Depois de passar os últimos quatro anos sob o comando de Decio Luiz Chieppe, o grupo Águia Branca tem novo presidente. Renan Chieppe, também da segunda geração da família, é quem ficará à frente do maior grupo empresarial capixaba até 2022. O executivo, que completa neste mês 39 anos de empresa, conversou com a coluna sobre os negócios da holding, projetos para o futuro e qual a sua expectativa para a gestão.
Mesmo sabendo que terá que administrar 16 mil funcionários e negócios formados por diferentes empresas – como de transporte terrestre e aéreo de passageiros, comércio de veículos e logística –, Renan lida com o desafio de forma muito natural e diz que todo o processo de governança, construído pelo grupo nos últimos anos, permite que as mudanças agreguem e não representem qualquer tipo de ameaça para os planos e resultados da companhia.
"As oportunidades se desenvolvem melhor quando você as enxerga primeiro ou quando, pelo menos, você está pronto para elas. Em tudo, a gente tenta ter essa visão adiante"
O empresário reforça que a preocupação com a boa gestão e a sucessão está na veia da empresa e lembra que, há décadas, os sócios trabalham a cultura de que a gestão deve ser profissional e impessoal, mesmo tratando-se de uma empresa familiar. “A gente tem um pensamento, inclusive muito citado pelo Aylmer (um dos fundadores do grupo), que traduz isso. Ele costuma dizer: ‘As pessoas passam, a organização não’. Para nós, a organização tem que permanecer e prevalecer. Essa frase sintetiza muito no que acreditamos”, enfatiza Renan.
Ao tirar o foco dos familiares e dos gestores, os acionistas jogam holofotes para pontos que, para eles, são os responsáveis por fazer a empresa prosperar. De acordo com o novo presidente, o combo “estratégia, pessoas e inovação” é a prioridade da organização, que está no mercado desde 1946, e que mesmo no período de crise recente do país se manteve sólida e com resultados crescentes.
Em 2018, por exemplo, fechou com faturamento de R$ 5,9 bilhões e passou o seu quadro de 12.500 funcionários para 16 mil. Também foi no ano passado que uma das divisões do grupo, a Vix Logística, lançou produtos como o V1 - aplicativo de transporte - e adquiriu, por R$ 200 milhões, a empresa especializada em terceirização e gestão de frotas Let’s Rent a Car.
Para 2019, os planos são de um crescimento de pelo menos 10%, ou seja, alcançar um faturamento de R$ 6,6 bilhões. Renan Chieppe não detalhou se, ao longo deste ano, serão feitas mais aquisições ou investimentos em novos projetos. Mas adiantou que existe no radar da companhia a possibilidade de comprar outros ativos e que o Grupo Águia Branca trabalha com novidades. “Só na área de passageiros, temos quatro projetos de tecnologia em estudo que seriam novos negócios. Estamos discutindo eles com parceiros. Nas outras divisões também existem projetos em avaliação.”
O direcionamento para a inovação tem sido forte entre o grupo, assim como o planejamento para o médio e longo prazos. Os planos são desenhados pensando nos próximos dez anos e a cada dois são revisados pelos gestores. Renan reconhece que é um desafio pensar dez anos na frente, mas pontua que isso é extremamente necessário para que a empresa tenha a capacidade de aproveitar as oportunidades.
“Em todos os negócios, estamos muito focados nessa visão de médio e longo prazos. Gastamos bastante tempo com isso e acreditamos na importância de fazer visitas e missões a outras empresas e países que são referências. Liderar movimentos e ser pioneiro é muito importante. As oportunidades se desenvolvem melhor quando você as enxerga primeiro, ou quando, pelo menos, você está pronto para elas. Em tudo, tentamos ter essa visão adiante”, destaca o empresário.
Sob sua gestão, Renan frisa que pretende aproximar inovação e pessoas. “O meu desafio é contribuir para que a gente consiga desenvolver a cultura das pessoas de serem inovadoras na forma de pensar o negócio. Não adianta comprar o melhor software, se você não tiver um time com DNA e competências para ser inovador nos negócios.”
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Nome: Carlos Antônio Marianelli
Empresa: Grupo Compose
No mercado: desde 1993
Negócio: comercialização de produtos para construção e decoração
Atuação: Vitória, Serra e Miami (EUA)
Funcionários: 100 diretos
Economia: Tem sido o calcanhar de aquiles do Brasil.
Pedra no sapato: O excesso e a complexidade das regulamentações e do sistema tributário do país.
Tenho vontade de fechar as portas quando: O governo cria mais uma regulamentação que tem que ser seguida pelos empresários.
Solto fogos quando: O governo anunciar que vai fazer a reforma tributária.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: Implantaria um sistema tributário mais simples e eficiente.
Minha empresa precisa evoluir em: Vendas pela internet.
Se começasse um novo negócio seria...: No mesmo ramo, só que apenas com o comércio virtual.
Futuro: Esperamos expandir no mercado americano. Quanto ao país, dependemos do resultado das reformas para saber se será um futuro otimista ou pessimista.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: Jeff Bezos, dono da Amazon. Ele foi capaz de enxergar o comércio eletrônico antes de todo mundo.
HOMENAGEM VIRA TRETA ENTRE FUNCIONÁRIOS
A Infraero resolveu prestar uma homenagem aos seus profissionais fixando uma faixa, no saguão do Aeroporto de Vitória, com o nome de 158 empregados. Mas, ao invés de gerar um clima de reconhecimento, o material acabou criando discórdia entre os trabalhadores.
Um grupo de cerca de 60 pessoas da navegação aérea se sentiu desprestigiado com o “esquecimento”. “Será que meteorologistas, controladores, profissionais e especialistas do serviço de informações aeronáuticas não foram importantes? Alguns estão pensando, inclusive, em processar a empresa por assédio moral”, desabafou um funcionário da Infraero.
A Infraero esclarece que a placa em questão é parte de um conjunto de ações de reconhecimento do trabalho de todos os empregados do aeroporto, que com seus empenhos fizeram o Aeroporto de Vitória ser o melhor do Brasil na categoria até 5 milhões de embarques e desembarques por ano, conforme apontou a pesquisa de satisfação do passageiro do 4o. trimestre de 2018, realizada pela Secretaria de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura.
ENERGIA QUE VEM DO LIXO
A capixaba Marca Ambiental se prepara para produzir energia a partir do biogás gerado na decomposição dos resíduos orgânicos. A ideia é que a produção comece em outubro deste ano. A empresa irá dividir o projeto em duas etapas, sendo a primeira com três motogeradores e a segunda com dois, que serão importados da Áustria e irão transformar o lixo orgânico – que corresponde a 53% das 1,3 mil toneladas por dia que são recebidos na empresa – em energia. A capacidade de geração será de até 5 megas (MW) de potência, o equivalente ao consumo de 20 mil residências.
FOLIA GASTRONÔMICA
Passado o carnaval, está aberta agora a temporada dos chocolates. Aliás, quem foi aos supermercados ainda durante a folia já viu muitos supermercados da Grande Vitória vendendo ovos de Páscoa.
DEBATENDO OS RISCOS
Nomes como o do diretor executivo de Governança e Conformidade da Petrobras, Rafael Mendes Gomes, e do superintendente-geral do Cade, Alexandre Cordeiro Macedo, farão parte do II Fórum Brasil GRC – Governança, Riscos e Compliance, que vai acontecer no próximo dia 8, em Vitória.