"Nosso pensamento neste momento da pandemia é o de sobreviver. Como numa guerra, o lema deve ser 'mantenha-se vivo'. Nossa intenção é nos mantermos e mantermos as 550 famílias que dependem do nosso negócio vivos." O desabafo e o objetivo firme de assegurar a empresa de pé é do sócio e diretor da Viação Pretti, Liemar Pretti.
Ele conversou com a coluna e contou que a crise trazida pelo novo coronavírus é um verdadeiro teste de fogo para as atividades da companhia, que atua no ramo de transporte de passageiros e de cargas há mais de 50 anos. De acordo com o empresário, está sendo necessário revisar planos e abortar projetos e investimentos que eram programados para 2020. Outra necessidade nesse período é o de buscar segmentos e empresas para fazer parcerias.
"Nós formamos um grupo de crise e estamos repensando até a forma de trabalhar, principalmente nas questões de parcerias. Estamos conversando com algumas companhias de passageiros e de cargas e estamos repensando a atuação da empresa no segmento que atuamos, de que forma vamos seguir com ele, e como vamos nos adequar e aderir a essa nova tendência de entrega, com o e-commerce, que veio para ficar."
A adaptação e a busca por novos mercados dentro do segmento do transporte é inevitável diante da queda de demanda que a Viação Pretti registrou de março para cá. Liemar cita que, em relação ao transporte de passageiros, houve retração de 90% no faturamento e que hoje 80% da frota de ônibus está parada. Em relação ao ramo de cargas, o faturamento chega a apenas 25% do que a empresa tinha no pré-pandemia. Ainda assim, o empresário observa que a empresa manteve o quadro de profissionais.
O diretor explica que a queda aconteceu de forma muito acentuada porque os principais setores que a empresa atende também foram impactados, a exemplo do de confecção e autopeças. "Como temos um foco interno e em carga fracionada e o comércio fechou, houve uma retração muito forte. Hoje o que permite a nossa empresa rodar são as parcerias com grandes organizações de fora do Espírito Santo. Porque em relação aos negócios locais está tudo parado."
Liemar Pretti reforça o potencial e o interesse de atender mais o segmento do e-commerce, mas observa que é preciso vencer algumas barreiras nesse setor, como o elevado custo e as especificidades de entrega, em geral, com exigências de um tempo muito curto.
Sobre a revisão dos projetos, o empresário comentou que neste ano a Viação Pretti pretendia fazer uma mudança tecnológica na empresa, para melhorar a operação e os resultados das atividades. Outro investimento seria o da renovação da frota. Mas tudo isso vai ficar para depois.
"Tudo vai ser jogado para 2021. Este não é o momento de realizar. Mas quem tiver preparado e for capaz de acompanhar as mudanças, pode se sair muito bem lá na frente"
Para ele, enquanto a retomada não chega, é determinante que as pessoas adotem os cuidados para evitar a transmissão da Covid-19. "Nós estamos numa Terceira Guerra invisível. Nela, o tiro é a conscientização, a proteção. O mais importante é cada um fazer o seu papel."
Ainda sobre o período de enfrentamento à pandemia, Pretti comenta sobre a saúde financeira das empresas. Ele critica a dificuldade de acesso ao crédito. "Os caixas das empresas não estão suportando e os bancos não estão socorrendo. Essa conversa do governo federal e estadual de que tem dinheiro... Então, me mostra o caminho! Porque estou procurando todo dia. Mas é muita burocracia e restrições para o nosso setor de transportes."
PERFIL
- Nome: Liemar José Pretti
- Empresa: Viação Pretti Ltda
- No mercado: Há 55 anos
- Cargo na empresa: Diretor
- Negócio: Transporte Rodoviário de Passageiro e Cargas
- Atuação: Espírito Santo, leste de Minas Gerais e Porto Velho (Rondônia)
- Funcionários: 550 diretos
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Somos uma potência econômica, só não descobrimos ainda.
Pandemia do coronavírus:
Veio para nos mostrar que somos mais que aplicativos, somos humanos.
Pedra no sapato:
Burocracia brasileira.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Amo tanto o que faço que não consigo pensar em nada que me faça desistir. Desta forma, se Deus permitir e a política ajudar, jamais fecharei as portas!
Solto fogos quando:
Assino a carteira de mais um colaborador.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:
A visão do empresário para o resultado do setor, ou seja, lucro. Não é vergonha admitir que trabalhamos para obter lucro porque não trabalhamos apenas isso. O que acontece com uma empresa, um setor, sem lucro? Não investimos e não conseguimos contribuir com a sociedade.
Minha empresa precisa evoluir em:
Tecnologia e aumentar a capacitação dos profissionais.
Se começasse um novo negócio seria:
Tecnologia para o transporte.
Futuro:
Acredito no crescimento e na evolução do ser humano.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Abílio Diniz