Luiz Paulo: para além da polarização, um projeto político para Vitória
Política
Luiz Paulo: para além da polarização, um projeto político para Vitória
Avançar nas ações para que Vitória deixe de ser uma Ilha de costas para o mar. Nesta direção, Luciano Rezende formulou o projeto Orla Noroeste. E Lorenzo Pazolini agora coloca o projeto em execução e o amplia. Luiz Paulo pretende ir além
Primeiro o projeto, depois uma candidatura. “Nem sequer sei se serei eu o candidato, não está batido o martelo, é uma construção”. Com uma diferença em relação a 2020, quando ele acabou deixando a disputa eleitoral. “Desta vez, o PSDB está pacificado, com acordo político e consenso”. E acrescenta: “Ricardo Ferraço é meu padrinho e Felipe Rigoni se alia a mim na construção do projeto”.
De posse de uma delegação política consensual do seu partido para liderar essa construção, Luiz Paulo mira primeiro a fase de gastar sola de sapato para levar o debate do projeto à sociedade e ao mercado. Primeiro o projeto e a chapa de vereadores, diz ele. Federado com o Cidadania.
O contorno do programa de governo já foi adiantando por ele a Letícia Gonçalves. Prioridade ao Centro histórico (e outras centralidades) e ao chamado “water front”, inspirado pela experiência da Cidade do Cabo, na África do Sul.
Mas o busílis do projeto de uma candidatura é outro. Luiz Paulo é um animal político. E crava: “a construção passa pelo diálogo com as forças políticas, para articular um projeto transformador de governo e dar um choque de liderança na cidade”. Sem arrogância, diz ele. “Choque de liderança, urbanismo e governabilidade”.
E aí vem um componente central do projeto da candidatura. Para ele, a eleição da Capital é peça essencial da política estadual: “Tem efeito nas eleições de 2026 e o meu trabalho está focado na cidade e no Estado”. Vitória é para Luiz Paulo a “locomotiva de um projeto reformista transformador no Estado”. Vinculado, já na partida, ao PSDB, ao Cidadania e à novas lideranças. “Disputar, marcar posição e criar alianças”.
Indaguei se o projeto inclui a pavimentação da candidatura de Ricardo Ferraço a governador em 2026. Hábil, ele tergiversa. Diz que é cedo e que Ricardo não está se colocando como candidato. Mas fica a mensagem subliminar.
Hábil, outra vez, ele diz que a eventual candidatura “não é contra ninguém”. Percebe que a sucessão de Vitória não deverá ser permeada pela mesma polarização de 2020. “Sou a favor da cidade”, diz. E arremata que enxerga como inepta a opção por rótulos ideológicos.
Antecipa-se, assim, ao fato de que a estrada da sucessão na capital poderá ficar superpovoada. Levar a disputa para um Fla-Flu não será inteligente e em sintonia com o eleitor da Ilha. Para ele, Vitória quer liderança e gestão.
Luiz Paulo Vellozo LucasCrédito: Tonico/Ales/Arquivo
Luiz Paulo botou o bloco na rua. Tyago Hoffmann (PSB) também. João Coser (PT) está a caminho. Outros, como o deputado estadual Assumção (PL), poderão entrar. E o prefeito Pazolini (Republicanos), tudo indica, será candidato à reeleição.
Eleições com jeito de segundo turno. Alianças virão por gravidade, pois a política, como na física, precisa gerar uma resultante. Todos já admitem alianças. É natural.
Tem uma peculiaridade. Na Capital, todos já miram 2024 como preâmbulo para 2026. Com os holofotes naturais de eleições na Capital do Estado, essas candidaturas fazem parte do processo, em curso, de transição política no Espírito Santo.
Parênteses. Com um detalhe: o ex-governador Paulo Hartung (sem partido) piscou. Passou a sinalizar, em círculos fechados, que poderá ser candidato a governador em 2026. Está longe, mas está perto.
Pazolini, sendo candidato, é pole position. Mas precisa costurar alianças eleitorais, pois o seu tempo de TV é exíguo.
Sobre a pré-candidatura de Luiz Paulo, fui ouvir também formadores de opinião e gente do mercado político. Colhi impressões iniciais de ceticismo sobre a viabilidade eleitoral da candidatura.
Provoquei Luiz Paulo. Ele confia no seu recall e no seu projeto e diz que, por onde passa, as primeiras reações são positivas. “O que interessa é o eleitor”, retruca confiante. A conferir com Sua Excelência, o Eleitor.
Antônio Carlos Medeiros
É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas