A
pandemia do coronavírus e todos os seus reflexos ligados às questões sanitárias e econômicas não mudaram, pelo menos até aqui, os planos da
Samarco de voltar a operar até dezembro deste ano. A companhia - que está com as atividades paralisadas desde novembro de 2015, quando aconteceu o
rompimento da barragem de Mariana (MG) - prevê retomar sua operação na unidade de
Anchieta no último trimestre de 2020.
Logo que a
Covid-19 ganhou escala e passou a ter status de pandemia, com um grande número de
infectados e mortos no Brasil e no mundo, criou-se uma dúvida se a Samarco teria capacidade e interesse de manter o cronograma já anunciado. Afinal, além dos cuidados e restrições que passaram a ser adotados por empresas e administrações públicas em relação à doença, vem acontecendo uma
forte retração na economia, reduzindo a demanda por diversos tipos de produtos e serviços.
A Samarco, por exemplo, adotou, desde o dia 13 de março, uma série de medidas preventivas no combate ao novo coronavírus e passou a cumprir os protocolos estabelecidos pelas autoridades de saúde. Entre as ações estão a adoção de
regime de home office e escalonamento por meio de revezamento semanal. Assim, segundo a empresa, ela reduziu em cerca de 60% o fluxo de pessoas nas suas unidades, mas mantém atividades prioritárias e essenciais.
Sobre a redução do número de profissionais nas obras, em Minas Gerais, que vão permitir a retomada da unidade aqui no Espírito Santo, o presidente da Federação das Indústrias (Findes), Léo de Castro, reforçou que até o momento não houve comprometimento a ponto de adiar o retorno da fábrica em Anchieta. Mas pondera que a depender da expansão do número de casos da doença e das orientações que serão dadas pelos órgãos de saúde, ele teme que o cronograma venha a ser revisado.
"Eles estão trabalhando com metade da força de trabalho em Minas, mas se isso se estender por um período mais longo, aí pode sim comprometer o planejamento. Por enquanto, está tudo dentro do cronograma. Aqui no Espírito Santo está tudo sob controle, o gargalo que pode vir a ter é nas obras em Minas Gerais. Mas volto a dizer que o que está sendo feito até agora é administrável", ponderou Castro.
Para o presidente do ES em Ação, Fábio Brasileiro, o risco da retomada das atividades da mineradora ficar para o próximo ano é pequeno. Ele comentou que a Samarco já obteve as licenças ambientais necessárias e que, ao definir o plano de retomada, a companhia - controlada pela Vale e pela BHP Billiton - já tinha jogado uma margem de tempo segura para a realização das obras e a reativação da planta industrial. "Acredito que só haveria risco se houvesse um problema de mercado. Mas não vejo nenhum fator externo e interno que leve a essa direção."
O economista Orlando Caliman também não vê empecilhos para que a Samarco volte a operar, mesmo que com a sua capacidade inicial reduzida a 26%,
como já anunciou a empresa em outras ocasiões. "Acho que essa pandemia pode até agilizar o processo. Porque em um momento de crise como o que estamos vivendo, qualquer coisa que volte a produzir é muito bem-vinda. E a Samarco tem uma importante
participação na economia local. Acredito que tudo está bem encaminhado", disse.