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Reflexão

Somos pela paz, sempre. Mas por onde começar?

O que poderia ser um bom começo na conquista da paz é diminuir o tamanho da geografia do que entendemos como mundo. Prestar menos atenção ao que acontece longe e ficar mais atento ao que está aqui e agora, visto pelos próprios olhos

Publicado em 10 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

10 mar 2022 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Polícia Militar reforça o patrulhamento no bairro Planalto Serrano após tiroteios entre traficantes e ameaças à jornalistas que faziam matéria sobre a onda de violência na região
Polícia Militar reforça o patrulhamento no bairro Planalto Serrano, na Serra, após tiroteios em 2021 Crédito: Fernando Madeira
Para quem idealizou um mundo no terceiro milênio da era cristã como um tempo de recuperação de valores humanos capazes de unir a todos, independentemente de gênero, raça, credo religioso ou posses econômicas, o século XXI é farto em decepções e frustrações.
Conflitos militares provocados por interesses de potências mundiais têm sido uma constante por todas as partes do mundo. Difícil deixar de ser tocado pelos efeitos devastadores que têm sobre pessoas e culturas, por mais distantes geograficamente que estejam, já que esses conflitos e o sofrimento humano deles decorrentes chegam às casas, aos locais de trabalho e à palma da mão, mundo afora, em tempo real.
Uma forma de se afastar dessa realidade cruel é fazer jejum do noticiário e do que circula pelas redes sociais. Ainda que isso fosse possível para a maioria, a alienação com relação ao que acontece no mundo sob hipótese alguma tornaria a realidade melhor para crianças, mulheres e idosos, que são os que mais sofrem em tempos de conflitos armados.
O que poderia ser um bom começo na busca da conquista da paz é diminuir o tamanho da geografia do que entendemos como mundo. Prestar menos atenção ao que acontece longe e que chega através de lentes e filtros segundo interesses econômicos e ideológicos. Ficar mais atento ao que está aqui e agora para ser olhado e visto pelos próprios olhos e sentido pelo próprio coração.
Os desperdícios que acontecem no mundo com compra de armamentos que só existem para destruir vidas se replicam em governos estaduais e municipais. Seria o caso de começar a luta pela paz questionando esses desperdícios junto a quem exerce mandato eletivo nos executivos e legislativos do Estado e dos municípios?
O sofrimento de crianças, idosos e mulheres pobres, entre outros, provocados pelas guerras que acontecem bem perto de onde moramos, circulamos e trabalhamos é calamidade humana como a que nos é trazida de longe pelos noticiários dos meios de comunicação corporativos e pelas redes sociais. Guerras travadas em calçadas por onde caminhamos; em ruas por onde passamos em nossos carros; em bairros próximos de nossas casas, escritórios e de onde circulamos em automóveis.
Estão aí para serem vistas para quem quer ver; ouvir para quem quer escutar; se indignar para quem se dispõe a consultar estatísticas. Elas são abundantes em evidências que escancaram a exclusão de pobres do mínimo necessário para um vida humana digna; as agressões de todos os tipos que sofrem mulheres, LGBTI+, principalmente negros e nativos; o abandono a que são relegados idosos.
Exclusão, agressões e abandono que podem ser minimizados com ações de governos estaduais e municipais crescentemente apegados ao dogma do equilíbrio fiscal que só é buscado no corte de despesas sociais. Despesas que já se provaram efetivas no minimizar dos efeitos das guerras que estão no aqui e no agora, na maiorias das vezes fora do que interessa ao jornalismo corporativo e a mídias sociais.
Despesas que também já provaram trazer maior retorno econômico porque mais distribuídas do que aquelas que beneficiam com incentivos fiscais poucas empresas em nosso Estado ou com gastos em armas e equipamentos geralmente usados para punir pobres, negros e mulheres em nossas cidades.
À angústia com os horrores das guerras mundo afora que nos chegam a cada instante em que nos colocamos diante da televisão, do computador e do celular, podemos responder com mobilizações pela paz aqui e agora. Vale experimentar cobranças junto a quem elegemos para poderes estaduais e municipais.
Deles devemos cobrar menos armas e mais educação; menos escolas para o mercado e mais educação para a paz; menos incentivos fiscais para as mesmas empresas e mais gastos com cultura; menos brutalidade com pobres, negros e mulheres e mais espaços para interação entre diferentes; menos tudo para automóveis e mais espaços para caminhar, sentar, conversar, contemplar.
A subtração dos menos e a adição dos mais, por menor que sejam, certamente trarão a paz mais próxima de nosso dia  a dia. Nem precisa acreditar, basta experimentar.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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