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Beatriz Seixas

Nova tragédia com lama. Vale o que está em jogo?

Mineração e ganhos econômicos não podem vir na frente de vidas humanas

Publicado em 27 de Janeiro de 2019 às 19:40

Públicado em 

27 jan 2019 às 19:40
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Na última sexta-feira, quando a imprensa tomou conhecimento do rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, jornalistas foram em busca de informações sobre o acidente, cada um tentando cobrir o seu setor de atuação.
Nós da editoria de Economia da Rede Gazeta fomos atrás dos possíveis impactos para a produção da Vale no Espírito Santo e os reflexos econômicos locais diante da tragédia, que aconteceu pouco mais de três anos depois do rompimento de outra barragem mineira, a de Mariana. Como o acidente de novembro de 2015 desencadeou a interrupção das atividades da Samarco, em Anchieta, no primeiro momento houve preocupação de que as operações da Vale em Tubarão também fossem comprometidas, o que poderia gerar, na sequência, desemprego, fechamento de empresas prestadoras de serviços e queda no PIB capixaba, assim como aconteceu nos últimos anos no Estado em função da paralisação da Samarco. A constatação, entretanto, foi de que o prejuízo operacional local seria mínimo, próximo de zero, como contou à coluna uma fonte ligada à Vale.
Quem cobre e acompanha a área econômica sabe bem como os números e os resultados são importantes para entender e projetar cenários. Mas, convenhamos, neste caso - em que a tragédia humana se mostra imensa e a ambiental é ainda imensurável - eles são extremamente secundários. Não é que dados e consequências operacionais devam ser ignorados, mas os esclarecimentos e respostas devem ser sobre a incapacidade que a Vale e órgãos fiscalizadores tiveram de impedir que uma catástrofe, e o que é mais grave, de forma reincidente e em um curto espaço de tempo, acontecesse no país.
Se em três anos empresas e poder público não foram capazes de aprender com os erros e melhorar protocolos de segurança para evitar esse tipo de desastre, vale indagar se esse modelo de exploração de minério já não beira a falência. Outro questionamento é como foi pensada e permitida a construção da sede administrativa e de dependências, como o restaurante, no caminho de uma possível onda de rejeitos, o que demonstra falha no plano de contingenciamento.
O que precisamos refletir a partir deste episódio é às custas de quantas vidas mais vamos insistir na continuidade da utilização desse tipo de reservatório para recebimento de rejeitos. Ainda que especialistas afirmem que o Brasil é referência em profissionais e tecnologias na área, os danos já causados colocam em xeque esse histórico de qualidade. O fato é que a mineração e os ganhos econômicos não podem vir na frente de vidas humanas.
Imagem arranhada
Mesmo que operacionalmente, seja em relação à produção no Espírito Santo ou em outros Estados, os prejuízos sejam mínimos no curto prazo, do ponto de vista da imagem eles são gigantes e ainda incalculáveis. Já desgastada com o acidente na barragem em Mariana, em 2015, uma das maiores mineradoras do mundo volta ao centro das atenções da pior maneira possível. O que acontecerá com ela daqui para frente, entretanto, ainda é difícil de prever.
“É um impacto imenso para a imagem da Vale. Depois de duas tragédias, a impressão que a empresa passa é de que as barragens não estão sob controle”, diz uma pessoa com trânsito na companhia.
Na última sexta, as ações da mineradora na Bolsa de Valores de Nova York despencaram, movimento que deve se repetir amanhã no Brasil e de forma ainda mais intensa diante da quantidade de vítimas fatais que foram confirmadas até o momento.
Além da perda de valor de mercado, das multas que terá que pagar e dos recursos que deverá destinar como compensação às vítimas e aos danos ambientais, o que compromete investimentos e planos de expansão, há quem acredite que a companhia terá de rever suas operações, o que no médio e longo prazo poderá refletir nas atividades da Vale no Espírito Santo.
Um especialista pondera que a produção no complexo de Tubarão pode vir a ser reduzida. “A Vale pode diminuir as atividades do sistema Sudeste (do qual fazem parte as oito usinas de pelotização da planta capixaba) e priorizar o sistema Norte, composto por Carajás, Serra Leste e S11 (no Sudeste do Pará), onde há extração a seco de minério”, analisou a fonte.
Ainda é cedo para saber se mudanças como essas acontecerão. A única certeza neste momento é que a tragédia de Brumadinho é inadmissível e que, desta vez, a sociedade precisa de garantias mais concretas de que algo semelhante não vai se repetir.
Sobrevoos limitados
Desde que o novo Aeroporto de Vitória começou a operar, as rotas de navegação aérea passaram por mudanças, limitando operações de aeronaves menores, inclusive as que fazem voos panorâmicos próximos ao Convento da Penha. Por enquanto, as restrições não estão comprometendo o sobrevoo de quem quer contemplar a paisagem capixaba. Mas isso deverá ser por pouco tempo. Uma fonte da área informou que devido ao baixo movimento de aviões comerciais, ainda é possível conciliar as operações. “Se aumentar mais uns 30%, já vai ficar mais complicado. Lembrando que estamos operando com quase metade da quantidade de aeronaves do pré-crise.”
Novidades à vista
Nesta segunda-feira (28), o governador Renato Casagrande irá visitar o Estaleiro Jurong Aracruz.
Filme queimado
Pegar um cineminha em Vitória está pesando no bolso. Entre as capitais do Sudeste, a capixaba tem o preço médio do ingresso mais alto, R$ 41,04. No ranking nacional, ficamos em quarto lugar, segundo pesquisa da Cuponation. Somente os cinéfilos de Natal (R$ 42,18), Porto Velho (R$ 42,18) e Brasília (R$ 42) pagam mais que nós.
Ahhh $uíça!
Na comparação mundial, o preço por aqui nem parece tão salgado quando olhamos para Zurique, na Suíça. Lá, o ingresso custa de R$ 69,85. Certamente, essa será uma das raras vezes que não vamos ficar com inveja do país Europeu.
 
 
NA LATA
Perfil
Cristhine Samorini, da GrafitusaNome: Cristhine Samorini
Empresa: Grafitusa
No mercado: há 97 anos
Negócio: indústria gráfica
Atuação: em todo o Brasil
Funcionários: 90
Jogo rápido com quem faz a economia girar 
 Economia: O momento atual é de uma mudança importante para todo o cenário empresarial. A expectativa é de que estamos caminhando para uma virada.
Pedra no sapato: A limitação do mercado capixaba diante do seu grande potencial.
Tenho vontade de fechar as portas quando: Não será tão cedo. Em nenhum momento essa possibilidade passou pela minha cabeça.
Solto fogos quando: Vejo o cliente realizado com a contribuição que a nossa empresa deu para esse resultado. 
 
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: A profissionalização da mão de obra. Trabalhadores que atuam na intermediação do setor ainda têm um baixo profissionalismo.
Minha empresa precisa evoluir em: Melhorias de eficiência nos processos de produção.
Se começasse um novo negócio seria...: O mesmo ou então atuaria no segmento de eventos, que é uma área que amo.
Futuro: Expansão da venda on-line, além de investimentos e ampliação da atuação no segmento de embalagens.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: Ada Mota, que é a fundadora da Adcos. Ela é muito dedicada ao negócio e faz de tudo para entregar um produto de ponta ao consumidor final.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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