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Arlindo Villaschi

Angela Morandi deixa legado incomparável na educação e economia do ES

Professoras como Angela sempre estiveram e estarão em escassez. Sua falta será sentida na Ufes e em outros espaços

Publicado em 27 de Setembro de 2019 às 13:19

Públicado em 

27 set 2019 às 13:19
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Ângela Morandi morreu na madrugada de sábado, dia 14 Crédito: Reprodução | Facebook
Angela Morandi fez parte de estudantes que entraram na Ufes no pós-milagre econômico alardeado pelo regime militar e contestado por economistas que criticavam o modelo perverso de fazer crescer o bolo para depois dividi-lo. A crítica inspirou Edmar Bacha na fábula “Belíndia”, um país dividido entre os que moravam em condições similares às da Bélgica e aqueles que tinham o padrão de vida dos pobres da Índia.
Graduada em Economia, ela foi se especializar na UFPE. Ao retornar, começou sua admirável carreira como professora na Ufes ao mesmo tempo em que exercia sua curiosidade intelectual estudando aspectos da então defasada economia capixaba.
Com seu parceiro de magistério e de estudos, Haroldo Rocha, Angela produziu “Cafeicultura e grande indústria. A transição no Espírito Santo 1955-1985”, que inspirou muitos trabalhos sobre causas da crise do café e rumos da industrialização capixaba.
Em sua tese de doutoramento, usou a lupa do rigor científico para analisar o segmento industrial que havia se tornado em “segunda muleta” do processo de industrialização capixaba. Em “Reestruturação industrial e siderurgia: uma análise da competitividade da siderurgia – o caso da CST”, a pesquisadora Angela aponta para possibilidades do surgimento de novas empresas líderes mesmo nos chamados setores consolidados – como o a siderurgia - e em países retardatários, como o Brasil. Possibilidades a partir do desenho de políticas industriais como a que fez surgir e consolidou a CST no cenário mundial.
Reconhecida por seus trabalhos em economia, o legado maior deixado por Angela foi sua presença em sala de aula, na orientação e participação em bancas de monografia e de dissertação. Nessas instâncias, Angela era invejável.
Inveja causada a colegas pela maneira como encantava alunos para o aprender. Como os conduzia para o rigor que o trabalho acadêmico exige; como era firme e atenta para que o rigor fosse obedecido. E como exercia o poder de exigir com leveza e cumplicidade com alunos, orientandos e examinados.
Professoras como Angela sempre estiveram e estarão em escassez. No momento atual, em que a apologia à metodologia powerpoint, convicções sem provas e evidências se afirmam como armas da ignorância contra o saber construído e a construir, a falta de Angela será ainda mais sentida. Sentida na Ufes e em outros espaços por onde ela passou e encantou. Sentida por alunos que ela formou; sentida por colegas que tinham nela uma crítica atenta e aberta ao novo.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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