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Micro e pequenos negócios

Bandes prepara linha de crédito para empresas afetadas pela pandemia

Banco prevê financiamentos de longo prazo e destinará parte dos recursos para negócios comandados por mulheres

Publicado em 04 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 jul 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Bandes vai oferecer crédito para ajudar empresas que foram impactadas pela pandemia do novo coronavírus
Bandes vai oferecer crédito para ajudar empresas que foram impactadas pela pandemia do novo coronavírus Crédito: Freepik
Em meio à pandemia do novo coronavírus e aos reflexos que a doença tem trazido para o dia a dia das empresas, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) prepara uma captação externa de US$ 30 milhões (R$ 160 milhões) junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Será a primeira vez na história da organização financeira que ela vai realizar esse tipo de operação com uma instituição internacional. A ideia é ter acesso a recursos que possibilitem a oferta de linhas de crédito mais competitivas e que ofereçam um prazo de pagamento maior.
A coluna conversou com o diretor-presidente do Bandes, Maurício Duque, que adiantou algumas características e informações relacionadas à nova linha de financiamento, que deverá estar disponível a partir de agosto.
De acordo com ele, ela será voltada para micro, pequenas e médias empresas, especialmente dos setores de comércio, serviços e indústria. O financiamento ficará limitado a US$ 1 milhão e o Bandes espera atender cerca de 300 negócios.
A taxa de juros que será praticada ainda está em discussão, mas Duque garante que ela será competitiva. Quanto ao prazo para o pagamento das prestações, o presidente observa que a expectativa é que ele chegue a oito anos. Outro ponto é que os recursos serão voltados prioritariamente para capital de giro. 
"A possibilidade de alongar o prazo, e aí fazer com que a prestação mensal seja menor, faz uma diferença enorme na concessão de crédito. Por quê? Porque as empresas já estão de alguma forma tomadas em crédito. Elas estão com resultado final apertado, então, tem pouca margem para captação de recurso e, na hora que você faz a simulação, o empréstimo não cabe dentro do fluxo de caixa da empresa. Porque são empréstimos em geral de curto prazo"
Maurício Duque - Diretor-presidente do Bandes

CRÉDITO PARA MULHERES

Outra particularidade desta linha de crédito com recursos do BID é que pelo menos 20% das operações deverão ser voltadas para empresas lideradas por mulheres, o que para Duque é um ponto interessante dentro de uma política de gênero.
“Esse é um pré-requisito definido pelo BID que nós achamos extremamente interessante e que acreditamos que irá extrapolar os 20%. Nossa expectativa é alcançar de 30% a 40%.”
Além dos recursos via BID que serão disponibilizados pelo Bandes - assim que todas as etapas do processo forem concluídas -, hoje a instituição oferece outras linhas com objetivo de ajudar a dar fôlego para as empresas enfrentarem a crise econômica fruto da pandemia.
De acordo com o presidente do banco, são cerca de R$ 330 milhões em recursos entre já aprovados, em análise e em prospecção. “Para uma instituição do porte do Bandes é um valor expressivo”, pontuou Duque.
O novo financiamento que o Bandes deve abrir a partir de agosto parece oferecer condições interessantes para as micro e pequenas empresas. Aliás, a oferta de recursos, especialmente em condições competitivas, pode significar a sobrevivência de muitas delas. Mas é fundamental que esse dinheiro de fato chegue a quem precisa. Caso contrário, será só mais uma linha de crédito parada no banco, e sofrendo a enxurrada de críticas que tem sido recorrente entre empreendedores que não conseguem tomar crédito junto a instituições financeiras.
Maurício Duque é diretor-presidente do Bandes Crédito: Bandes/Divulgação

"HÁ UMA CORRIDA DE OBSTÁCULOS PARA TOMAR CRÉDITO", DIZ PRESIDENTE DO BANDES

Como vai funcionar a captação de recursos junto ao BID?

Nós já estávamos alcançando os limites das nossas linhas (de crédito). Então, tivemos que buscar novas. E, ao buscar junto a um organismo como o BID, que também tem um cunho para projetos sociais e de desenvolvimento, isso nos permite ter uma linha competitiva. Nós esperamos com ela oferecer um prazo mais longo, assim a prestação será menor e caberá no caixa da empresa, e com uma taxa de juros competitiva.  

Uma queixa comum entre empreendedores é que há muitas exigências e burocracia para acessar as linhas de crédito. Por que é tão difícil fazer o dinheiro chegar a quem precisa?

A nossa experiência no Bandes certamente coincide com a de grande parte do setor financeiro. Um número grande de empresas que não conseguiu acessar tinha problemas cadastrais, como registros em instituições de proteção ao crédito. Isso é para o banco um grande impeditivo. Teve a questão das certidões negativas junto aos governos federal e estadual. Esse era um ponto da legislação, mas foi vencido durante a pandemia, embora tenha ficado o registro de muita gente com essa reclamação. Depois, caímos na situação da capacidade de pagamento e também nas garantias que essas empresas tinham ou não para dar. Sem dúvidas, há uma corrida de obstáculos em alguns casos, e é óbvio que algumas empresas não estavam preparadas para isso. Nós reconhecemos que há uma burocracia para se chegar ao crédito. E, por incrível que pareça, as próprias empresas, quando vendem para o cliente, também fazem uma pesquisa de crédito. Por isso, para tentar solucionar essas barreiras, nós no Bandes buscamos uma aproximação com o cliente para tentar entender como resolver a situação de cada um, por exemplo, fazer a portabilidade de uma dívida, alongar o prazo, reduzir juros...  

Em maio, o presidente da Assembleia Legislativa chegou a expor que, por causa da pandemia, de repente seria o momento de o governo recuar na tomada de empréstimos para evitar comprometer a capacidade de pagamento do Estado dada a queda na arrecadação. Uma das etapas para ter acesso ao crédito do BID é a aprovação na Assembleia. Acredita que o projeto terá apoio do Parlamento?

A gente vai solicitar essa aprovação, mas o risco todo é assumido pelo Bandes. O Estado entra porque ele é acionista do Bandes, mas o valor dos R$ 160 milhões é plenamente absorvível, caso seja uma operação que não dê certo, com o próprio patrimônio e recursos do Bandes. Eu tenho uma visão otimista porque é uma linha para ajudar o micro e o pequeno. Em hipótese alguma aumenta o endividamento do Estado. A gente acredita que a Assembleia vai receber bem esse projeto.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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