Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Beatriz Seixas

ES em busca de ser protagonista no setor de petróleo

Estado, que é o segundo maior produtor, ainda precisa fortalecer cadeia de fornecedores

Publicado em 08 de Fevereiro de 2019 às 01:30

Públicado em 

08 fev 2019 às 01:30
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

O Parque das Baleias, uma das maiores áreas de exploração de petróleo do país, fica no litoral Sul do Estado. Crédito: Gazeta Online
Há mais de 60 anos, o Espírito Santo desenvolve a atividade petrolífera, iniciada com a exploração terrestre no Norte capixaba pela Petrobras. Mas foi dos anos 2000 em diante que o segmento ganhou fôlego no Estado a partir da descoberta de áreas offshore e do pré-sal no Litoral Sul.
Hoje, somos o segundo maior produtor de petróleo do país, com uma produção de 329 mil barris por dia, e o quarto no ranking de gás natural, com 9,4 milhões de metros cúbicos diários, volumes esses que colocaram o segmento de óleo e gás como protagonista no arranjo produtivo capixaba.
Não à toa, ele já responde por 19% do PIB local, participação maior do que outros segmentos tradicionais da nossa economia, como o da siderurgia e o da mineração. Além disso, dos R$ 51,8 bilhões em investimentos projetados para os próximos cinco anos no Estado, quase 60% virão dessa indústria.
Mas mesmo fazendo parte dos maiores produtores do Brasil, o Espírito Santo ainda está bem longe de ter uma cadeia estruturada em torno do setor petrolífero. Muitos sabem que no nosso litoral existem plataformas, que pelo Norte há cavalos mecânicos extraindo óleo em terra e que a sede da Petrobras está na famosa Avenida Reta da Penha, mas, na prática, as empresas e os empregos dessa área ainda parecem distantes da maioria da população capixaba.
Por mais que há seis décadas a atividade petrolífera aconteça no Espírito Santo, ao longo desse período não se criou uma cultura do petróleo, como vemos em cidades do Rio de Janeiro, que desenvolveram produtos e serviços de excelência com foco no setor. O fato é que a exploração é pujante no Espírito Santo, mas a agregação de valor na área ainda é incipiente por aqui.
Esse gargalo não está na falta de capacidade das empresas e de qualidade da mão de obra locais. Tanto é que nos setores de celulose, siderurgia, mineração, rochas e metalmecânica, o Estado é referência Brasil afora. Patamar que não foi alcançado de uma hora para outra. Foi fruto de um trabalho constante para desenvolver a cadeia de fornecedores. O mesmo, porém, não aconteceu com óleo e gás.
Essa condição de paralisia, entretanto, começou a mudar e, de dois anos para cá, vem ganhando robustez por meio de iniciativas em conjunto da iniciativa pública com a privada. Um dos principais destaques para essa mudança é o trabalho que o Fórum Capixaba de Petróleo e Gás (FCP&G) vem desenvolvendo.
Composto pela Findes, governo do Estado, Petrobras, Shell, Equinor e Prysmian, a entidade passou a pensar o segmento de forma estratégica e com o objetivo de desenvolver o mercado local para atender não apenas às demandas da exploração e produção no Espírito Santo, mas para que as empresas e os profissionais do Estado sejam capazes de atuar em qualquer lugar do mundo.
O coordenador do fórum, Durval Vieira de Freitas, reconhece que o Estado tem tirado pouco proveito do potencial que tem e que, por isso, as entidades vêm trabalhando para agregar valor à cadeia. “Queremos, por exemplo, estimular a instalação de minirrefinarias e trabalhar o aproveitamento do gás. Temos que usar melhor esses recursos e não tratá-los apenas como commodities. Precisamos incentivar o desenvolvimento de inovação e tecnologia e oferecer condições e informações para que as nossas empresas entendam quais são as demandas desse setor.”
Uma estratégia que o fórum intensificou e que tem dado bons frutos é a autopromoção. Representantes da organização têm apresentado o Estado para empresas multinacionais e atuado em parceria com entidades como IBP, Onip, Abpip, Abespetro, entre outras. “Não adianta fazer e não ser conhecido”, avalia Freitas.
Com essa certa dose de cara de pau, a atuação do Espírito Santo está conseguindo até “invadir” o terreno do vizinho. Na última semana, integrantes do FCP&G fizeram o lançamento do Anuário da Indústria do Petróleo no ES, produzido pelo Ideies, na Casa Firjan, no Rio de Janeiro.
O que no primeiro momento poderia soar como petulância – o Espírito Santo querer ganhar mercado justamente no Rio, maior produtor de petróleo do país e que tem milhares de empresas concorrendo nos negócios – se transformou em uma importante aproximação entre Estados, companhias e entidades. A expectativa é que encontros como esse ou mesmo cursos que estão sendo oferecidos se traduzam em conhecimento, expertise e oportunidades.
A verdade é que esse é um segmento grande e importante demais para o Espírito Santo continuar de coadjuvante. O Estado demorou para perceber e aproveitar as oportunidades. Agora que as enxergou, não deve abrir mão jamais.
Brasil perdeu o melhor momento para fazer reformas
O professor da Dom Cabral e doutor em História Social Francisco Teixeira disse que o Brasil perdeu “uma enorme chance de ter feito reformas em 2017 e 2018”, quando o cenário internacional era favorável.
“Agora, vamos ter que fazer isso em uma fase não tão boa, em que há grandes riscos externos como guerra comercial, enfrentamento geopolítico e corrida armamentista”, citou durante palestra em evento da DVF, na última quarta.
Para ele, o governo de Bolsonaro terá que ser ágil na aprovação da reforma da Previdência, caso contrário as mudanças na aposentadoria mais uma vez vão minguar. “Muitos especialistas dizem que a reforma tem que passar nos seis a oito primeiros meses. Eu acredito que isso tem que acontecer nos três primeiros.”
Eco$nomia - Tirinha do Arabson - 08/02/2019 Crédito: Arabson

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Horóscopo semanal: previsões dos signos de 27 de abril a 03 de maio de 2026
Polícia divulga vídeo de racha que terminou em acidente na Leste-Oeste
Polícia divulga vídeo de racha e pede prisão de namorado de universitária morta no ES
Imagem de destaque
O que o consumo de carne de burro na Patagônia revela sobre a atualidade da Argentina

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados