Os avanços em relação ao novo contrato de concessão do gás natural no Espírito Santo, que será assinado nesta quarta-feira (22), e a adequação do documento às diretrizes do novo marco regulatório do gás podem representar a atração de vários projetos para o Estado e o destravamento de alguns investimentos que há anos têm potencial para acontecer, mas que esbarram no alto custo da matriz energética.
Um dos negócios que pode sair do “banho-maria” é a fábrica de HBI que a Vale tem interesse em construir no Brasil. Como a coluna abordou no último dia 18, Anchieta é o local mais cotado para receber o empreendimento do Hot Briquetted Iron, que é um produto à base de minério de ferro com maior valor agregado.
“Essa caminhada que estamos fazendo em relação ao gás natural mostra que nós temos as melhores condições para receber a planta de HBI aqui. Vamos ter legislação estável, não haverá nenhum impedimento ou judicialização para que a Vale desenvolva o projeto. E com o nosso modelo, a Vale vai poder operar do jeito que ela quiser. Poderá negociar com a ES Gás ou com outro fornecedor”, afirmou o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), à coluna.
Segundo ele, a planta de HBI é um investimento de longo prazo, e o tema tem feito parte das pautas de discussão do governo.
"Tenho conversado com representantes da Vale. Fiz reuniões virtuais com membros da diretoria e tratamos tanto da unidade de HBI quanto de outros assuntos que são de interesse do Estado"
Apesar de não ter dado detalhes sobre essas conversas, só o fato de o governo e a Vale estarem discutindo o tema reforça como o Sul capixaba pode ser a bola da vez nos planos da mineradora. Como a própria Vale informou à coluna, a companhia tem “confiança que será possível atrair investidores para viabilizar esta indústria no Brasil. A condição para esta iniciativa é o barateamento do custo do gás, combustível usado no processo de produção do HBI”.
Mas não é só a planta de HBI que se mostra promissora neste novo cenário. Para Casagrande, investimentos importantes relacionados a essa matriz energética ganham fôlego, como projetos de terminais de gás natural liquefeito (GNL) no Porto Central, em Presidente Kennedy, e no Porto da Imetame, em Aracruz.
“Os consumidores não usam mais o gás porque o preço não é competitivo. Se a oferta de gás aumentar e o custo reduzir, certamente teremos muitas oportunidades. E o Estado quer ser um grande colaborador nesse processo. Temos infraestrutura capaz de distribuir para outras regiões e temos projetos, como os portuários, que estão preparados para este momento”, reforçou o chefe do Palácio Anchieta.
Com a assinatura do contrato e uma legislação que permita a abertura deste mercado, ofereça segurança jurídica e tenha como uma das suas principais consequências o barateamento do combustível, o Espírito Santo tem muito a ganhar. Um dos passos para construir esse caminho, o governo capixaba está dando nesta quarta-feira. É importante que o governo federal siga em direção semelhante, de preferência a passos largos.