Nos próximos dias, 2.400 veículos da Ford que foram produzidos em Camaçari, na Bahia, serão movimentados e exportados pelo Porto de Capuaba, localizado no complexo do Porto de Vitória. Os carros já começaram a chegar ao Estado e estão sendo armazenados em uma retroárea de mais de 50 mil metros quadrados.
Essa é, em um primeiro momento, uma operação pontual, mas pode abrir as portas para novos negócios entre a montadora norte-americana e players do sistema portuário capixaba.
A decisão da Ford de trazer os veículos para serem escoados pelo Estado acontece após o anúncio da empresa, em janeiro, de encerrar as suas atividades fabris no Brasil. Com o fechamento das plantas industriais, entre elas a baiana, por questões de segurança, a companhia achou melhor retirar os carros dos pátios em Camaçari, conforme contou à coluna o diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Codesa, Bruno Fardin.
“Eles estavam com receio de haver algum tipo de vandalismo, como carros serem depredados em função da pressão pelo fechamento da unidade, então, tinham uma urgência em retirá-los da fábrica e optaram por trazê-los para cá.”
De acordo com o diretor, a operação com a Ford é simbólica, já que ela acontece justamente em um momento em que a Codesa e empresas que atuam no porto estão trabalhando para aumentar a importação de veículos e passar a oferecer a retroárea de Capuaba como opção de local de armazenagem desse tipo de carga.
No início deste ano, por exemplo, a Log-In venceu a licitação, feita pela Codesa, e terá o direito de explorar a retroárea de 54 mil m² pelo período de 180 dias. Ela aguarda apenas uma validação por parte da Antaq, esperada para as próximas semanas. A expectativa, conforme relatou Fardin, é que cerca de 30 mil veículos sejam movimentados por ano.
Além desse número, que já estava nos planos da Log-In, o diretor conta que a empresa vê como potencial o incremento de outros 30 mil veículos com possível parceria junto à Ford.
"A Log-In está participando de uma licitação para a importação dos carros da Ford. Ou seja, existe potencialmente a possibilidade de os carros serem importados da Argentina, onde a montadora continuou com operação fabril"
Para o executivo, a movimentação dos 2.400 veículos pode inclusive funcionar como uma espécie de teste para a multinacional norte-americana conhecer melhor as operações complexo do Porto de Vitória e avaliar se o Estado pode passar a ser o importador dos seus automóveis.
Bruno Fardin pondera que o porto e o Espírito Santo têm muito a ganhar com o incremento das operações veiculares, uma vez que essa carga tem alto valor agregado.
“Nos inserimos de forma mais competitiva e aumentamos a atratividade para o negócio. A empresa passa a ser financeiramente mais eficiente. Tudo isso também faz parte da estratégia de desestatização da Codesa e ajuda no valuation [preço] da companhia. Sem contar que no caso da retroárea de Capuaba é um contrato de 6 meses, o que não atrapalha o processo de desestatização. A empresa que vier a ganhar o leilão vai ter opção de continuar ou não com esse contrato.”
O diretor lembra que há anos, o Porto de Vitória ficou sem oferecer retroárea para a armazenagem de veículos. Os automóveis que até então chegavam ao porto ou eram enviados para os chamados portos secos, como os que existem no Contorno, na Serra, ou seguiam para os seus Estados de destino.