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Medida provisória

O impacto da liberação do FGTS no financiamento habitacional

A Medida Provisória publicada no final de fevereiro autoriza trabalhadores demitidos a acessarem recursos retidos do saque-aniversário; medida preocupa setores da construção civil

Publicado em 07 de Março de 2025 às 14:26

Públicado em 

07 mar 2025 às 14:26
Arquitetura e Construção

Colunista

Arquitetura e Construção

framos@redegazeta.com.br

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a liberação de saques extraordinários compromete uma poupança essencial para o investimento em moradia e infraestrutura no país Crédito: Bruno Rocha/Fotoarena/Folhapress
O governo federal publicou no último dia de fevereiro de 2025 a Medida Provisória que autoriza trabalhadores demitidos a acessarem recursos retidos do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A medida atende a uma demanda de trabalhadores que haviam aderido à modalidade e não tinham acesso ao saldo integral em caso de demissão.
A Medida Provisória publicada pelo governo permite que trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário possam retirar o saldo total da conta vinculada do FGTS em caso de demissão sem justa causa. Antes da MP, esses trabalhadores tinham acesso apenas à multa rescisória de 40% sobre o valor depositado pelo empregador, sem direito ao saque integral.
O governo justifica que a mudança tem o objetivo de oferecer mais flexibilidade ao trabalhador e facilitar o acesso a recursos em momentos de desemprego. A expectativa é que a medida movimente a economia ao longo dos próximos meses, contribuindo para o consumo e a redução do endividamento das famílias.
A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar definitiva. Enquanto o governo defende a ampliação do acesso ao FGTS, o setor da construção civil alerta para os possíveis impactos no financiamento habitacional e na sustentabilidade do fundo.
A construção civil, por meio da sua representatividade nacional, que é a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, demonstra sua preocupação com a sustentabilidade do FGTS e os impactos da medida no financiamento habitacional. A liberação de saques extraordinários compromete uma poupança essencial para o investimento em moradia e infraestrutura no país.
Desde a criação do saque-aniversário, em abril de 2020, aproximadamente 37 milhões de trabalhadores aderiram à modalidade, movimentando R$ 141,9 bilhões até dezembro de 2024. Se esses recursos tivessem sido investidos na construção civil, teriam viabilizado 2 milhões de moradias e gerado cerca de 6 milhões de empregos.
A habitação tira da precariedade milhões de famílias que precisam da casa própria. O FGTS é um fundo estruturante para o país, e seu uso deve ser preservado para finalidades que garantam segurança ao trabalhador e desenvolvimento ao Brasil.
Temos levado essa preocupação a diferentes instâncias do Executivo e do Legislativo, destacando que o FGTS foi criado para garantir proteção ao trabalhador em momentos de vulnerabilidade, além de fomentar investimentos estruturantes. Medidas que direcionam os recursos para consumo imediato podem comprometer o equilíbrio financeiro do fundo e limitar sua capacidade de financiar habitação e infraestrutura.
Com a nova MP, o debate sobre o futuro do FGTS e sua utilização ganha ainda mais relevância. Enquanto o governo defende a flexibilização dos saques como uma forma de dar mais autonomia ao trabalhador, o setor da construção civil alerta para os riscos de fragilizar uma das principais fontes de financiamento da moradia no Brasil.

Arquitetura e Construção

Análises semanais do setor da construção civil, engenharia, arquitetura e decoração, com especialistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-ES), e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-ES).

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