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Reflexos da Covid-19

ES pode ter o pior PIB da história em 2020

Especialistas ouvidos pela coluna avaliam que a recessão no Espírito Santo pode ser mais intensa do que a projetada para o país em função do coronavírus

Publicado em 18 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

18 abr 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Economias mundiais devem apresentar recessão em 2020
Economias mundiais devem apresentar recessão em 2020 Crédito: Gerd Altmann/Pixabay
Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou projeções para o crescimento global. 3% é o percentual que o órgão acredita que o mundo vai encolher diante do cenário de pandemia do novo coronavírus. Seria o pior resultado desde a Grande Depressão, nos anos 1930.
Para o Brasil, a perspectiva de recessão é ainda mais dramática: queda de 5,3% em 2020, um índice que, se for confirmado, será o mais baixo da série histórica medida pelo IBGE.
As incertezas ainda são muitas e a dificuldade de enxergar como será o comportamento da doença no país nas próximas semanas e meses deixa qualquer prospecção de PIB com ares de futurologia, por mais que os números venham de instituições respeitadíssimas. Conforme o tempo passa, entretanto, a única certeza que aumenta é que a recessão está contratada, mesmo que continuemos sem saber se a queda será de 1% ou de 6%.
Ainda que os números não sejam conclusivos e eles tendam a mudar muito rapidamente, trabalhar com prospecções pode ajudar a quantificar o tamanho do desafio que temos pela frente e quais ações e estratégias devem ser adotadas para que as economias busquem se reerguer.
No Espírito Santo, até o momento, não há projeções oficiais sobre como será o comportamento do PIB neste ano. Mas a coluna ouviu economistas e analistas para entender o que nos espera no decorrer de 2020. Todas as fontes ouvidas, em on ou em off, foram unânimes em dizer que a tendência é que os números capixabas sejam ainda mais pessimistas do que os do Brasil.
Para eles, a exemplo do que pensam o economista Orlando Caliman e o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, o tombo por aqui pode ser o maior já registrado pelo Espírito Santo. A retração pode ser pior do que a de 2016, quando o PIB caiu 5,2%, diante da crise econômica brasileira e da paralisação das atividades da Samarco, e mais acentuada do que em 2009, ano em que o Estado foi muito impactado pela crise americana do subprime, que levou o PIB capixaba a uma queda de 6,9%.
O argumento dos especialistas para a economia capixaba sofrer mais do que a brasileira está associado, entre outros pontos, à característica de grande abertura para o comércio exterior e ao fato de o ES ser um grande produtor e exportador de commodities. Isso faz com que crises internacionais abatam mais fortemente o Estado.
2009 mostra claramente essa relação. Enquanto o Brasil praticamente ficou com a economia estável, com uma retração de 0,1%, o Espírito Santo amargou o seu pior resultado até aqui, quase -7%.
A notícia boa é que no momento de recuperação, o Estado também tende a se reerguer primeiro. Em 2010, por exemplo, a economia local cresceu na casa dos dois dígitos. O Brasil avançou 7,5%, e o Estado pomposos 15%.
Como nesta pandemia do coronavírus há várias correntes que acreditam que, logo após à crise, o mundo vai reagir rapidamente, com o que eles chamam de recuperação em V, o Espírito Santo terá plenas condições de se destacar positivamente. Pelo gráfico acima dá para observar que já vivenciamos uma situação semelhante.
Antes da recuperação, porém, devemos amargar uma queda significativa no PIB. Uma fonte me contou que calcula uma retração entre 10% e 12%, mas como ainda há alguns fatores de incerteza, ela preferiu não se identificar e nem tratar a projeção como algo oficial.
O que a levou a esse resultado foi principalmente a perda que o Estado vai sofrer no setor de petróleo e gás, que é um segmento com peso elevado na formação do PIB capixaba. Como esse setor passa por uma crise de preços, de demanda e ainda, no Estado, a produção está em declínio, tudo isso vai influenciar no desempenho da economia. Além do petróleo, o setor siderúrgico, em baixa no mercado, e o de comércio, que prevê muitas demissões, deverão pesar negativamente para os resultados de 2020.
O economista Orlando Caliman faz uma ressalva. Ele pondera que mesmo que os números do PIB do Espírito Santo sejam mais pessimistas do que os do país, no dia a dia da população capixaba, o impacto é menos severo. 
"Se não fosse o petróleo, poderíamos ter um desempenho mais próximo ao que terá o país. O setor acaba camuflando a nossa real atividade econômica. Além disso, temos que lembrar que estamos num Estado organizado e isso vai nos ajudar a enfrentar melhor a crise"
Orlando Caliman - Economista
Outra questão favorável, desta vez destacada por Pablo Lira, é o segmento de celulose. A Suzano já anunciou a retomada de uma unidade em Aracruz, aumento da produção e a construção de uma fábrica de papel higiênico em Cachoeiro de Itapemirim. 
"Esses investimentos tendem a amenizar os demais impactos. Há perspectiva de alta na produção e criação de empregos"
Pablo Lira - Presiente do IJSN
Mesmo com alguns pontos positivos, a balança ainda está pesando para o lado da retração. Qual será o dado do desempenho da economia, ao final do ano, isso vai depender da capacidade que os gestores públicos e a sociedade vão ter de combater o avanço do coronavírus e de adotar medidas de amparo à economia. Neste caso, diferentemente das projeções do PIB, não podemos errar.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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