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Reflexos do coronavírus

Economia do ES vai mal, mas recuperação pode vir antes da do Brasil

Dados do Indicador de Atividade Econômica (IAE) da Findes mostram queda no PIB capixaba superior a 12% no 2° trimestre. Número é pior do que o registrado pelo país

Publicado em 16 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

16 set 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Setores da indústria, de comércio e serviços e da agropecuária apresentaram retração no 2º trimestre de 2020 no ES
Setores da indústria, de comércio e serviços e da agropecuária apresentaram retração no 2º trimestre de 2020 no ES Crédito: Montagem AG - Vale/Vitor Jubini/Incaper
A divulgação nesta terça-feira (15) do Indicador de Atividade Econômica do Espírito Santo (IAE), elaborado pela Federação das Indústrias (Findes), trouxe dados e informações importantes e que nos ajudam a entender o que aconteceu com a economia do Estado nos últimos meses e para onde estamos indo.
Entre as informações principais do estudo estão a queda de 12,3% do PIB capixaba no segundo trimestre deste ano na comparação com igual período de 2019 e o desempenho ruim dos segmentos da indústria, que recuou 23,9%, de serviços (-10%) e da agropecuária (-4,8%), os três considerando a mesma base temporal comparativa.
Todos esses setores foram duramente impactados pelo avanço do novo coronavírus e o período analisado reflete justamente os meses em que o Estado e o país enfrentaram o auge da pandemia no que diz respeito às medidas de isolamento, que foram (e realmente assim deveriam ser) mais restritivas.
Fato é que acumulamos nos meses de abril, maio e junho uma queda de dois dígitos, recuo que foi inclusive maior do que o contabilizado no país no mesmo período, de -11,4%. Aliás, em todas as bases comparativas apresentadas pelo IAE (que é uma espécie de prévia do PIB capixaba), o Espírito Santo performou abaixo do Brasil.
Olhando por essa ótica a notícia é péssima, mas no fundo não chega a surpreender. Nenhum economista ou analista tinha a esperança que o cenário fosse diferente. A boa notícia é que especialistas já veem uma condição melhor neste segundo semestre de 2020. Não há de se falar em otimismo, mas em uma retomada que, para o Espírito Santo, pode inclusive chegar mais rápida do que para o restante do país.
A presidente da Findes, Cris Samorini, e o economista-chefe da Federação e diretor-executivo do Ideies, Marcelo Saintive, acreditam que essa deva ser a trajetória do Estado. Em função da forte ligação com o comércio exterior, a economia capixaba passa a ter mais condições de se recuperar, uma vez que ela tende a acompanhar países da Ásia e da Europa, que estão alguns meses “à frente” do Brasil no processo de retomada pós-Covid.
"Como a indústria do ES é sensível ao cenário externo, um aumento de demanda por commodities industriais pode impactar positivamente a produção da indústria do Estado, inclusive já podemos notar uma melhora nas exportações de minerais metálicos"
Marcelo Saintive - Economista-chefe da Findes e diretor-executivo do Ideies
Além da característica de abertura de mercado, o Espírito Santo tem a seu favor a situação fiscal e o bom ambiente de negócios, condições que dão mais segurança ao investidor e podem ajudar a economia local a se recuperar mais rapidamente e a sairmos na frente de outros Estados brasileiros. Fora que alguns projetos estão engatilhados e serão determinantes na reversão dos números negativos, como espera Cris Samorini:
Cristhine Samorini, presidente eleita da Findes
Cris Samorini é presidente da Findes Crédito: Alexandre Mendonça
"Já percebemos que há avanços no 3º trimestre, que começou com uma economia mais aquecida. Alguns setores, como o moveleiro, estão até realizando contratações para atender a demanda crescente. Além disso, temos projetos e investimentos de grandes empresas, como: Garoto, Biancogrês, TVV, Cacique, Karavan e o retorno da Samarco. Vemos um cenário positivo"
Cris Samorini - Presidente da Findes
Também pode ser determinante para a volta do crescimento da economia capixaba - que teve os três últimos trimestres negativos, ou seja, encontra-se em recessão - o plano de retomada que vem sendo construído a muitas mãos.
O programa, que tem o governo do Estado e própria Findes como protagonistas, ainda não foi detalhado, mas, segundo adiantou a presidente da federação, ele terá um foco importante na infraestrutura, área que além de ser tradicionalmente geradora de empregos, pode criar um passaporte para um Estado mais competitivo.
O diagnóstico dos setores e os números da prévia do PIB apresentados pelo IAE são fundamentais para compreendermos o cenário capixaba, mas medidas que ajudem a reestruturar a nossa atividade econômica são ainda mais relevantes. Como a coluna apurou, elas estão sendo planejadas entre instituições públicas e privadas. Precisamos agora é que sejam colocadas em prática o mas rápido possível.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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