A multinacional Olam, com atuação global nos segmentos de café, especiarias, açúcar, grãos e nozes, vai investir em uma fábrica de café solúvel no Espírito Santo. A empresa escolheu a cidade de Linhares, no Norte capixaba, para implantar a indústria, que receberá um investimento da ordem de US$ 130 milhões (cerca de R$ 740 milhões).
Há cerca de 20 dias, representantes da empresa estiveram no Estado quando realizaram uma reunião no Palácio Anchieta com o governador Renato Casagrande (PSB), com o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB), e integrantes das equipes dos governos estadual e municipal. Mas o encontro foi mantido a sete chaves. Na tarde desta terça (02), uma nova reunião acontece, desta vez, de forma virtual, quando será feito o anúncio oficial às 16 horas.
Desde 2016 o grupo asiático estava em contato com representantes do governo capixaba. Nos últimos anos, executivos da Olam chegaram a visitar diferentes locais do Estado para definir a melhor área para a implantação da indústria. Além de Linhares, estavam cotados os municípios de Colatina e São Mateus.
O que pesou na decisão final foram pontos como a infraestrutura oferecida pela cidade, a disponibilidade de matéria-prima na região, o fato de ser uma área da Sudene e, sobretudo, a disponibilidade hídrica de Linhares.
OBRAS E EMPREGOS
A implantação da fábrica é prevista para acontecer em 26 meses e irá demandar em média 175 profissionais, sendo que o pico na fase de obras deverá chegar a 250 trabalhadores.
Para a operação, programada para ser iniciada em 2023, é planejada a contratação de cerca de 250 funcionários para atividades operacionais e administrativas. Entre as oportunidades que serão abertas estão: soldadores, mecânicos, técnicos e ajudantes, pedreiros, pintores, além de profissionais das áreas administrativas e gerencial.
A fábrica da Olam em Linhares vai seguir o modelo das unidades fabris que a companhia tem na Espanha e no Vietnã. A previsão é que a indústria opere 24 horas, com quatro turnos.
OPORTUNIDADES NO INTERIOR
O governador Renato Casagrande informou, por meio da sua conta no Twitter, que a empresa vai receber incentivos fiscais do governo e que o empreendimento contribui para levar mais desenvolvimento ao interior do Estado, qualificar a mão de obra capixaba e gerar mais oportunidades.
"A expectativa é que 600 mil sacas de café capixaba sejam utilizadas por ano na fábrica"
MAIS VALOR AGREGADO À CADEIA DO CAFÉ
O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, comemorou o anúncio da Olam. Para ele, o investimento irá agregar valor a um produto tradicional e importante para a economia capixaba: o café. Ele ponderou ainda que o resultado da escolha é fruto do trabalho que vem sendo feito no município e mostra que, mesmo em momentos de incertezas, Linhares tem conseguido atrair novos negócios.
"Isso é resultado de um círculo virtuoso: decisão, planejamento e ação, pontos que têm criado condições para o desenvolvimento social e econômico de Linhares. Assim, conseguimos atrair empresas e gerar mais oportunidades para a nossa cidade e região"
OLAM ATUA NO ES HÁ MAIS DE 15 ANOS
A Olam foi fundada em 1989, está presente em mais de 70 países e tem quase 90 mil funcionários. A companhia atua no Espírito Santo há mais de 15 anos. Desde 2005, ela trabalha com a exportação de café. Em 2012, abriu um armazém próprio em Nova Venécia, com foco na comercialização de conilon. A multinacional tem ainda, desde 2018, um armazém de 11 mil metros quadrados de área construída, em Muniz Freire, que é voltado para a exportação de café arábica.
CAFÉ CACIQUE COMEÇA A OPERAR AINDA NESTE ANO
Outro empreendimento no setor de café que Linhares está recebendo é o da empresa paranaense Cacique Café Solúvel. Com investimentos de US$ 60 milhões (R$ 343 milhões), a planta industrial já está em obras e deve ficar pronta ainda no primeiro semestre deste ano. Localizada às margens da BR 101, quando estiver em operação, a fábrica terá capacidade de produzir 14 mil toneladas de café solúvel ao ano.