Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Desestatização

Empresa que comprar Codesa vai decidir futuro dos funcionários

Companhia que vencer o leilão terá de oferecer estabilidade de um ano para os empregados. Passado esse período, ela pode mantê-los no quadro ou demiti-los

Publicado em 05 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 fev 2021 às 02:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Porto de Vitória: leilão para a concessão à iniciativa privada é previsto para novembro de 2021
Porto de Vitória: leilão para a concessão à iniciativa privada é previsto para novembro de 2021 Crédito: Codesa/Divulgação
Com a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) - programada para acontecer em novembro, conforme noticiado neste espaço em primeira mão -, uma das dúvidas mais frenquentes tem sido em relação ao futuro dos profissionais que a atuam na empresa. 
A coluna aproveitou a audiência pública, realizada nesta quinta-feira (4) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq),  para questionar qual será o destino dos empregados da Codesa. O secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, explicou que a decisão de continuar ou não com o atual quadro caberá à empresa vencedora da licitação e ponderou que é cedo para falar se o novo gestor portuário tende a reduzir a equipe. 
Para ele, não deverá haver um grande corte de mão de obra pelo fato de a Codesa ser, em sua avaliação, uma empresa enxuta. Atualmente, são cerca de 240 empregados. 
"A gente sempre faz comparativos com as nossas demais companhias docas, aquelas que têm o controle da União, e de fato a Codesa é uma empresa enxuta, tem um quadro de funcionários já bem dimensionado. Mas, por outro lado, é importante que fique claro que o concessionário terá, desde que respeitadas as regras de transição, a liberdade de fazer as suas decisões, de dimensionar a sua empresa conforme a necessidade para o cumprimento do contrato de concessão. Isso não necessariamente significa redução de efetivo, pode até significar aumento."
Entre as regras de transição citadas pelo representante do governo federal está a que prevê a estabilidade de um ano para os profissionais concursados. A nova Codesa terá que garantir o emprego dos trabalhadores por 12 meses, salvo de houver alguma situação de justa causa. 
Uma alternativa como substituição ao período de transição é a oferta de um Plano de Desligamento Voluntário (PDV). A nova companhia poderá dar essa opção aos funcionários com mais de 30 anos de casa.  Também deverá estar previsto no contrato de venda que o novo controlador da Codesa ofereça programa de requalificação profissional para os empregados que venham a ser desligados. 
Desde que o processo de desestatização entrou na pauta, sindicatos e representantes dos trabalhaodores têm demonstrado preocupação com possíveis demissões. Nesta quinta-feira (4), inclusive, durante a audiência pública, muitas lideranças sindicais expuseram o receio sobre prejuízos a trabalhadores da ativa e aposentados. 
"A gente tem tido um cuidado muito grande de tratar, de der o cuidado do ponto de vista social com esses funcionários. O que nos cabe é trazer elementos mínimos para a mitigação de eventuais impactos para esses funcionários pela consideração que temos, porque tratar das pessoas é importante em qualquer processo que a gente conduza"
Diogo Piloni - Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários,
O Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), único terminal de contêineres do Estado, é administrado pela empresa Log-in Logística.  Por lá passam eletrodomésticos, insumos para a indústria de mineração e siderúrgica, e outros.
Terminal Vila Velha (TVV), único terminal de contêineres do Estado, faz parte do complexo do Porto de Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva

CAPITAL ESTRANGEIRO LIBERADO

Os investidores interessados na compra da Codesa e na concessão dos portos de Vitória e Barra do Riacho poderão ser nacionais ou internacionais. O processo de desestatização não traz restrições em relacão ao capital estrangeiro. Aliás, a equipe do governo federal acredita que investidores de fora terão grande apetite pelos ativos capixabas. 
O secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, disse enxergar um potencial muito grande de atuação de capital estrangeiro, de consórcios sendo formados com a participação de empresas internacionais, de fundos de investimentos.
"O Brasil é a bola da vez em investimentos, em diversos setores de infraestrutura e com o setor portuário não seria diferente. A gente tem notado um grande interesse de empresas do mundo inteiro para esse programa que começa agora com a Codesa e dará sequência com outros projetos"
Diogo Piloni - Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários

PEDIDO FEITO

A lista de contribuições dos participantes ao longo da audiência foi extensa e rica em apontamentos técnicos, mas um tema se destacou: o pedido para que o prazo da consulta pública seja ampliado. Inicialmente, a previsão para envio de sugestões e subsídios para o processo de desestatização é o dia 10 de fevereiro, data que foi considerada por muitos como insuficiente para o debate. 

PEDIDO AVALIADO

Diante dos pleitos feitos na audiência, a coluna questionou à Antaq se o prazo das contribuições poderá ser dilatado. A agência não descartou a ampliação do período, mas ponderou que qualquer mudança precisa ser submetida à diretoria colegiada do órgão. 
"Vai ser avaliada a possibilidade dessa prorrogação. Ela é factível, tendo em vista diversas contribuições e pleitos que foram apresentados na audiência. O prazo ainda vai ser estudado, para que possibilite o maior número de contribuições, para que fortaleça o produto final a ser produzido pelas equipes e, ao mesmo tempo, não se apresente como um gargalo ou prejudique o cronograma que está estabelecido. Entendemos que é plenamente viável conciliar essas duas situações", afirmou o diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery. 
Audiência pública debateu a desestatização da Codesa e dos portos de Vitória e Barra do Riacho. Representantes da Antaq, do  governo federal, da Codesa e do BNDES compuseram a mesa.  Crédito: Codesa/Divulgação

CONSTATAÇÃO I

Ao longo da audiência pública, representantes de entidades inscritos previamente deram contribuições para o processo de desestatização, mas eles tiveram apenas cinco minutos para expor suas ideias. Ainda bem! Afinal, havia mais de 30 pessoas na lista e, mesmo com o tempo curtinho de participação, a audiência durou seis horas. Vale destacar aqui que os participantes foram conscientes e, em sua maioria, respeitaram o tempo estipulado pela Antaq. 

CONSTATAÇÃO II

As equipes do governo federal, da Antaq, da Codesa e do BNDES demonstraram ser bons de resistência. Os integrantes da mesa da audiência pública passaram cerca de seis horas recebendo contribuições e respondendo aos questionamentos feitos pelos participantes inscritos. Não houve sequer um intervalo ao longo da reunião.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Lançamento da Taça EDP na Rede Gazeta
Taça EDP das Comunidades 2026 reforça esporte como meio de transformação social
Mulher com dor no peito
Arritmia cardíaca: veja os principais sintomas da doença
Notas, Real, dinheiro, cédulas
Ritmo de fusões e aquisições diminui no Espírito Santo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados