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2020

Após 3 anos consecutivos no vermelho, Codesa tem lucro de R$ 30 milhões

Resultado da Companhia Docas do Espírito Santo em 2020 foi o melhor da história, segundo o diretor-presidente, Julio Castiglioni

Publicado em 25 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 jan 2021 às 02:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Navio no Porto de Vitória
Navio no Porto de Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
Depois de fechar no vermelho por três anos consecutivos e acumular prejuízos da ordem de R$ 58 milhões, a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) encerrou o ano de 2020 com um lucro de cerca de R$ 30 milhões, o maior superávit da sua história, segundo o diretor-presidente Julio Castiglioni.
O valor - que ainda tem que passar pela validação de uma auditoria independente, como parte da rotina contábil - é o dobro do melhor resultado registrado pela companhia na séria histórica obtida pela coluna, de 2007 a 2020. Até então o desempenho mais relevante havia sido contabilizado em 2014, quando a Codesa lucrou R$ 15,2 milhões.
Apesar do lucro recorde, a movimentação de cargas no Porto de Vitória foi similar à registrada no ano anterior. Em 2020, o porto movimentou 6,94 milhões de toneladas, 0,62% a menos do que em 2019, resultado considerado positivo pelo presidente.
Castiglioni comenta que o cenário de pandemia enfrentado pelo Brasil e pelo mundo levou a uma queda de 15% na movimentação do porto no primeiro semestre na comparação com igual período de 2019 e que, portanto, ter um volume de cargas estável de um ano para o outro é motivo de comemoração.
"Primeiro porque Vitória não está no corredor de exportação das commodities agrícolas do Centro-Oeste brasileiro e, portanto, não se beneficiou da safra recorde de 2020 e da variação cambial favorável à sua exportação. Segundo porque praticamente repete o seu melhor resultado em termos de movimentação, desde que o Fundap foi praticamente inviabilizado em 2012"
Julio Castiglioni - Diretor-presidente da Codesa
Questionado sobre por que com resultados tão próximos em relação ao volume de cargas o desempenho financeiro foi tão diferente - já que em 2019 a Codesa amargou um prejuízo de quase R$ 14 milhões -, o diretor-presidente explicou que 2019 foi um momento de “arrumar a casa”. Já o ano de 2020, de colher os frutos.
“Essa discrepância se explica em função das decisões de saneamento, do choque de gestão, que ocorreram em 2019. No início daquele ano, estudos encomendados pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontavam para um déficit de R$ 35 milhões caso a empresa se mantivesse em sua inércia. Soube disso nos primeiros dias de trabalho e isso acendeu um grande alerta. Arregaçamos as mangas. Cortamos quase 30% de gastos com serviços de terceiros, rescindimos e renegociamos contratos, praticamente eliminamos a inadimplência, demitimos cerca de 25% do quadro funcional. E, ao fim do ano de 2019, não fossem os gastos com as rescisões trabalhistas e com a previdência complementar dos empregados, já teríamos um resultado marginalmente positivo. O ano de 2020, portanto, colhe os frutos das duras decisões tomadas no ano anterior, que recebem o apoio da sociedade, mas que, evidentemente, gera resistência de alguns movimentos corporativistas.”
Castiglioni acrescenta que além da melhora nos resultados contábeis, a Codesa avançou na performance do ponto de vista financeiro, com aumento da disponibilidade de recursos próprios. De acordo com ele, desde o início da sua gestão, iniciada há 20 meses, o caixa da Codesa cresceu aproximadamente 50%, o que permitirá que sejam executados, ainda em 2021, serviços essenciais, como a dragagem de manutenção. Assim não será necessário, em suas próprias palavras, “percorrer a via crucis em Brasília, em busca de recursos da União”.
Para ele, o desempenho que a Codesa vem conquistando é fruto da formação de uma boa equipe técnica, composta por profissionais escolhidos por meio de processo seletivo e por “gente talentosa da própria casa”, além do trabalho com foco em aumentar receitas, racionalizar despesas, cumprir as leis e reconquistar credibilidade.
Sobre as perspectivas para 2021, Julio Castiglioni observa ser difícil traçar estimativas em função das incertezas que a pandemia do novo coronavírus continuará a impor ao mundo. Mas comenta em linhas gerais que o volume de movimentação de cargas deve ser próximo aos verificados em 2019 e 2020. A variação para mais ou para menos vai depender, segundo ele, de dois fatores principais: as condições de macroeconomia e o avanço dos serviços de dragagem de manutenção, programados para o primeiro semestre de 2021.
O presidente explica que essas obras inicialmente eram previstas para o primeiro ano da concessão em 2022, mas serão antecipadas pela Codesa em virtude do assoreamento que vem se acentuando recentemente.
“Estes serviços, que são rotineiros e que ocorrem em todos os portos do mundo, poderão trazer alguma limitação temporária e pontual no calado de navegação, durante a sua execução. O aspecto positivo é que a Codesa lançará o edital de licitação já nos próximos dias e investirá recursos próprios, sem depender de recursos da União para execução destes serviços”, pontuou ao observar que essa dragagem de manutenção não deve ser confundida com a dragagem de aprofundamento finalizada em 2017.
Julio Castiglioni é diretor-presidente da Codesa
Julio Castiglioni é diretor-presidente da Codesa Crédito: Codesa/Divulgação

