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Crise econômica

PIB do ES vai cair 4,3% em 2020, prevê Tendências Consultoria

Com pandemia do coronavírus, desempenho da economia capixaba será negativo e pior do que o do Brasil, segundo projeção da consultoria

Publicado em 16 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

16 mai 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Com pandemia do coronavírus, diversas economias no mundo vão enfrentar crise e recessão
Com pandemia do coronavírus, diversas economias no mundo vão enfrentar crise e recessão Crédito: Freepik
Antes da reviravolta que o mundo sofreria em 2020 com a pandemia do coronavírus, o Espírito Santo, assim como o país, tinha uma boa perspectiva para a sua economia e para a retomada do crescimento. O otimismo para o ano, entretanto, durou pouco.
Os números referentes à estimativa do Produto Interno Bruto ajudam a entender a mudança de rota que estamos enfrentando. A coluna teve acesso em primeira mão à projeção feita pela Tendências Consultoria Integrada para o PIB capixaba.
A empresa atualizou sua perspectiva para a economia local. No início do ano, ela previa que o Estado teria um crescimento de 1,3% no PIB. Agora, estima que a economia vai retrair 4,3%, desempenho pior do que o projetado pela Tendências para o Brasil, de -4,1%.
Embora alguns analistas já tivessem indicado, inclusive neste espaço, que o Estado tende a registrar números mais pessimistas do que os nacionais, é a primeira vez que uma instituição torna público os dados estimados para o PIB capixaba em 2020.
Além dele, a consultoria traz - no estudo desenvolvido pelos economistas Lucas Assis e Camila Saito - projeções relacionadas aos segmentos da indústria, comércio e também sobre a renda das famílias. Em todos esses cenários a estimativa é de retração.
Lucas Assis reforça que a reversão de expectativas e os choques de oferta e demanda evidenciam para a forte retração que o Brasil como um todo sofrerá ao longo do ano. Se não bastassem as consequências da pandemia, ele observa que a tensão política-institucional em nada favorece o contexto econômico.
No caso capixaba, Assis explica que entre os setores mais sensíveis e que devem trazer efeitos negativos para a economia estão os de metalurgia, mineração, comércio e serviços.
Com a retração em 2020, o Espírito Santo terá o seu sexto ano de economia fragilizada. Desde 2015, o Estado apresenta números negativos ou de um crescimento bem modesto. Antes da pandemia, quando a perspectiva era de uma alta no PIB de 1,3%, a própria Tendências indicava que, mesmo com o avanço, a economia capixaba estaria 4,4% abaixo do tamanho que tinha antes de 2014.
“Agora então, levará ainda mais tempo para retomar o patamar pré-recessão”, ponderou o economista ao citar que não acredita, como alguns especialistas defendem, na chamada recuperação em V., em que após um forte encolhimento da atividade econômica há um salto no PIB. Para ele, a retomada tanto do Espírito Santo quanto do Brasil será gradual.
Lucas Assis acrescenta que os números calculados pela Tendências levam em consideração uma perspectiva de contenção bem-sucedida da pandemia nos próximos meses, com normalização gradual da atividade econômica ao longo do segundo semestre. Como até aqui estamos vendo muitas falhas e um nível elevado de ineficácia na gestão e na condução do controle da pandemia no Brasil, pode ser que os dados sejam ainda mais cruéis.

ES DEVE SOFRER FORTEMENTE OS EFEITOS DA PARALISAÇÃO NO COMÉRCIO

Lucas Assis é economista da Tendências Consultoria Integrada
Lucas Assis é economista da Tendências Consultoria Integrada Crédito: Tendências Consultoria/Divulgação

Cenário para 2020

“O cenário desenhado pela Tendências está baseado em uma perspectiva de contenção bem-sucedida da pandemia nos próximos meses, com normalização gradual da atividade econômica ao longo do segundo semestre. Ainda assim, a abrupta paralisação de grande parte dos serviços, desde meados de março, promete gerar perdas substantivas à economia capixaba neste ano. O Espírito Santo deve apresentar queda de 4,3% do PIB em 2020.”

Desempenho da indústria

“Com relação à atividade industrial, o governo do Espírito Santo não restringiu a produção. Ainda assim, diversas fábricas decidiram interromper sua produção parcial ou integralmente, como no setor de metalurgia, nas fábricas da Arcelor (em Tubarão, no alto-forno 3) e da Paranapanema (na Serra), diante da perda relevante de dinamismo dos principais setores demandantes, como automotivo.”  

Produção de minério

“A menor produção de minério de ferro nos Sistemas Sudeste e Sul da Vale, em Minas Gerais, promete afetar o Espírito Santo neste ano, já que parte da produção é escoada pelo Complexo de Tubarão, em Vitória. A queda nas expectativas para o setor minerador, em 2020, baseia-se (i) na perda de produção no 1º trimestre; (ii) nos atrasos na retomada de operações interrompidas, como em Timbopeba e Fábrica; e (iii) nos atrasos na implementação de alternativas para a disposição de rejeitos da planta mineira de Brucutu.”  

Efeitos das paralisações

“Com elevada participação dos serviços no valor adicionado bruto (73% em 2017, segundo o IBGE), o Espírito Santo deve sofrer fortemente os efeitos das paralisações no comércio e serviços. A expectativa é de que as vendas do comércio varejista ampliado (PMC/IBGE) mostre recuo de 5,7% em 2020, mesma taxa do Brasil, em linha com o cenário de retração da atividade e piora generalizada dos condicionantes da demanda, diante dos esforços para a contenção da pandemia da Covid-19.”

Rendimento das famílias

“O auxílio emergencial sancionado pelo governo federal, visando reduzir os impactos das restrições de mobilidade impostas pela pandemia, promete conter maior retração do rendimento total dos espírito-santenses. Já em abril, o Estado recebeu mais de R$ 200 milhões, via Programa Bolsa Família, beneficiando 184,8 mil famílias. Mesmo assim, a massa de renda ampliada das famílias capixabas deve retrair 2,1%.”

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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