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Negócios

Grupo gaúcho investe no ES para produzir sorvete servido na casca da fruta

Empresários do Rio Grande do Sul vão investir até R$ 40 milhões em uma fábrica de sorvetes em Linhares, no Norte do Estado. Operação é prevista para começar em julho e serão criados cerca de 40 empregos

Publicado em 28 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

28 abr 2021 às 02:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Sorvete servido na casca da fruta. Produto que vai ser feito pela Craf Brasil, em Linhares. é inspirado em sorvete produzido por empresa da África do Sul
Sorvete servido na casca da fruta. Produto que vai ser feito pela Craf Brasil, em Linhares, é inspirado em sorvete (foto) produzido por empresa da África do Sul Crédito: Island Way Sorbet/Divulgação
Um grupo de investidores do Rio Grande do Sul vai abrir uma fábrica de sorvetes no município de Linhares, no Norte do Espírito Santo. Com investimento inicial de R$ 8 milhões e previsão de chegar a R$ 40 milhões, conforme consta nos planos de expansão, a Craf Brasil vai produzir um sorvete que é servido na casca da própria fruta.
A coluna conversou com um dos quatro sócios do negócio, o diretor administrativo-financeiro César Camargo. Segundo ele, trata-se de um produto inédito no país e que vai começar a ser produzido a partir de julho deste ano na unidade, em fase de montagem em Bebedouro, às margens da BR 101.
A ideia é fabricar cinco sabores de sorvetes: chocolate (cacau), abacaxi, laranja, limão e coco. Todos eles vão ser envazados nas cascas das suas respectivas frutas.
Camargo conta que ele e os sócios - Francisco Novelleto Neto, Rafael Ost e Alcindo Dedavid - atuavam no ramo varejista de eletrônicos, com a rede Multisom. A empresa chegou a ter mais de 130 lojas em três Estados do Sul do país (RS, SC e PR) e 2 mil funcionários, mas em 2019 o negócio foi vendido para o grupo Schumann.
Sorvete servido na casca da fruta. Produto que vai ser feito pela Craf Brasil, em Linhares. é inspirado em sorvete produzido por empresa da África do Sul
Uma das etapas de produção de sorvete servido na casca da fruta, feito pela empresa sul africana Island Way Sorbet Crédito: Island Way Sorbet/Reprodução
"Daí para frente começamos a pensar em novos projetos e queríamos algo inovador. Foi então que lembramos de um sorvete que tomamos em Miami (nos EUA), que era de uma empresa da África do Sul, e nos inspiramos nele. Começamos a pesquisar sobre esse mercado e sobre o produto e decidimos investir no ramo."
De acordo com ele, foram realizados experimentos e pesquisas junto à Unisinos, universidade em Porto Alegre, além de estudos e testes em uma empresa de São Paulo que também atende a Nestlé. Para desenvolver a fórmula do sorvete, foi contratado o consultor Francisco Medeiros, que atua há décadas no mercado sorveteiro.
"Estamos animados em trazer um novo produto e acreditamos que ele tem grande apelo de mercado. Vai ser um sorvete de alta qualidade e que vai trazer a experiência multissensorial, de sabor, textura e o visual da fruta"
César Camargo - Sócio e diretor administrativo-financeiro da Craf Brasil

PRODUÇÃO TERÁ FOCO NAS CLASSES A E B

Os empresários projetam uma produção de 250 mil litros de sorvetes para o primeiro ano de operação da fábrica, o que é equivalente a cerca de 350 mil itens. Mas, segundo César Camargo, a ideia é trabalhar a partir do segundo ano com uma fabricação de 100 mil litros por mês.
Com foco nas classes A e B, o sorvete na fruta mira inicialmente nos mercados do Sudeste, da Bahia e da Região Sul. Em um segundo momento, a companhia espera ganhar mercados internacionais, a começar pela América do Sul.
A comercialização dos produtos - que vão ser vendidos em caixas de forma sortida e por sabor - vai acontecer por atacado, a partir de parcerias junto a grandes supermercados.
Fábrica de sorvetes da Craf Brasil em montagem no município de Linhares
Fábrica de sorvetes da Craf Brasil em montagem no município de Linhares Crédito: Craf Brasil/Divulgação

MÃO DE OBRA VAI SER CONTRATADA A PARTIR DE JUNHO

A previsão é que sejam contratados de 30 a 40 profissionais para atuar na operação da fábrica em Linhares. As vagas vão ser para diferentes níveis de escolaridade, passando pelo fundamental, médio, técnico e superior.
A previsão é que o processo de recrutamento seja iniciado em junho deste ano. Canais para o envio de currículo ainda não foram divulgados pela empresa.
Com a expansão da unidade, a expectativa é que o número de trabalhadores chegue a 120, mas a ampliação do quadro de pessoal deve acontecer só daqui alguns anos.

