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Infraestrutura

Porto Central pode virar base para projetos de parques eólicos no ES

Representantes do porto estão em contato com investidores de duas empresas que querem implantar parques eólicos offshore no Litoral Sul capixaba

Publicado em 07 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

07 nov 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Parque eólico offshore Arkona, na Alemanha: Equinor quer investir na energia dos ventos no Litoral Sul do ES
Parque eólico offshore Arkona, na Alemanha: Equinor quer investir na energia dos ventos no Litoral Sul do ES Crédito: Eskil Eriksen/Equinor Divulgação
O Porto Central - complexo industrial portuário multipropósito em desenvolvimento em Presidente Kennedy - pode vir a ser base para dois grandes empreendimentos do setor de energia renovável. Representantes do negócio portuário estão em conversa com investidores das empresas Votu Winds e Equinor, ambas interessadas em implantar parques eólicos offshore (no mar) no Litoral Sul capixaba. 
A Votu Winds, com sede no Rio de Janeiro e formada por investidores nacionais e estrangeiros, projeta uma fazenda eólica  no litoral dos municípios de Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy. Já a norueguesa Equinor quer produzir energia limpa a partir dos ventos na costa de Itapemirim, com um projeto que prevê 160 aerogeradores e terá capacidade de gerar 2 gigawatts (GW). Chamado de Aracatu II, o parque da Equinor é planejado em conjunto com o Aracatu I, previsto para Campos dos Goytacazes no Norte fluminense. 
O diretor-presidente do Porto Central, José Maria Novaes, contou à coluna que o porto está atento a oportunidades na área energética.
"Nós conversamos com representante da Votu Winds e oferecemos a nossa infraestrutura portuária para suporte ao projeto da empresa. Fizemos o mesmo com a Equinor, que também quer investir nessa área"
José Maria Novaes - Diretor-presidente do Porto Central
José Maria Novaes é CEO do Porto Central
José Maria Novaes é CEO do Porto Central Crédito: Porto Central/Divulgação
Novaes explica que, nos dois casos, as companhias ainda estão numa fase inicial, em que já identificaram áreas com condições favoráveis de ventos e de oferta de infraestrutura ao longo da costa brasileira, mas que aguardam o avançar da regulação do setor, ainda incipiente no Brasil.  Vale destacar que no país não existe, por enquanto, parque eólico marítimo em operação. Há  projetos em avaliação em órgãos ambientais, mas nenhum na iminência de ser viabilizado.
Para o executivo, será necessário o amadurecimento das regras do setor junto a órgãos reguladores e instâncias ambientais, a exemplo da SPU, da Aneel, do Ibama e dos ministérios de Minas e Energia e Infraestrutura.  Superadas as etapas regulatória,  jurídica e ambiental, José Maria Novaes diz que o  Porto Central estará pronto para receber esses empreendimentos quando os investidores começarem a desenvolvê-los.
Em sua visão, o complexo portuário em Presidente Kennedy poderá ter dois papéis. O primeiro deles é servir como uma base para a construção do próprio parque eólico, projeto que demanda espaço e é de alta complexidade. O segundo papel pode vir a ser no escoamento da energia gerada pelas torres eólicas offshore, por meio de cabos, para uma subestação na área do terminal.
De acordo com o diretor-presidente, como o Porto Central já avalia o desenvolvimento de projetos no setor energético, isso tende a facilitar a conexão da energia gerada na fazenda eólica com o sistema nacional. "Já estamos cuidando dessa conexão com a rede de energia elétrica. A gente pode vir a compartilhar a mesma infraestrutura, o que simplifica a equação", frisou. 
Perspectivas do Porto Central, terminal portuário de águas profundas em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo
Perspectivas do Porto Central, terminal portuário de águas profundas em Presidente Kennedy Crédito: Porto Central/Youtube/Reprodução

PORTO CENTRAL ESTÁ PRESTES A FECHAR NEGÓCIO COM PETROLEIRAS

Com o foco de desenvolver na primeira fase do projeto um terminal de granéis líquidos para movimentar petróleo e derivados, o Porto Central espera fechar em breve contratos junto a duas petroleiras. De acordo com o diretor-presidente do empreendimento, José Maria Novaes, a assinatura está em vias de acontecer. Há ainda a negociação com outras três petrolíferas, mas em um estágio menos avançado. 
Para o executivo, realizar o negócio com esses players é ponto-chave para a equação fechar e o porto começar a ser construído no Sul do Espírito Santo "Esperamos que de três a seis meses a gente reúna condições para começar a construir. Porque aí teremos o aporte de capital dos sócios e uma parte de financiamento, que estará lastreado nesses recebíveis dos contratos com as petroleiras."
No planejamento do Porto Central, a previsão é que a primeira etapa do empreendimento - com o terminal de líquidos - inicie a operação no final de 2023. Um ano depois, no segundo semestre de 2024, é programado o terminal de GNL e, a partir de 2025, são projetados os terminais para a movimentação de grãos e cargas gerais. Para eles se viabilizarem, entretanto, é necessário que a ferrovia EF 118 chegue até o Sul do Espírito Santo. Por enquanto, só há garantia de que o ramal será construído, pela Vale, até Anchieta.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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