Há 3,5 anos no mercado, a fintech capixaba pag! - do Grupo Avista - tem uma atuação na área de contas digitais que extrapola o Espírito Santo. Presente em todo o país, mas com a maior parte da sua carteira de clientes no Nordeste (60%), a empresa oferece atualmente 1,3 milhão de cartões de crédito e débito, e transacionou, em 2019, R$ 2,7 bilhões.
Com mais de 400 empregados, sendo cerca de 100 deles contratados no período da pandemia do novo coronavírus, o pag! divide seu time em escritórios em Vitória, com 50% do pessoal, São Paulo, com 40%, e em outros Estados que juntos somam 10% da equipe.
O crescimento do quadro de profissionais tem relação também com as estratégias de crescimento da própria empresa. No próximo mês, ela irá lançar o will bank (assim com caixa baixa mesmo), um banco digital que é voltado não só para a oferta de cartões de crédito e débito, mas que quer oferecer opções de investimentos para os clientes.
O CEO e co-fundador da companhia, Felipe Felix, contou à coluna que o objetivo do negócio não é "só dar crédito", mas tornar os produtos e serviços financeiros mais simples e acessíveis. A criação do will surge justamente nesse contexto.
"O mercado financeiro parte da premissa que temos que aprender. Mas dentro do pag! a gente começou a entender que a inclusão não é só a respeito da educação. Não se trata só de educar, mas de traduzir. O mercado financeiro tem que simplificar. O pag! nasceu com o objetivo de oferecer crédito, mas recentemente, do 2º semestre de 2019 para cá, começamos a estudar formas de posicionar mais nossa marca no sentido de haver uma convergência entorno da nossa plataforma. O will vem para trazer essa simplificação para as pessoas em relação aos produtos de investimentos."
Felix explica que a opção de investimento que será dada ao cliente deverá reunir três premissas básicas e que, segundo ele, foram os três pontos identificados como primordiais entre o público-alvo: o investimento tem que ser seguro, para isso será um ativo que esteja garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito); o dinheiro poderá ser retirado quando a pessoa quiser; e tem que render mais do que a poupança.
"Das pessoas que têm algum dinheiro guardado, 80% colocam na poupança. Mas como estamos vendo, deixar esse recurso na caderneta atualmente é perder dinheiro. Acontece que as alternativas à poupança são muito complexas. O will vem para simplificar e garantir as três premissas, tudo isso de forma simples, barata e transparente"
O CEO reconhece que o novo produto não vem para atender todos os perfis de investidor, mas ele frisa que a solução será dada àquelas pessoas que querem substituir a poupança, mas fazem questão de permanecer confortáveis e seguras na sua aplicação.
"Não vamos ter solução para resolver todos os problemas e perfis, mas vamos simplificar e tentar nos aproximar desse cliente", ponderou Felix ao comentar que assim como o pag!, o will não terá a cobrança de tarifas.
A novidade já começou a ser testada pela equipe da empresa e deverá ser colocada no mercado a partir de novembro, quando os interessados poderão baixar o aplicativo por meio das lojas virtuais. Questionado se há uma perspectiva de quantos clientes a empresa espera conquistar no primeiro ano de operação do will, Felix disse que esse não é o foco.
"Brinco com a equipe que, neste momento, nós temos três prioridades: fazer o produto funcionar, fazer o produto funcionar e fazer o produto funcionar! Primeiro queremos entregar um produto de muita qualidade, depois podemos voltar a falar de projeções e das nossas ambições, que não são pequenas."
Mesmo sem entrar em detalhes dos números, Felix conta que os resultados da empresa já a colocam no azul, condição que nem sempre é a realidade das mais de 740 fintechs (empresas tecnológicas voltadas para o setor financeiro) existentes no Brasil. O CEO afirma que o equilíbrio financeiro foi conquistado no ano passado.
Como o seu produto não cobra anuidade, a fonte de receita vem da tarifa de intercâmbio dos cartões, que segundo o empreendedor é de 1,5% do valor das transações do cartão. "A gente ganha dinheiro com um percentual sobre o volume transacionado."
Para ele, as perspectivas de crescimento do mercado financeiro digital são gigantes, tanto pelo grande volume de pessoas que ainda não são bancarizadas, quanto pelas políticas que vêm sendo adotadas pelo Banco Central para estimular a entrada das fintechs e desconcentrar a atividade bancária, hoje ainda muito acumulada em cinco grandes grupos.
Confira abaixo o bate-papo do "Na Lata"
PERFIL
- Nome: Felipe Felix
- Empresa: will bank e pag!
- Cargo na empresa: CEO e co-fundador
- No mercado: will estreia em 2020 (em novembro); e pag!, desde maio de 2017
- Negócio: Fintech/banco digital
- Atuação: Nacional
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Estamos otimistas com o futuro do país, que ainda será mais impulsionada com a agenda do Banco Central de desconcentração bancária e inclusão financeira.
Pandemia do coronavírus:
É o maior desafio da nossa geração em todos os aspectos. Também vale frisar que esse tem sido um período de aceleração do processo de bancarização do país.
Pedra no sapato:
Time. O Brasil não estava preparado para toda a demanda por profissionais de dados, tecnologia e produto que estamos vendo agora.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Isso nem passa pela minha cabeça. Acabamos de criar o will bank, uma fintech que tem muito a contribuir com o Brasil em diversos aspectos, entre eles o de ser uma opção de banco digital simples e abrangente.
Solto fogos quando:
Vejo nossa empresa sendo reconhecida ano após ano pela excelência no atendimento ao cliente. Há três anos consecutivos o pag! vem sendo eleito entre os três melhores no Prêmio Reclame Aqui, categoria: banco e cartões digitais.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...:
As instituições adotam uma linguagem incompreensível para a maior parte da população, postura que afasta o brasileiro dos produtos financeiros e serviços em geral. Costumamos dizer que o mercado financeiro cria produto para o mercado financeiro e não para pessoas. É exatamente isso que queremos mudar!
Minha empresa precisa evoluir em:
Precisávamos caminhar para ampliar a visão do negócio para outros produtos e serviços. As necessidades dos clientes no país tangenciam todas as etapas do relacionamento com os bancos. O will nasceu para dar esse passo.
Se começasse um novo negócio seria...:
Hoje estamos transformando um setor que é dominado pelos grandes bancos e tido como intocável. Eu buscaria algo que pudesse ser tão transformador quanto, seja porque é muito ineficiente ou porque passou por poucas transformações, nesse sentido penso em: setor de aviação, educação ou saúde.
Futuro:
Promissor. Nós trabalhamos para ajudar o brasileiro a ter uma relação mais saudável com o dinheiro, e, assim, realizar sonhos. E nós somos um povo que nunca deixa de sonhar.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Reed Hastings, fundador e CEO do Netflix. Me espelho muito no que foi feito no Netflix ao longo dos mais de 20 anos da companhia.