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Coronavírus

Mais do que nunca, viva o SUS

Desvalorizado, desconsiderado e até mesmo vilipendiado pela visão curta dos defensores de ajustes fiscais a qualquer preço, o inovador sistema de saúde brasileiro ainda assim tem sido o principal marco de resposta da sociedade aos desafios da pandemia

Publicado em 09 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

09 abr 2020 às 05:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Coronavírus tem provocado efeitos na saúde e na economia do mundo
Coronavírus tem provocado efeitos na saúde e na economia do mundo Crédito: Nikolaj Saevich
O momento de crise é sempre tempo de oportunidades. Mais do que jargão do cassino no mercado financeiro, esta é um reflexão que remonta aos gregos e que indica possibilidades de superação de transições abruptas através de ações coletivas. Essas baseadas em construções sociais que geram competências muitas vezes desconsideradas em tempos "normais" e que se tornam fundamentais nas respostas efetivas aos desafios da crise.
Desconsiderado pelo receituário neoliberal que prefere soluções de mercado, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido o principal instrumento de resposta da sociedade brasileira aos desafios decorrentes da crise estrutural provocada pela pandemia da Covid-19. Desvalorizado, desconsiderado e até mesmo vilipendiado pela visão curta dos defensores de ajustes fiscais a qualquer preço, o inovador sistema de saúde brasileiro ainda assim tem sido o principal marco de resposta da sociedade aos desafios da pandemia.
Construção histórica, o Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. Com a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema público de saúde, sem discriminação.
A atenção integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco na saúde com qualidade de vida, visando a prevenção e a promoção da saúde.
A gestão das ações e dos serviços de saúde deve ser solidária e participativa entre os três entes da federação: a União, os Estados e os municípios. A rede que compõe o SUS é ampla e abrange tanto ações quanto os serviços de saúde. Engloba a atenção primária, média e alta complexidades, os serviços urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica.
Essa caracterização geral do SUS muitas vezes passa desapercebida tanto por quem mais dele necessita quanto por aqueles que só dele dependem em situações excepcionais, como a dos dias de hoje. Menos perceptível e valorizado no debate econômico, político e social são as complexas relações entre os interesses produtivos, tecnológicos e sociais no âmbito da saúde, e que se tratadas de forma adequada podem minimizar a vulnerabilidade da política de saúde brasileira.
Vulnerabilidade que se mostra dramática diante da realidade de cada dia e que precisa ser enfrentada com humildade diante da real capacidade de entendimento da extensão da pandemia e de possíveis encaminhamentos de solução. É nesse momento de crescentes dúvidas que merecem respeito, admiração e apoio todo um contingente de pessoas – das mais simples que fazem trabalho de limpeza às que trabalham em pesquisas de ponta – hoje dedicadas à superação da crise.
Elas formam corpo e alma de um sistema de saúde universal que há muito se forja no Brasil e que constitui o maior patrimônio nacional no combate à pandemia que assola o mundo. Que o reconhecimento do trabalho de "todxs" se faça com a alocação de recursos financeiros e econômicos necessários na defesa do valor maior – a vida humana.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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