Um grupo de investidores do Rio Grande do Sul vai abrir uma fábrica de sorvetes no município de Linhares, no Norte do Espírito Santo. Com investimento inicial de R$ 8 milhões e previsão de chegar a R$ 40 milhões, conforme consta nos planos de expansão, a Craf Brasil vai produzir um sorvete que é servido na casca da própria fruta.
A coluna conversou com um dos quatro sócios do negócio, o diretor administrativo-financeiro César Camargo. Segundo ele, trata-se de um produto inédito no país e que vai começar a ser produzido a partir de julho deste ano na unidade, em fase de montagem em Bebedouro, às margens da BR 101.
A ideia é fabricar cinco sabores de sorvetes: chocolate (cacau), abacaxi, laranja, limão e coco. Todos eles vão ser envazados nas cascas das suas respectivas frutas.
Camargo conta que ele e os sócios - Francisco Novelleto Neto, Rafael Ost e Alcindo Dedavid - atuavam no ramo varejista de eletrônicos, com a rede Multisom. A empresa chegou a ter mais de 130 lojas em três Estados do Sul do país (RS, SC e PR) e 2 mil funcionários, mas em 2019 o negócio foi vendido para o grupo Schumann.
"Daí para frente começamos a pensar em novos projetos e queríamos algo inovador. Foi então que lembramos de um sorvete que tomamos em Miami (nos EUA), que era de uma empresa da África do Sul, e nos inspiramos nele. Começamos a pesquisar sobre esse mercado e sobre o produto e decidimos investir no ramo."
De acordo com ele, foram realizados experimentos e pesquisas junto à Unisinos, universidade em Porto Alegre, além de estudos e testes em uma empresa de São Paulo que também atende a Nestlé. Para desenvolver a fórmula do sorvete, foi contratado o consultor Francisco Medeiros, que atua há décadas no mercado sorveteiro.
"Estamos animados em trazer um novo produto e acreditamos que ele tem grande apelo de mercado. Vai ser um sorvete de alta qualidade e que vai trazer a experiência multissensorial, de sabor, textura e o visual da fruta"
PRODUÇÃO TERÁ FOCO NAS CLASSES A E B
Os empresários projetam uma produção de 250 mil litros de sorvetes para o primeiro ano de operação da fábrica, o que é equivalente a cerca de 350 mil itens. Mas, segundo César Camargo, a ideia é trabalhar a partir do segundo ano com uma fabricação de 100 mil litros por mês.
Com foco nas classes A e B, o sorvete na fruta mira inicialmente nos mercados do Sudeste, da Bahia e da Região Sul. Em um segundo momento, a companhia espera ganhar mercados internacionais, a começar pela América do Sul.
A comercialização dos produtos - que vão ser vendidos em caixas de forma sortida e por sabor - vai acontecer por atacado, a partir de parcerias junto a grandes supermercados.
MÃO DE OBRA VAI SER CONTRATADA A PARTIR DE JUNHO
A previsão é que sejam contratados de 30 a 40 profissionais para atuar na operação da fábrica em Linhares. As vagas vão ser para diferentes níveis de escolaridade, passando pelo fundamental, médio, técnico e superior.
A previsão é que o processo de recrutamento seja iniciado em junho deste ano. Canais para o envio de currículo ainda não foram divulgados pela empresa.
Com a expansão da unidade, a expectativa é que o número de trabalhadores chegue a 120, mas a ampliação do quadro de pessoal deve acontecer só daqui alguns anos.
A DECISÃO PELO ES E POR LINHARES
O sócio da Craf Brasil César Camargo explica que a decisão por instalar a planta industrial no Espírito Santo foi motivada por diversos pontos, entre eles a localização estratégica do Estado, que apresenta um raio de cobertura de 1.000 quilômetros das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.
Sobre Linhares, o empreendedor destacou que a empresa buscou o município pelo fato de a região ser uma referência na produção de cacau, além de oferecer outras vantagens.
"Para o nosso projeto, utilizamos o cacau como matéria-prima. E como o cacau é uma fruta em que a oxidação é intensa, procuramos opções de mercados que estivessem próximos às lavouras. Fomos muito bem recebidos em Linhares, conseguimos fechar com um fornecedor importante e também nos enquadramos em benefícios, então, decidimos por investir."
Por enquanto, as parcerias e contratos junto a produtores rurais se limitam ao cacau, mas Camargo afirma que na próxima semana ele terá uma reunião com a equipe da Secretaria de Agricultura de Linhares com objetivo de ampliar o fornecimento. "Queremos estimular o desenvolvimento de fornecedores na região. Assim, todos ganham."
O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, enfatiza o impulso que o projeto da Craf pode trazer para o município. Ele avalia que a indústria vai ampliar e fortalecer a cadeia produtiva da fruticultura.
“Esta nova indústria reforça a vocação regional, já que no Norte do Estado estão os maiores produtores de frutas do Espírito Santo como o cacau, maracujá, coco e mamão. Então, a nossa produção vai ter a chance de ser industrializada aqui, gerando mais valor agregado”, disse o prefeito ao citar que a instalação de outras plantas industriais, a exemplo das de café solúvel, confirma a tendência do município em sediar projetos que agregam valor aos produtos do agronegócio capixaba.
Segundo o gestor, mesmo em meio ao momento adverso de pandemia do novo coronavírus, o município não deixou de trabalhar na atração de negócios e destaca que a qualidade do capital humano e a infraestrutura oferecida contribuem para a tomada decisão de investidores.
"Temos feito contato com grandes empresas para que, mesmo com esse momento econômico difícil, estes investimentos sigam gerando emprego e oportunidades para os linharenses"
ELOGIOS AO ES
O sócio e diretor administrativo-financeiro da Craf Brasil, César Camargo, foi só elogios ao Espírito Santo e aos seus gestores públicos. Ele contou à coluna que se surpreendeu positivamente com o tratamento que a empresa e os seus sócios vêm recebendo tanto na esfera municipal quanto na estadual.
"Eu reconheço a qualidade dos administradores do ES, de Linhares e do governo estadual. São homens públicos muito profissionais, que até o momento não tiveram nenhuma conduta fora do lugar. É um trabalho que vem sendo feito com muita seriedade. Não é à toa que o Espírito Santo é o único Estado do país que está organizado. E em Linhares a equipe do Desenvolvimento Econômico é modelar e nos acolheu muito bem. Tô fazendo questão de te falar isso porque essa não é uma realidade que encontramos pelo país. Espero que todos continuem a seguir nesse caminho e o resto do Brasil veja o Espírito Santo como exemplo."