Marcelo é capixaba de Cariacica, mas agiu mineiramente. Diz a lenda por lá que os mineiros só dizem o que querem quando já conseguiram. Agora em seu sexto mandato consecutivo, ele costurou por fora e conseguiu a proeza de receber o
apoio público e assertivo do governador Renato Casagrande (PSB). Político matreiro e conciliador, Casagrande não tem o feitio da mão pesada.
Marcelo afirma que é “grato ao gesto do Renato”. Ato contínuo, mostra ter consciência e noção da importância do Poder Legislativo. Como chefe de Poder, enfatiza, sem bazófia, que “não seremos pautados pelo Executivo”. Defende a ideia constitucional da independência e da harmonia. Mas “sem subserviência”.
Fui procurar saber qual é a agenda do novo presidente da Ales. De bate pronto, ele revela que vai mirar a diminuição da distância entre o cidadão, a sociedade e o Legislativo. Vai pautar-se por colocar em prática as três grandes funções dos legislativos: fiscalizar, legislar e renovar lideranças políticas. Perguntei como fazer isso na prática.
Para ele, “o verdadeiro papel da Ales é fortalecer as comissões”. O que diz já estar fazendo. Trocando em miúdos, ele quer liderar uma mudança, digamos, cultural, no perfil da atuação da Casa. Quer legislar, sim. Mas quer, sobretudo, influenciar o processo de formulação e implementação das políticas públicas estaduais. Vem daí a valorização das comissões.
Dá um exemplo prático. Diz que o governo está pautando um Refis. “Mas não é só chegar e pautar, vamos ouvir a sociedade antes de votar”. Para ele, a Ales não se pode dar o luxo de negligenciar o debate conjuntural e o debate estrutural. Isto é, é preciso, para ele, se pronunciar sobre o
adolescente que foi alvejado outro dia. É preciso, também, ter diálogo permanente com o setor produtivo.
Neste momento, ao se referir ao setor produtivo, Marcelo diz que o Legislativo precisa contribuir com a renovação do perfil econômico do Estado, não apenas legislando, mas também formulando e articulando. “É preciso descentralizar os investimentos e olhar mais para o Sul do estado”. Além disso, afirma que vai abrir diálogo com a Petrobras, com a Vale e com as grandes empresas. Buscar delas “mais compromisso com o Espírito Santo”.
Nesta mesma toada, ele anuncia que vai pautar o pacto federativo e buscar mais compromissos do governo federal com o Estado, em aliança com o
governador Casagrande. Na mesma direção do pacto federativo, vai procurar o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP), e articular um Fórum de Presidentes das Assembleias. Para ele, a Constituição de 1988 diminuiu a importância federativa das assembleias estaduais. “Vou fazer diplomacia federativa”.
Provoquei Marcelo Santos. Disse a ele que o mercado político avalia que ele bateu no teto em sua carreira política. Ele encarou o desafio. Repetiu que não será mais deputado estadual em 2026, mirando uma candidatura a deputado federal. Enxerga que, hoje, “há no Espírito Santo uma ampla avenida política”.
Nessa direção, vai buscar protagonismo político nas eleições municipais do ano que vem. Enxerga que, como há uma avenida política ampla, as eleições municipais de 2024 serão “molas propulsoras para 2026”.
Matreiramente (mais uma vez), conclui: “Vou mudar de estatura e patamar”.