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Arquitetura & Construção

O nó visual das cidades capixabas que polui o horizonte e ameaça a segurança pública

Quem caminha pelas orlas de Vitória e Vila Velha, as joias da coroa do turismo capixaba, depara-se com um inimigo silencioso: o emaranhado caótico de fios

Publicado em 26 de Fevereiro de 2026 às 01:58

Públicado em 

26 fev 2026 às 01:58
Arquitetura e Construção

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Arquitetura e Construção

framos@redegazeta.com.br

Fiações expostas em postes, árvores ou soltas pelas ruas e calçadas podem trazer perigo para quem circula pela cidade.
A fiação aérea excessiva atua como uma “barreira visual” que deprecia o valor imobiliário e desencoraja a ocupação qualificada do solo Crédito: Vitor Jubini
A paisagem urbana é o cartão de visitas de uma cidade. Em destinos de relevância internacional, a estética e a segurança da infraestrutura caminham juntas. No entanto, quem caminha pelas orlas de Vitória e Vila Velha, as joias da coroa do turismo capixaba, depara-se com um inimigo silencioso: o emaranhado caótico de fios que polui o horizonte e ameaça a segurança pública.
A experiência de Linhares, que recentemente removeu mais de 2,5 toneladas de fios irregulares, não é apenas um exemplo de zeladoria, mas um imperativo para a região metropolitana. A força-tarefa em Linhares eliminou 35 quilômetros de fiação inoperante no Centro em apenas dois dias.
O impacto é imediato: redução de riscos de curto-circuito e uma melhora drástica no aspecto visual. Como bem destacou o prefeito Lucas Scaramussa, cabos em desuso comprometem a imagem do município e a valorização das fachadas comerciais. Se uma cidade do interior já iniciou esse movimento de modernização, Vitória e Vila Velha, com orlas de apelo turístico global, não podem mais adiar essa reforma.
O turismo em Vitória (Curva da Jurema, Camburi) e Vila Velha (Itapoã, Praia da Costa) é movido pela beleza natural. No entanto, a fiação aérea excessiva atua como uma “barreira visual” que deprecia o valor imobiliário e desencoraja a ocupação qualificada do solo. Internacionalmente, a organização da fiação (ou o seu aterramento total) é tratada como investimento de alto retorno.
Dois exemplos que ilustram bem a medida são Barcelona, na Espanha, que transformou sua orla para as Olimpíadas de 1992, priorizando o aterramento de redes. O resultado foi uma explosão no valor do metro quadrado e no fluxo de turistas. E Tóquio, no Japão, que, apesar de ser uma metrópole densa, o governo lançou um plano de “Zero Postes” em áreas turísticas para aumentar a resiliência contra desastres e a harmonia estética.
Manter o sistema atual que vemos em nossas cidades gera custos contínuos de manutenção e perdas por vandalismo ou furtos de fios. Além disso, há o risco de segurança; fios soltos ou em baixa altura são armadilhas para pedestres e ciclistas. A coordenação entre prefeituras e concessionárias de energia e telecomunicações (como a EDP e empresas de internet) é o caminho, seguindo o modelo de Linhares.
Vitória e Vila Velha precisam decidir se querem continuar sendo cidades do século XX com uma “cortina de fios” ocultando o mar, ou se abraçarão o conceito de Smart Cities. O emaranhado de fios é o símbolo de uma gestão urbana que parou no tempo. Organizar ou aterrar a fiação na orla não é gasto; é estratégia de Estado para elevar o Espírito Santo ao patamar de destino turístico de elite, devolvendo o céu aos cidadãos e aos visitantes. 

Arquitetura e Construção

Análises semanais do setor da construção civil, engenharia, arquitetura e decoração, com especialistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-ES), e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-ES).

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