Com a taxa de juros do país em um dos seus patamares mais baixos da história e com a perspectiva de recuperação da economia, principalmente a partir do segundo semestre, a Morar Construtora se prepara para lançar pelo menos três empreendimentos em 2021.
A empresa, que está há 40 anos no mercado capixaba, planeja projetos para os municípios de Vila Velha, Serra e Cariacica, esse último receberá pela primeira vez um imóvel da companhia. O presidente e sócio da construtora, Rodrigo Gomes de Almeida, diz estar muito confiante e afirma que, a depender do comportamento e da demanda do mercado, o número de lançamentos pode vir a ser maior.
Ele conta que a Morar atende principalmente clientes da classe média, com a comercialização de apartamentos econômicos dentro programa do governo federal Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa, Minha Vida. Os apartamentos são de dois a três quartos e com valores que variam de R$ 150 mil a R$ 250 mil.
"O Brasil está com taxas de juros baixas quando comparamos com o histórico que o país sempre teve, e o setor imobiliário é muito atrelado a essa taxa. Os juros mais baixos aumentam o poder de compra das pessoas e colocam o dinheiro para circular. Portanto, esse é um fator que impulsiona o nosso mercado. Ainda existe a pandemia e a instabilidade econômica, mas acredito que teremos uma forte recuperação e isso irá se refletir nos imóveis."
A retomada esperada pelo empresário vem acompanhada de um desafio enfrentado pelo setor nos últimos meses: o da falta de insumos. De acordo com Almeida, o atual cenário tem exigido um planejamento ainda maior por parte das empresas. Ele cita que, para manter o cronograma de obras, as encomendas e compras feitas pela construtora estão sendo antecipadas.
Além do prazo, os custos também ficaram mais altos. Ele observa que o aço é hoje o grande vilão, mas que diversos outros materiais, a exemplo do cimento, concreto e cobre, também tiveram seus preços disparados. Muitos deles influenciados pela alta cotação do dólar.
"Os insumos têm sido o grande dificultador do setor. Porque eles têm elevado o custo de produção e isso prejudica as margens. E na outra ponta a renda das pessoas não subiu na mesma proporção. Então, esse é um desafio para o setor como um todo"
Além dos negócios no Espírito Santo, o empresário diz que a empresa espera crescer no Estado do Rio de Janeiro. Em 2020, a Morar abriu uma filial em Campos dos Goytacazes e a ideia é expandir os projetos por lá. Por enquanto, entretanto, Rodrigo de Almeida não deu detalhes de quantos e quais empreendimentos estão previstos para serem lançados.
Sobre as mudanças de comportamento do consumidor na pandemia, ele ponderou que é preciso de um pouco mais de tempo para o mercado amadurecer sobre os desejos dos clientes na área imobiliária. Para o empresário, como projetos nesse setor sempre são pensados a médio e longo prazos, existe um desafio sobre o planejamento e a compreensão do que de fato será a demanda do mercado.
"No auge da pandemia, a procura por lotes cresceu muito, assim como por imóveis com opção de espaço para o homeoffice. Mas a gente ainda não sabe dizer se essas são demandas transitórias ou permanentes. No caso do homeoffice, por exemplo, ele veio para ficar, mas não vai ser uma realidade para todos. E aí, como o mercado vai se estabelecer no pós-pandemia, ainda é cedo para dizer. Esse é um desafio para quem faz planejamento na área."
Confira abaixo o bate-papo do Na Lata com o empresário Rodrigo Gomes de Almeida.
PERFIL
- Nome: Rodrigo Gomes de Almeida
- Empresa: Morar Construtora
- Cargo na empresa: Presidente e sócio
- Empresa está no mercado: Há 40 anos
- Negócio: Construção civil
- Atuação: No Espírito Santo (Grande Vitória e Colatina) e no Rio de Janeiro (Campos dos Goytacazes)
- Funcionários: 600
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Estou confiante para uma retomada da economia em 2021. Acredito que o pior momento está ficando para trás e, com a vacinação acontecendo, a gente vai ter uma evolução e o segundo semestre tende a ser melhor.
Pandemia do coronavírus:
Momento difícil que estamos passando e que trouxe também muitas reflexões para o nosso dia a dia. Uma delas é valorizarmos mais o essencial e menos o supérfluo. Também trouxe novas visões sobre nossas moradias. As pessoas passaram a ficar mais tempo em casa e a refletir sobre os espaços onde moram.
Pedra no sapato:
A burocracia que traz entraves para o país e o impede de atingir seu real potencial.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
A burocracia me derrota. Quando você quer fazer o bem, gerar oportunidades e desenvolvimento, mas a burocracia trava esse objetivo. Isso é muito frustrante.
Solto fogos quando:
Entrego os empreendimentos e vejo a alegria e a realização dos clientes. Isso é muito gratificante!
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...:
Eu revisaria a tabela de emolumentos cartoriais. As custas de cartório no ES são muito elevadas e penalizam as pessoas com menos renda. Então, eu faria uma atualização de modo que as cobranças fossem mais justas, uma vez que hoje, proporcionalmente, a população de mais baixa renda paga taxas mais elevadas sobre os imóveis do que quem compra empreendimentos de alto padrão.
Minha empresa precisa evoluir...:
Na digitalização e na adoção de ferramentas que nos ajudem a lidar com a nova forma de nos relacionarmos com os clientes. O avanço nessa área tecnológica já vinha acontecendo, mas a pandemia antecipou essas mudanças em 5 a 10 anos.
Se começasse um novo negócio seria...:
Na área da construção civil. Sou apaixonado pelo o que faço.
Futuro:
Será de mudanças rápidas e com uma aplicação intensiva da inteligência artificial. Precisamos estar atentos a essas evoluções e nos adaptarmos a novas formas de viver, trabalhar, divertir e nos relacionar.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Gostaria de citar duas: meus pais Sebastião e Delva Almeida. Eles vieram de famílias humildes, do interior do Espírito Santo, mas sempre foram muito corajosos, trabalhadores e empreendedores. Com perseverança, venceram muitos dos obstáculos que todos os dias o Brasil impõe a quem quer empreender, e construíram a Morar que já está há 40 anos no mercado.