Um fundo árabe e outros investidores têm procurado o governo federal interessados em viabilizar um trecho ferroviário ligando Anchieta, no Sul capixaba, ao Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte fluminense.
O investimento no ramal seria uma continuidade do traçado que será feito pela Vale para conectar Cariacica, onde há a Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM), ao município de Anchieta.
Por enquanto, trata-se de conversas iniciais, conforme contou à coluna Marcos Kleber Felix, assessor especial do ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas.
"A conversa ainda é muito embrionária e não posso dar detalhes agora, mas a gente já está conversando com players para verificar a possibilidade de se fazer esse ramal como uma linha autorizada"
A linha autorizada a que Felix se refere é um novo mecanismo que poderá ser utilizado para investimentos em projetos a partir da aprovação do novo marco regulatório das ferrovias, o PLS 261, que está no Senado.
O regime de autorização é menos burocrático e mais flexível na comparação com as atuais concessões, que requerem, por exemplo, a necessidade de um leilão. Esse modelo é similar ao adotado no segmento portuário com os TUPs (Terminais de Uso Privado).
Caso o PLS 261 seja aprovado no Congresso e os investidores internacionais decidam pela viabilização do investimento no ramal Anchieta-Porto do Açu, o Espírito Santo fortalece a sua infraestrutura e logística, ampliando a capacidade de atrair negócios e se tornar mais competitivo.
A efetivação de um ramal no Sul capixaba pode inclusive ajudar a acelerar outro importante empreendimento previsto para o Estado: o Porto Central, em Presidente Kennedy.
Por enquanto, o que está mais próximo de acontecer é a construção pela Vale do ramal de cerca de 90 quilômetros de extensão entre Cariacica e Anchieta, que é orçado em torno de R$ 3 bilhões.
"É um investimento para breve. Eu tenho notícias que a Vale está em campo essa semana fazendo tratativas para destravar o investimento", comentou Marcos Kleber Felix.
O cronograma da companhia prevê que as obras sejam iniciadas em 2023 e a ferrovia comece a operar em 2026. Neste ano, entre as etapas do projeto que serão trabalhadas pela empresa estão: licenciamento ambiental, aquisição de áreas e engenharia detalhada.