foco. É nas configurações locais que a legitimidade está enraizada, diz ela. É “nas cidades que a governança inclusiva faz a diferença”: elaborar políticas locais para ter resultados ágeis e perceptíveis pelos cidadãos.
Tudo somado, o governo estadual entrará em 2027 com o desafio de aprofundar o diálogo e parceria com os municípios/cidades. Lembrando a máxima segundo a qual “o povo vive nas cidades e não no Estado ou no país”.
Palácio Anchieta, sede do governo estadualCrédito: Ricardo Medeiros
E, além disso, de promover um processo gradual para mudar a cultura e o cotidiano da máquina pública.
O que significa repaginar as exigências de habilidade e atitude em concurso; criar a possibilidade de adoção de CLT e de trabalho intermitente no serviço público; intensificar os projetos de especialização contínua já existentes; e ampliar o escopo da lógica do governo digital.
Tudo isso requer um processo gradual de modernização do RH e de construção de novo formato organizacional, através de reformas administrativas graduais e contínuas, no horizonte de 2035.
Temas para os debates incontornáveis que advirão das eleições de 2026.
A busca de gestão mais moderna e focada em nova legitimidade e novo compromisso com a geração de valor e bem-estar.
Antônio Carlos de Medeiros
E pos-doutor em Ciencia Politica pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaco, aos sabados, traz reflexoes sobre a politica e a economia e aponta os possiveis caminhos para avancos possiveis nessas areas