O fim das operações da multinacional TechnipFMC no Porto de Vitória vai representar uma queda significativa na receita da Companhia Docas do Espírito Santo. Somente em relação ao arrendamento da área, uma espécie de aluguel pelo uso do espaço, a Codesa deixará de receber cerca de R$ 1 milhão por mês.
A informação consta na lista de documentos divulgados nesta segunda-feira (28), pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), como parte do processo de desestatização da Codesa e concessão dos portos de Vitória e Barra do Riacho.
O documento, chamado Plano de Negócios Referencial, traz uma tabela com 11 empresas com arrendamentos vigentes. Na relação, o pagamento do valor mais alto cabe à TechnipFMC, R$ 1.071.818,03. Os valores mensais das demais arrendatárias variam de R$ 24,1 mil a R$ 888,8 mil e totalizam pouco mais de R$ 3 milhões.
Além do montante, o relatório - que apresenta os principais resultados do estudo de viabilidade econômico-financeira da concessão dos portos organizados de Vitória e Barra do Riacho - comunica que o contrato de arrendamento assinado com a TechnipFMC não será renovado e que, a partir de outubro de 2021, a companhia franco-americana encerra sua operação no Porto de Vitória.
Como a coluna noticiou em primeira mão, a Technip vai transferir a produção dos tubos flexíveis para o Porto de Açu, no Estado do Rio de Janeiro. Os equipamentos, usados na cadeia de óleo e gás, eram fabricados no Espírito Santo desde 1985.
Em agosto, após ser procurada pela coluna, a empresa informou que a produção aconteceria até dezembro de 2020. Mas, mesmo com a interrupção da atividade fabril, a multinacional vai manter o contrato com a Codesa até outubro de 2021, conforme consta no documento divulgado no site da Antaq.
Um dos trechos do relatório reforça que a Technip “é um cliente relevante para a Codesa em termos de movimentação de cargas e faturamento”, mas o documento informa, em vários momentos, que o contrato com a empresa não foi renovado e que, portanto, os cálculos para o estudo de viabilidade econômico-financeira da concessão levaram em conta o novo cenário.
No estudo, também foi prevista que a área atualmente ocupada pela Technip, de 89,7 mil m², será disponibilizada para uso de outra empresa e que, a partir de 2023, tende a gerar receitas gradualmente com a instalação de um novo arrendatário.