A DECISÃO PELO ES E POR LINHARES 

O sócio da Craf Brasil César Camargo explica que a decisão por instalar a planta industrial no Espírito Santo foi motivada por diversos pontos, entre eles a localização estratégica do Estado, que apresenta um raio de cobertura de 1.000 quilômetros das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.
Sobre Linhares, o empreendedor destacou que a empresa buscou o município pelo fato de a região ser uma referência na produção de cacau, além de oferecer outras vantagens.
"Para o nosso projeto, utilizamos o cacau como matéria-prima. E como o cacau é uma fruta em que a oxidação é intensa, procuramos opções de mercados que estivessem próximos às lavouras. Fomos muito bem recebidos em Linhares, conseguimos fechar com um fornecedor importante e também nos enquadramos em benefícios, então, decidimos por investir."
Fábrica de sorvetes da Craf Brasil ficará em Bebedouro, Linhares
Fábrica de sorvetes da Craf Brasil ficará em Bebedouro, Linhares Crédito: Felipe Reis/Prefeitura de Linhares
Por enquanto, as parcerias e contratos junto a produtores rurais se limitam ao cacau, mas Camargo afirma que na próxima semana ele terá uma reunião com a equipe da Secretaria de Agricultura de Linhares com objetivo de ampliar o fornecimento. "Queremos estimular o desenvolvimento de fornecedores na região. Assim, todos ganham."
O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, enfatiza o impulso que o projeto da Craf pode trazer para o município. Ele avalia que a indústria vai ampliar e fortalecer a cadeia produtiva da fruticultura.
“Esta nova indústria reforça a vocação regional, já que no Norte do Estado estão os maiores produtores de frutas do Espírito Santo como o cacau, maracujá, coco e mamão. Então, a nossa produção vai ter a chance de ser industrializada aqui, gerando mais valor agregado”, disse o prefeito ao citar que a instalação de outras plantas industriais, a exemplo das de café solúvel, confirma a tendência do município em sediar projetos que agregam valor aos produtos do agronegócio capixaba.
Segundo o gestor, mesmo em meio ao momento adverso de pandemia do novo coronavírus, o município não deixou de trabalhar na atração de negócios e destaca que a qualidade do capital humano e a infraestrutura oferecida contribuem para a tomada decisão de investidores.
Guerino Zanon (MDB) é empossado em Linhares
Guerino Zanon (MDB) é prefeito de Linhares Crédito: Felipe Tozatto
"Temos feito contato com grandes empresas para que, mesmo com esse momento econômico difícil, estes investimentos sigam gerando emprego e oportunidades para os linharenses"
Guerino Zanon - Prefeito de Linhares

ELOGIOS AO ES

O sócio e diretor administrativo-financeiro da Craf Brasil, César Camargo, foi só elogios ao Espírito Santo e aos seus gestores públicos. Ele contou à coluna que se surpreendeu positivamente com o tratamento que a empresa e os seus sócios vêm recebendo tanto na esfera municipal quanto na estadual.
"Eu reconheço a qualidade dos administradores do ES, de Linhares e do governo estadual. São homens públicos muito profissionais, que até o momento não tiveram nenhuma conduta fora do lugar. É um trabalho que vem sendo feito com muita seriedade. Não é à toa que o Espírito Santo é o único Estado do país que está organizado. E em Linhares a equipe do Desenvolvimento Econômico é modelar e nos acolheu muito bem. Tô fazendo questão de te falar isso porque essa não é uma realidade que encontramos pelo país. Espero que todos continuem a seguir nesse caminho e o resto do Brasil veja o Espírito Santo como exemplo."

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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