O ano de 2020 está chegando ao fim e junto com ele o mandato dos prefeitos nos municípios capixabas, com exceção de 29 locais que reelegeram seus chefes do Executivo. Para entender como foi o desempenho do mercado de trabalho formal nas 78 cidades do Espírito Santo desde que os atuais gestores assumiram, a coluna fez um levantamento com dados de 2017 até outubro deste ano, que é a informação mais atualizada fornecida pelo governo federal.
Por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que traz um retrato sobre o comportamento das vagas com carteira assinada em todo o país, é possível constatar que, nesses últimos quase quatro anos, metade dos municípios capixabas criou menos de 62 postos de trabalho.
O número é consequência da falta de dinamismo que as economias locais e nacional já vinham enfrentando e que foram ainda mais afetadas com a pandemia do novo coronavírus. Com a redução da atividade econômica, a falta de investimentos dos setores público e privado e a grande instabilidade na política e no controle fiscal do Brasil, o que vimos nesses últimos anos foi a perda de fôlego do mercado de trabalho.
De acordo com os dados, o Estado como um todo teve um saldo de 32.990 empregos (diferença entre as contratações e as demissões) no período. Mas esse número foi puxado por poucas cidades que conseguiram um desempenho superior. Para se ter uma ideia, os 10 municípios com os melhores indicadores foram responsáveis por gerar 86% dessas vagas.
O destaque no Espírito Santo ficou por conta da Serra, que criou 8.538 postos de trabalho com carteira assinada ao longo dos últimos quatro anos. O volume é bem superior ao das cidades que vêm na sequência, como é o caso de Linhares, com saldo positivo de 4.550 empregos, e Vila Velha com 3.374.
Na ponta oposta aparece Guarapari que, desde 2017, fechou 1.571 postos de trabalho. O desempenho ruim também foi registrado por Cachoeiro de Itapemirim, com saldo negativo de 1.535 empregos, e por São Gabriel da Palha, com - 602 vagas.
É curioso notar que os dados negativos do emprego não tiveram peso determinante na avaliação do eleitor ao escolher seus candidatos nas urnas. Tanto é que as duas prefeituras com os piores indicadores, Guarapari e Cachoeiro, reelegeram seus prefeitos, Edson Magalhães (PSDB) e Victor Coelho (PSB), respectivamente.
Sejam os prefeitos reeleitos ou os que vão assumir o comando das administrações municipais a partir de 2021, todos eles terão um desafio enorme pela frente: o de gerir o caixa público diante de uma arrecadação que deve continuar a sofrer os efeitos da pandemia, o de reestruturar a economia local e o de planejar ações que possam ajudar a melhorar o ambiente de negócios e o mercado profissional.
Como a coluna abordou na publicação desta terça-feira (01), é necessária a união de esforços entre os gestores das esferas municipais, estadual e federal. Cada um pode dar a sua contribuição para o mercado de trabalho ser fortalecido, afinal o desafio é gigantesco.
No âmbito municipal, como sugeriram os economistas Eduardo Araújo e Arilda Teixeira, os prefeitos e suas equipes devem desburocratizar a abertura de negócios, oferecer transparência, atualizar marcos legais que são empecilhos para a atração de empresas, identificar vocações econômicas, trabalhar em conjunto com a bancada federal, enfim, planejar programas e ter iniciativas que melhorem o ambiente de negócios, o que consequentemente tende a impulsionar o mercado de trabalho.
Os desafios relacionados a essa área não param por aí, como lembrou a economista e professora da Fucape Arilda Teixeira. Ela reforça que os dados do Caged mostram apenas as vagas que foram criadas e extintas entre os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, ainda há um grande volume de profissionais que vivem na informalidade.
"O mercado de trabalho formal representa menos de 50% do mercado de trabalho no Brasil. Então, tem uma grande parcela de pessoas que não está aparecendo nesse compilado de dados do Caged. E a característica dessa parcela é de uma mão de obra desqualificada, mal remunerada, que não oferece produtividade. Ou seja, estamos diante do núcleo do problema do mercado de trabalho"
Como enfatiza a professora, os indicadores do mercado formal sinalizam parte do problema. Junto com ele, entretanto, existem desafios ainda maiores que não podem ser ignorados. Se a mão de obra informal não é contabilizada no Caged, não significa que ela deva ser invisível aos olhos dos gestores. 2021 espera por soluções!
AS CIDADES QUE MAIS ABRIRAM POSTOS DE TRABALHO, 2017-2020 (out)
- Serra: 8.538
- Linhares: 4.550
- Vila Velha: 3.374
- Aracruz: 2.828
- Cariacica: 2.680
AS CIDADES QUE MAIS FECHARAM POSTOS DE TRABALHO, 2017-2020 (out)
- Guarapari: -1.571
- Cachoeiro de Itapemirim: - 1.535
- São Gabriel da Palha: - 602
- Colatina: -369
- São Mateus: -282