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Arlindo Villaschi

Equívocos da mineradora e dos poderes públicos

É equivocado poderes públicos estabelecerem acordos com a empresa que provoca tanta dor a pessoas

Publicado em 15 de Fevereiro de 2019 às 18:26

Públicado em 

15 fev 2019 às 18:26
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Contaminação dos rios por conta da tragédia de Brumadinho Crédito: Lucas Hallel/Ascom Funai
É equivocado defender a presença de grandes mineradoras em economias como a mineira e a capixaba com argumentos de empregos gerados e contribuição tributária. A participação da Vale na força de trabalho mineira e capixaba é decrescente inclusive por conta de seus processos de modernização tecnológica.
Se a preocupação é com geração de emprego/renda e arrecadação tributária, é melhor que governos estaduais e municipais pensem e operacionalizem políticas de crescimento que fomentem e incentivem micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Financiamentos, incentivos e isenções hoje concedidos à Vale podem gerar mais emprego, renda e arrecadação tributária se forem realocados para MPMEs. E sabe-se que desastres ambientais por elas causados são muito menores do que os crimes cometidos em Mariana, Brumadinho e na Grande Vitória.
É equivocado a valorização da estética de propagandas veiculadas pela Vale na mídia de mercado. O conteúdo de progresso e modernidade transmitido é falso. O que ela redescobre cada vez mais são métodos de burlar a legislação; de modifica-la para torna-la menos rigorosa; de garantir maiores ganhos financeiros a acionistas e executivos. Burlas, modificações e ganhos que resultam em desrespeito à vida humana e ao meio ambiente.
É equivocado poderes públicos estabelecerem acordos com a empresa que provoca tanta dor a pessoas e acumula passivos sócio-ambientais sem que sejam levados em conta efeitos de médio e longo prazos. Efeitos sobre a saúde de gente e outros seres viventes; sobre a biodiversidade; sobre a cultura e sobre a economia.
Acordos precisam ir muito além de indenizações por perdas imediatas – nem sempre efetivamente pagas. Precisam contemplar recursos para estudos e monitoramentos por parte de instituições de pesquisas internacionais; nacionais – como a Fiocruz e a Embrapa; e localizadas no Espírito Santo e em Minas Gerais – como suas universidades e institutos federais. Estudos e monitoramentos sem tutela por parte da empresa que provocou danos e perdas.
Superados equívocos básicos como os aqui mencionados e outros mais, é importante que a competência técnica, operacional e comercial da empresa seja direcionada para além dos interesses de lucros para seus acionistas e bônus para seus executivos. Competência a ser usada na implantação de processos produtivos que sejam sustentáveis ambiental, social e economicamente para muito além da propaganda enganosa e das ações de marketing cultural e social.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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