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Mercado de trabalho formal

Metade dos municípios do ES criou menos de 62 empregos em 4 anos

A coluna fez levantamento com dados do Caged de 2017 até outubro deste ano e traz as informações sobre os municípios que mais abriram e fecharam postos de trabalho com carteira assinada nos últimos quatro anos

Publicado em 02 de Dezembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

02 dez 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Mercado de trabalho: De 2017 até outubro de 2020, 27 cidades do ES apresentaram saldo negativo de empregos, ou seja, fecharam postos de trabalho, de acordo com dados do Caged. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ano de 2020 está chegando ao fim e junto com ele o mandato dos prefeitos nos municípios capixabas, com exceção de 29 locais que reelegeram seus chefes do Executivo. Para entender como foi o desempenho do mercado de trabalho formal nas 78 cidades do Espírito Santo desde que os atuais gestores assumiram,  a coluna fez um levantamento com dados de 2017 até outubro deste ano, que é a informação mais atualizada fornecida pelo governo federal. 
Por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que traz um retrato sobre o comportamento das vagas com carteira assinada em todo o país, é possível constatar que, nesses últimos quase quatro anos, metade dos municípios capixabas criou menos de 62 postos de trabalho.
O número é consequência da falta de dinamismo que as economias locais e nacional já vinham enfrentando e que foram ainda mais afetadas com a pandemia do novo coronavírus. Com a redução da atividade econômica, a falta de investimentos dos setores público e privado e a grande instabilidade na política e no controle fiscal do Brasil, o que vimos nesses últimos anos foi a perda de fôlego do mercado de trabalho. 
De acordo com os dados, o Estado como um todo teve um saldo de 32.990 empregos (diferença entre as contratações e as demissões) no período.  Mas esse número foi puxado por poucas cidades que conseguiram um desempenho superior. Para se ter uma ideia, os 10 municípios com os melhores indicadores foram responsáveis por gerar 86% dessas vagas.
O destaque no Espírito Santo ficou por conta da Serra, que criou 8.538 postos de trabalho com carteira assinada ao longo dos últimos quatro anos. O volume é bem superior ao das cidades que vêm na sequência, como é o caso de Linhares, com saldo positivo de 4.550 empregos, e Vila Velha com 3.374. 
Na ponta oposta aparece Guarapari que, desde 2017, fechou 1.571 postos de trabalho. O desempenho ruim também foi registrado por Cachoeiro de Itapemirim, com saldo negativo de 1.535 empregos, e por São Gabriel da Palha, com - 602 vagas. 
É curioso notar que os dados negativos do emprego não tiveram peso determinante na avaliação do eleitor ao escolher seus candidatos nas urnas. Tanto é que as duas prefeituras com os piores indicadores, Guarapari e Cachoeiro, reelegeram seus prefeitos, Edson Magalhães (PSDB) e Victor Coelho (PSB), respectivamente. 
Sejam os prefeitos reeleitos ou os que vão assumir o comando das administrações municipais a partir de 2021, todos eles terão um desafio enorme pela frente: o de gerir o caixa público diante de uma arrecadação que deve continuar a sofrer os efeitos da pandemia, o de reestruturar a economia local e o de planejar ações que possam ajudar a melhorar o ambiente de negócios e o mercado profissional. 
Como a coluna abordou na publicação desta terça-feira (01), é necessária a união de esforços entre os gestores das esferas municipais, estadual e federal. Cada um pode dar a sua contribuição para o mercado de trabalho ser fortalecido, afinal o desafio é gigantesco.
No âmbito municipal, como sugeriram os economistas Eduardo Araújo e Arilda Teixeira,  os prefeitos e suas equipes devem desburocratizar  a abertura de negócios, oferecer transparência, atualizar marcos legais que são empecilhos para a atração de empresas, identificar vocações econômicas, trabalhar em conjunto com a bancada federal, enfim, planejar programas e ter iniciativas que melhorem o ambiente de negócios, o que consequentemente tende a impulsionar o mercado de trabalho.  
Os desafios relacionados a essa área não param por aí, como lembrou a economista e professora da Fucape Arilda Teixeira. Ela reforça que os dados do Caged mostram apenas as vagas que foram criadas e extintas entre os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, ainda há um grande volume de profissionais que vivem na informalidade. 
"O mercado de trabalho formal representa menos de 50% do mercado de trabalho no Brasil. Então, tem uma grande parcela de pessoas que não está aparecendo nesse compilado de dados do Caged. E a característica dessa parcela é de uma mão de obra desqualificada, mal remunerada, que não oferece produtividade. Ou seja, estamos diante do núcleo do problema do mercado de trabalho"
Arilda Teixeira - Economista e professora da Fucape
Como enfatiza a professora, os indicadores do mercado formal sinalizam parte do problema. Junto com ele, entretanto, existem desafios ainda maiores que não podem ser ignorados. Se a mão de obra informal não é contabilizada no Caged, não significa que ela deva ser invisível aos olhos dos gestores. 2021 espera por soluções!
Trabalhador da construção civil, setor que foi afetado pela crise econômica nos últimos anos Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

AS CIDADES QUE MAIS ABRIRAM POSTOS DE TRABALHO, 2017-2020 (out) 

  • Serra: 8.538
  • Linhares: 4.550
  • Vila Velha: 3.374
  • Aracruz: 2.828
  • Cariacica: 2.680

AS CIDADES QUE MAIS FECHARAM POSTOS DE TRABALHO, 2017-2020 (out)

  • Guarapari: -1.571
  • Cachoeiro de Itapemirim: - 1.535
  • São Gabriel da Palha: - 602
  • Colatina:  -369
  • São Mateus: -282

CONFIRA OS DADOS DOS EMPREGOS FORMAIS DOS 78 MUNICÍPIOS DO ES

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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