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Meio ambiente

A ciência a serviço da valorização da diversidade socioambiental no ES

Com graus diferentes de participação, a lista atualizada de espécies da fauna e flora que correm perigo de extinção no Espírito Santo é assinada por 310 autores, de 108 instituições

Publicado em 09 de Janeiro de 2025 às 00:00

Públicado em 

09 jan 2025 às 00:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Organizado por Claudio Nicoletti de Fraga, Mileide de Holanda Formigoni e Flávia Guimarães Chaves e publicado em 2019 pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica, "Fauna e flora ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo" é trabalho científico que deve servir de alerta para quem ainda pensa em fazer concessão de Unidades de Conservação (UCs) no Espírito Santo.
Resulta de esforço para atualizar lista de espécies ameaçadas em solo capixaba reconhecida por decreto do governo estadual em 2005. Atualização objeto de financiamento pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) aprovado em 2017.
Para além da atualização de espécies ameaçadas, o trabalho publicado é obra que vai mais longe do que a simples apresentação de informações importantes para a proteção da biodiversidade capixaba. Ele se propõe a encantar pessoas, principalmente aquelas que desconhecem as belezas das paisagens, dos animais e das plantas no Espírito Santo.
Encantar pessoas e instruir a sensibilização da sociedade e decisões necessárias pelo governo capixaba sobre a importância de áreas protegidas no Espírito Santo, fundamentais na diminuição dos impactos que afetam o conjunto de seres vivos no solo capixaba.
Com graus diferentes de participação, a lista atualizada de espécies da fauna e flora que correm perigo de extinção no Espírito Santo é assinada por 310 autores, de 108 instituições. O trabalho é rico em imagens das espécies objeto da obra, o que seduz quem a consulta por conta das belezas naturais e da biodiversidade singulares presentes no território capixaba.
Nele é destacada a importância das UCs enquanto espaços territoriais protegidos, envolvendo seus recursos ambientais e águas jurisdicionais, com características naturais relevantes e objetivos de conservação. Entre esses, destaca a manutenção da biodiversidade; a proteção de paisagens e características relevantes de natureza geológica; e a proteção do patrimônio cultural e dos recursos naturais necessários à vida de populações tradicionais. Ou seja, explicita o quanto as UCs são fundamentais para a sustentabilidade socioambiental.
Por isso, nele é destacada, entre outras medidas por parte do governo estadual: a necessidade de priorizar processos de criação de novas UCs em áreas prioritárias já identificadas; fortalecer a participação da sociedade no processo de conservação, da gestão participativa de UCs e da criação de Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs); dotar as UCs de recursos humanos financeiros suficientes para sua adequada gestão e manejo; fortalecer a atividade de fiscalização nas UCs recuperando a atuação do guarda-parque como elemento fundamental para sua proteção; capacitar e incentivar gestores municipais para atuarem na criação e gestão de UCs.
Ou seja, resultado da aplicação de recursos financeiros do governo estadual; da competência científica de pesquisadores reconhecidos; da experiência técnica e gerencial acumulada no Iema; e da participação cidadã, o trabalho já em 2019 servia como importante instrumento de política pública na área socioambiental.
Instrumento de política pública que podia ter sido utilizado pelo engenheiro agrônomo Renato Casagrande desde o seu segundo mandato à frente do Executivo. Para além de sua formação na reconhecida internacionalmente Universidade Federal de Viçosa, o governador Casagrande teve oportunidades ímpares em sua trajetória política de aprofundar seu entendimento sobre a emergência climática e a gravidade da questão socioambiental no mundo, no Brasil e no Espírito Santo.
Lagoa de Caraís no Parque Estadual Paulo César VInha
Lagoa de Caraís no Parque Estadual Paulo César Vinha Crédito: Vitor Jubini
Por isso, dele pode-se esperar condução da questão das UCs capixabas bem distinta da proposta de concessão delas à iniciativa privada. Para tanto, ele pode contar com conhecimentos científicos acumulados em diversas instituições de pesquisa no Estado; com capacidade técnica-gerencial na estrutura do governo estadual; com recursos financeiros suficientes no erário estadual. E mais, com uma rica disponibilidade da sociedade civil para se engajar em projetos portadores de futuro como os de ampliação do papel das UCs na valorização do patrimônio socioambiental no Espírito Santo.
Conservar e valorizar o patrimônio socioambiental que compõe as UCs é proposta do passado que precisa ser fortalecida no presente para que se torne legado no futuro. Futuro para quem hoje se encanta com praças iluminadas nos fins de ano e para quem se deve proteger espécies em risco de extinção e a rica formação socioambiental contida em cada uma das UCs capixabas.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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