O que mais disse Julio Castiglioni:

- RESULTADOS
"Do ponto vista contábil, considerando ainda dados gerenciais, o resultado é expressivo: a Codesa teve o maior superávit de sua história, com um lucro no exercício que deverá se aproximar da marca de 30 milhões de reais. Do ponto de vista financeiro, a Companhia Docas também tem apresentado uma boa performance, com aumento da disponibilidade de recursos financeiros próprios. Desde o início da atual gestão, há 20 meses, o caixa da Codesa cresceu aproximadamente 50% e isso permitirá, já em 2021, que sejam executados serviços essenciais, como a dragagem de manutenção, sem a necessidade de se percorrer a via crucis em Brasília, em busca de recursos da União."

- CHOQUE DE GESTÃO
"Por trás destes números, não há nenhuma alquimia. Fomamos uma boa equipe técnica, composta por profissionais escolhidos mediante processo seletivo e por gente talentosa da própria casa. A esta equipe foi dada uma orientação simples: aumentar receitas, racionalizar despesas, cumprir as leis e reconquistar credibilidade. Parece algo trivial e, de fato, é. Fazendo o que precisa ser feito, esta equipe da qual faço parte está entendendo o valor da resiliência. Fazer o que precisa ser feito e conviver com incompreensões."

- GOVERNANÇA
"A Codesa acaba de receber a notícia de que alcançou a melhor pontuação de sua história no Índice de Governança das Estatais (IG SEST): no início da atual gestão, a nota era 4,92 e, em menos de dois anos, subimos para 9,11. Um crescimento de 85% em integridade."

- DESESTATIZAÇÃO
"Alguns podem usar o argumento que diante dos números recentemente alcançados a desestatização na se justificaria e que deveríamos manter o modelo atual. Isso pode até soar como um elogio às equipes do Ministério da Infraestrutura e da Codesa, mas não sucumbimos a esta tentação. Não temos nenhum ímpeto de pessoalidade. O fato é que o resultado anima, mas não deve ser sobrevalorizado. Ainda é muito tímido quando comparado com o potencial. O estudo de mercado realizado pelas consultorias contratadas pelo BNDES indica que os portos de Vitória e Capuaba poderão dobrar a sua movimentação. Para isso, é necessário dotar a administradora do porto de uma liberdade empresarial que não é compatível com o modelo estatal vivenciado pelo Codesa hoje."

- OSCILAÇÃO

"As Companhias Docas, em geral, têm um histórico marcados por sobressaltos em seus resultados. Um ano no positivo, outro no negativo. E essa variação ocorre subitamente, à mercê, inclusive, de movimentos políticos. A isso se soma a sua incapacidade de investimentos com recursos próprios, a recorrência de passivos trabalhistas milionários, a letargia para celebrar negócios e para atrair cargas, o excessivo custo regulatório e a redundância dos controles, a falta de paridade de armas para competir com portos privados em ambiente concorrencial, a dificuldade de contratar e de desligar colaboradores etc."

Diretor-presidente da Codesa

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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