Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Infraestrutura

Marco do saneamento é impulso para a saúde e para a economia do país

Aprovação do texto, que prevê a abertura de licitação para serviços de água e esgoto, traz perspectivas positivas para o setor de saneamento, mas é fundamental que novas regras não deixem os mais pobres desassistidos

Publicado em 25 de Junho de 2020 às 04:00

Públicado em 

25 jun 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

No Espírito Santo, 1,7 milhão de pessoas vivem em locais que não contam com rede de esgoto
No Espírito Santo, 1,7 milhão de pessoas vivem em locais que não contam com rede de esgoto Crédito: Fernando Madeira
aprovação no Senado do projeto de lei que trata do novo marco regulatório do saneamento traz perspectivas muito positivas do ponto de vista da saúde e da economia, justamente as duas áreas que, neste momento de pandemia do novo coronavírus, estão no cerne dos debates e demandam ações efetivas das iniciativas pública e privada.
Após dois anos com o tema na mesa, o Congresso Nacional finalmente conseguiu avançar em uma pauta tão essencial e que diz respeito a tantos brasileiros. É de envergonhar que, em pleno século XXI, o país ainda não ofereça acesso à água tratada a 35 milhões de pessoas e outras 100 milhões não possuam coleta de esgoto. No Espírito Santo 1,7 milhão de capixabas vivem em locais que não contam com rede de esgoto e 745 mil tem sequer água encanada.
Esses números da falta do saneamento básico ficaram ainda mais escancarados com a Covid-19, uma vez que a lavagem das mãos é um dos principais cuidados para a saúde e uma das formas mais eficazes de proteção contra o vírus. Portanto, ter novas regras com o objetivo de universalizar o acesso à água e ao esgoto tratados é uma vitória envolta de ainda mais simbolismo dado o momento em que ela é conquistada.
Ao ter aprovado o marco legal do saneamento, o Senado contribui também para que, de agora em diante, seja criado um círculo virtuoso para a fragilizada economia brasileira, já que o texto permite uma maior abertura do segmento à iniciativa privada.
O setor de saneamento exige recursos vultosos, algo que há tempos não faz parte da realidade das administrações públicas, que são as responsáveis por gerir mais de 90% das companhias que prestam os serviços de água e esgoto no país.
Com a pandemia e a grave crise econômica que o Brasil atravessa e ainda terá que encarar pela frente, o capital para investimentos entre essas companhias públicas ficará cada vez mais escasso, o que levaria a uma estagnação ou até retrocesso na prestação de serviços. Ao abrir esse mercado para a iniciativa privada, o país abre caminho para que investimentos mais robustos sejam realizados. Há uma projeção de que poderão ser tirados do papel de R$ 500 bilhões a R$ 700 bi em projetos. No Espírito Santo, conforme mostrou a colega Natalia Bourguignon, serão necessários R$ 9 bilhões para fazer chegar água e esgoto tratados a todos os capixabas.
Sem contar que mais investimentos representam também mais empregos. O governo federal estima com a nova lei potencial para a criação de 1 milhão de vagas nos próximos cinco anos. O movimento é mais do que bem-vindo em um país que lida nos últimos anos com um debilitado mercado de trabalho, que tende a se deteriorar ainda mais com a pandemia
Dito isso, há de se destacar que a abertura do setor de saneamento para a iniciativa privada não pode vir a se transformar num passaporte para ampliar as desigualdades e penalizar as populações mais pobres. O que se espera é que o novo marco regulatório implique em mais competição, eficiência e investimentos, e não em prejuízos aos mais vulneráveis.
O temor é que haja uma elevação de tarifas ou mesmo que municípios mais pobres e menos populosos não atraiam as empresas por não oferecerem uma operação rentável.
Por isso, será determinante que os editais e os contratos definam regras claras e com a previsão de pontos que garantam que as populações historicamente desassistidas não sejam ignoradas e abandonadas. Dentro desse escopo, será fundamental órgãos fiscalizadores atuantes, que acompanhem de perto todo o processo e sejam capazes de cobrar o cumprimento de prazos, de metas, de alcance e da entrega com qualidade dos serviços.
A universalização do saneamento básico deve ser um objetivo comum da sociedade, mas para ser efetiva, ela não pode jamais punir os mais pobres.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Secretaria de Estado da Educação afirma que determinou retirada dos equipamentos quando teve ciência do fato
Escola estadual de Linhares instala câmeras em banheiros e gera polêmica
A dificuldade de contratar mão de obra especializada é um dos principais entraves para o mercado imobiliário
Mercado imobiliário do ES foca em produtividade para vencer gargalo de mão de obra
Imagem de destaque
8 motivos para incluir o milho na alimentação

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados