Além da redução da demanda por produtos e serviços em vários setores e da crise que muitas empresas já estão vivendo, a pandemia do coronavírus traz um desafio extra para empresários e gestores: o de pensar em como será o seu negócio no pós-Covid-19. A necessidade de reinvenção já bateu, inclusive, à porta do segmento da construção civil.
Para o sócio-proprietário da Lorenge Celso Siqueira Junior, a pandemia vai mudar o perfil do imóvel dos sonhos de muitos brasileiros. Segundo ele, famílias já começaram a ter um olhar diferente sobre suas moradias. O fato de as pessoas estarem passando mais tempo em suas casas e apartamentos está transformando as prioridades que elas têm em relação ao lar.
"Ninguém conseguiu ainda fazer a leitura de como vai ser o novo amanhã, o novo normal. Mas o que posso te dizer é que vai ser diferente. Por isso, neste momento, estamos buscando fazer a interpretação do que o nosso consumidor vai querer, que tipo de imóvel ele vai querer morar"
Siqueira observa que as inovações e novidades no ramo da construção civil sempre aconteceram, mas muitas delas vieram mais a conta-gotas. O empresário lembra das mudanças em relação ao fim da dependência de empregada, da valorização de varandas, dos espaços gourmets, dos condomínios que passaram a ter áreas que antes eram quase que "exclusivas" dos clubes, apenas para citar algumas.
Para o futuro próximo, o empresário adianta algumas tendências que começou a perceber no mercado imobiliário. Ele comenta que o consumidor vai buscar um imóvel que ofereça um espaço para home office e também que tenha uma boa área de estar e uma cozinha grande.
"O comprador não quer mais aquela cozinha pequena. Afinal, esse cômodo também está ligado a momentos de distração e bem-estar com a família. Outro ponto é que ele vai passar a valorizar mais um espaço em que possa trabalhar, mas sem a interferência das crianças, por exemplo. A verdade é que o imóvel mais do que nunca virou o casulo para muitas pessoas", opinou.
Diante de tamanho desafio, Siqueira conta que as equipes da Lorenge - que está há 40 anos no mercado - já estão repensando os lançamentos que virão daqui para frente. Outra transformação é a compra on-line. De acordo com ele, esse já era um movimento que havia sido iniciado, mas de forma tímida. Agora, tudo indica que a pandemia do coronavírus vai potencializar as negociações pela internet.
"Estamos percebendo que 90% da negociação vai se dar pelo digital. O consumidor vai conhecer o imóvel por tour virtual, vai falar de preços e condições. A presença física vai acontecer, mas ficará para o último momento, quando ele estiver disposto a fechar o negócio", ponderou.
Além da percepção de mercado em meio à crise da Covid-19, Celso Siqueira participou da seção Na Lata, em que bateu um papo jogo rápido com a coluna. Confira.
PERFIL
- Nome: Celso Siqueira Junior
- Empresa: Lorenge S.A. Participações
- Cargo: Sócio-proprietário
- No mercado: Há 40 anos
- Negócio: Incorporação imobiliária e construção civil
- Atuação: Espírito Santo e Rio de Janeiro
- Funcionários: 400
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Estávamos em rota de crescimento econômico e a pandemia deu uma desviada, mas voltaremos em breve
Coronavírus:
O impacto a curto prazo é avassalador. No médio e longo prazo, o mercado imobiliário sai fortalecido, pois é ativo real, e as pessoas conhecem e confiam.
Pedra no sapato:
Legislação trabalhista e tributária que jogam contra o crescimento econômico e a geração de emprego e renda.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
A população perde a confiança no país e para de consumir, todo mundo sai perdendo, inclusive o governo.
Solto fogos quando:
Vejo iniciativas de menos Estado e mais iniciativa privada, mais eficiência e produtividade.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:
A burocracia com relação aos cartórios e bancos financiadores, muito tempo e dinheiro perdidos por ineficiência.
Minha empresa precisa evoluir em:
Entender melhor o que os clientes desejam em termo de moradia e local de trabalho. Tudo está mudando, não podemos continuar repetindo o passado.
Se começasse um novo negócio seria:
O mesmo, construção e incorporação imobiliária.
Futuro:
O mundo será mais digital, assim, mais produtivo e eficiente. Seremos mais focados nos aspectos que realmente geram ganhos paras as pessoas e empresas.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Rubens Menin, dono da MRV Engenharia. Ele soube fazer uma boa leitura de mercado e criou a maior construtora da América Latina atuando no setor de construção habitacional econômica.